Terça-feira, 7 de Novembro de 2017, 21h30, abertura de portas da Sala 2 da Casa da Música. Por trás do palco era projectado um filme composto de pequenos excertos de música e entrevistas de vários artistas. Passaram no ecrã improvisado: Beatles, Sir George Martin, Rolling Stones, Nick Cave, Metallica, Radiohead, Nirvana, … subliminarmente dizia-nos que, ao longo dos tempos, novas gerações de músicos absorvem o que foi feito no passado e revolucionam, num acto de renascimento, ressurgimento: RESURGAM.

Resurgam é o título do mais recente álbum de Fink, produzido por Flood e que marca uma evolução na sonoridade do projecto de Fin Greenall. O trabalho apresenta uma complexidade sonora acrescida face aos álbuns anteriores com texturas de sintetizadores analógicos e linhas de baixo pujantes a marcar presença ao longo das 10 músicas que o compõem. O sentido de “álbum” está muito presente tornando a sua audição uma experiência imersiva, gourmet.

Acompanhados de muitos aplausos, os músicos entraram em palco iniciando o concerto de forma intensa com Warm Shadow, fazendo prever uma noite memorável.

No decorrer da interpretação do tema, Fin Greenall ia olhando para os técnicos. A sua guitarra não se estava a ouvir.

Após terminarem a música o espectáculo foi interrompido para resolução do problema. Depois de vários minutos, com a preocupação estampada no rosto de Fin, foi encontrada uma solução de recurso e o concerto foi retomado. Ao longo da actuação, ocorreram ainda mais duas avarias (dessas vezes sem paragens).

Apesar destes factores imprevistos que, inevitavelmente, mexeram com a emoção dos músicos e o andamento do concerto, a banda ofereceu uma extraordinária performance.
Retomado o espectáculo, foram-se alternando temas novos com antigos com auge na sequência de três músicas do último álbum: Resurgam, Godhead e Cracks Appear. O momento alto foi mesmo Resurgam que embalou o público com a forte batida e o profundo baixo acompanhados de sons de teclado imersos em delay e Fin pregando: “I Will Rise Again”.

As excelentes condições acústicas da Casa da Música permitiram que o refinado som da banda fosse ouvido no expoente máximo da sua beleza. Há algo de especial na combinação de uma guitarra Telecaster com um amplificador Vox AC30 ou um teclado Rhodes que, nas mãos certas, se transformam em pura magia. A adição de mais uma bateria à banda trouxe, também, uma dimensão extra.

A noite acabou com Fin, sozinho em palco, e Biscuits.
Esperamos, em breve, que voltem ao Porto para novo concerto… sem contratempos, porque eles merecem.

Texto: Sérgio Rodrigues