UMA VISÃO DIREITA: “Quem não se sente não é filho de boa gente”

Caro leitor,

Hoje resolvi falar-vos sobre uma situação que aconteceu esta semana na Assembleia da República.

Aconteceu em pleno debate quinzenal, protagonizado por Catarina Martins, líder, a meias, do bloco de esquerda, aquando da sua intervenção e interpelação ao Governo e ao Primeiro-Ministro. A deputada bloquista, no alto da sua arrogância e prepotência, do alto da sua suprema capacidade de pensar que se pode fazer e dizer tudo aos e dos que pensam diferente, resolveu afirmar que “a palavra do senhor Primeiro-ministro não vale nada”.

E diga-se, em abono da verdade, que ainda há bem pouco tempo, também numa sua intervenção que o Primeiro-Ministro “ou está a tentar enganar deliberadamente as pessoas ou percebe pouco de como funcionam os orçamentos do estado”.

Tudo isto se passa no  Parlamento, a casa da democracia, em que um dos intervenientes é o Primeiro-Ministro. E finalmente alguém resolve dar a resposta adequada a esta constante forma de fazer política do bloco e dos seus líderes. Pedro Passos Coelho deixou Catarina Martins a falar sozinha e fê-lo de uma forma elevadíssima para quem acabava de ser acusado da forma que o foi. À meia líder do BE, o Primeiro- Ministro respondeu: “Dado o valor da minha palavra, por respeito a esta câmara e por mim próprio, não estará à espera de resposta…” explicando que se sentia indignado.

A meia líder bloquista, mesmo assim, continuou o seu rol de insultos ao Primeiro-Ministro e ao Governo, qual jovem irritada por não lhe fazerem a vontade. Ainda reclamou para a Presidente da Assembleia da República, solicitando uma palavra de alguém a quem acabava de dizer que a mesma nada valia. E por final, disparando com mais um insulto de arrebite e sempre de cara zangada, numa tentativa pífia de imitar Louçã, Catarina Martins resolve abandonar o hemiciclo, na qual é acompanhada pelos restantes deputados do seu partido e alguns deputados do Partido Socialista. Mas se alguns abandonaram, muitos outros concordam com a forma de estar de Catarina Martins, como é o caso de Francisco Assis, que ainda hoje à noite no programa da TVI se pôs ao lado da bloquista.

Caro leitor, não há ninguém que possa acusar o Primeiro-ministro do que quer que seja. Durante imensos debates foi ouvindo e pacientemente aguentando. Foi enchendo e finalmente respondeu. Respondeu ignorando. Respondeu fazendo aquilo que deveria ser feito. Deixando aqueles que acham que podem tudo, em nome de um estranho conceito de liberdade que apregoam, a falar sozinhos.

Após a saída do bloco do hemiciclo, dei comigo a pensar de como era bom estar de volta ao tempo (ainda que curto) em que o Parlamento era um local de respeito, onde determinados princípios éticos não eram ultrapassados.

Já o tenho dito muitas vezes. De um partido (ou coligação de partidos) como é o  Bloco de  Esquerda, cuja única finalidade na sociedade portuguesa é a de tentar proceder ao retrocesso de princípios e valores civilizacionais da nossa sociedade, não espero nenhuma outra atitude que não esta. Irresponsabilidade e golpes teatrais para tentar convencer uma certa franja da sociedade mais irreverente e com vontade de chocar. Não é à toa que é o  Bloco de  Esquerda que está sempre na frente nos processos de liberalização das drogas, do casamento entre homossexuais, da adopção por casais do mesmo sexo, and so on, and so on.

E por isso me revi muito na atitude de Pedro Passos Coelho. Estar na vida pública não é estar disposto a ouvir tudo e calar. Não é estar disposto a ter de se sujeitar a malcriadez e desrespeito na casa da democracia. Não é ter de dar sempre a outra face. Chega o momento de dizer basta. Basta de um determinada forma de se estar na vida pública. Basta de ter de ouvir e fazer de conta que nada se passa. Basta.

Já dizia o mesmo aquando das intervenções de Louçã em interpelação a Sócrates. A paciência tem limites. Os valores e os princípios que aquela casa deve preservar, impõem-se a todos e a qualquer um dos deputados. E o Primeiro-ministro assumiu o ónus. O ónus de dizer basta a quem não merece o nosso respeito. Que o digam nas ruas, nas manifestações, ainda vá que não vá. Agora num Parlamento? Na casa da democracia? Só essa faltava.

Por isso entendo que pela primeira vez um primeiro-ministro respondeu adequadamente a esta gente, que confunde o conceito de liberdade com o de libertinagem. E a conclusão não é a que foi feita por Catarina Martins, quando refere que  quando  há falta de argumentos, o Governo se cala. Não, a conclusão a tirar é que o bloco, à falta de argumentos, normalmente insulta. Desta vez ficou a falar sozinho, ou melhor, também para alguns deputados do PS que lhe seguiram o caminho.

Como dizia o meu Pai: “quem não se sente não é filho de boa gente”. E sentindo, temos de reagir. Era o que eu faria e faço, quando na casa da democracia vimaranense, um deputado municipal do partido socialista que se julga mais do que os outros, ofende gratuitamente tudo e todos, sem qualquer prurido. Apesar de até demonstrar capacidade para fazer diferente, resolve dar um estilo bloquista do insulto gratuito e fácil, numa forma de fazer política que não me revejo e repudiarei sempre.

A bem da nossa democracia, que até são os próprio os primeiro a encher a boca para apregoar, deveremos repudiar este estilo e esta forma de estar no nosso Parlamento. Portugal ainda é um País de valores, em que o respeito mútuo deverá merecer a nossa máxima prioridade.

Se não existir, como aliás o BE vem praticando ao longo dos tempos, deverá receber resposta adequada, ou seja, é deixa-los a falar para o boneco. Pelos vistos não gostam, não respeitam e até apelidam de vergonha a decisão de Pedro Passos Coelho, como fez o deputado bloquista Pedro Filipe Soares do BE.

Para quem teve o comportamento que teve, não há dúvidas que estão cheios de legitimidade para se vitimizar.

Enfim… 

Até para a semana,

Rui Barreira

P.S. –Por esta crónica ser publicada no dia anterior ao dia da mulher, queria deixar aqui uma referência elogiosa a todas as minhas leitoras. Parabéns e queiram fazer o favor de continuar a ser mulheres a sério, como este País necessita.

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