UMA VISÃO DIREITA – “Preso por ter cão e por não ter…”

Resulta para mim claro e evidente que este Governo pretende reduzir a despesa do Estado e transformar Portugal num Páis sustentável e próspero para gerações futuras.

Resulta, também, para mim muito claro que é significativa a redução da despesa pública do Estado e que é esse o eixo essencial que permite que hoje as contas públicas não estejam em derrapagem em face da diminuição da receita fiscal.

Certo é que sem todo este esforço, não era possível a Portugal recuperar a credibilidade exterior e recuperar a soberania nacional, a tal credibilidade que como demonstrei aqui na semana passada, nos permitiu ir aos mercados e vender mais dívida pública do que a esperada a juros bem mais baixos do que os então estabelecidos.

E estes são sinais fortes da determinação de um Governo, que mesmo a navegar em águas turbulentas, não se desvia do objetivo de devolver Portugal aos portugueses.

Já a semana passada deixei bem patente alguns exemplos de reformas que o Governo queria ou pretendia implementar, mas que encontra sempre pela frente a revolta de alguns, de muitos, que querem sol na eira e chuva no nabal.

Recentemente o Governo propôs a extinção de 21 fundações que estão na alçada autárquica, a eliminação total de subsídios a quatro fundações e ainda a redução parcial dos apoios a outros 12 organismos. Uma medida há muito anunciada e agora concretizada.

No entanto a extinção de alguns destes organismos depende de decisão de autarquias locais e dos governos regionais. Ora aqui está mais um problema para o Governo. Governos Regionais e algumas autarquias já assumiram que não vão cumprir.

Mais uma medida de corte na despesa, mais uma contestação de quem não quer que nada mude. Mais uma resolução do Governo que visa cortar gorduras do Estado, mais uma contestação da esquerda radical (PS. BE e CDU). A esquerda da despesa e despesista. A esquerda que gosta de gastar aquilo que não é seu e que não tem. A esquerda que nos põe junto do abismo e com meia perna de fora…

E hoje não queria deixar passar em claro a disponibilidade apresentada pelo Governo para não aplicação do aumento da Taxa Social Única para os trabalhadores e a sua diminuição e a reação do maior partido da oposição.

A demonstração de abertura para alterar ou suprimir a medida por parte do Governo demonstra, desde logo, a democraticidade com que este Governo encara a sua política. Em sede de concertação social. Em sede da auscultação da reação popular espontânea. Da forma como se encaram as divergências de opiniões. E da forma responsável como atua perante os portugueses.

Aponta agora o Partido Socialista que o recuo da medida a si se deve. Porque a ameaça da moção de censura produziu os seus efeitos e que só por isso o Governo recuou.

Sejamos sérios. A ameaça de moção de censura falada pelo PS mais não é do que um sopro de uma criança num dia de nortada litoral. É muito giro de ver, mas não provoca qualquer reação no meio em redor. Desde logo porque uma moção de censura tem como efeito o derrube de um Governo e a consequente marcação de eleições. E o PS e o seu líder ameaçou com uma moção de censura mas ao mesmo tempo disse que não queria derrubar o Governo nem provocar uma crise política.

Por outro lado, vitória do PS seria que o Governo recuasse na medida e tivesse adotado uma medida que houvesse sido proposta pelo mesmo PS. E é exatamente aqui que a “porca torce o rabo”. Para além da “pasta” cheia de papéis que António José Seguro levou para entregar ao entrevistador na semana passada, numa tentativa de jogada “à lá Sócrates”, alguém conhece alguma medida do PS que não seja a de contestar as medidas do Governo, de apresentar linhas de crédito para tudo e mais alguma coisa (chegando a pedir linha de crédito para IPSS quando uma linha de 150 milhões de euros já está no terreno há dois meses) ou de pedir impostos sobre PPP que sabe que são impossíveis de aplicar sem indemnizações brutais aos privados em face dos contratos blindados que o Governo Socialista realizou?

Não, ninguém conhece.

Mas alguns socialistas riem-se e dizem que, apesar disso, já estão na frente das sondagens. António José Seguro, o líder socialista, diz com a maior desfaçatez perante as câmaras de televisão que o que interessa é o futuro. Que não interessa nada ter pertencido à maioria de suporte de Governo de José Sócrates e pergunta mesmo: “o que interessa estar aqui a falar do passado?”.

Sinceramente, ninguém está contente com as medidas de austeridade impostas ao País. Não estou eu. Não está o leitor. Não estão os mInistros. Não estão os deputados. Não estão os trabalhadores. Não estão os empresários. Ninguém. Porque são medidas duras. Que entram em todas as nossas casas. Mas que são medidas que se destinam a um só objetivo – ganhar Portugal.

Uma coisa vos garanto. Apesar de não estar contente com estas medidas, aceito-as na perspetiva de que os meus filhos precisam de um futuro real. Um futuro onde não se lhes venda ilusões. Um futuro onde não se lhes diga que podem viver sem se esforçarem e onde o mérito fica para segundo plano.

Aceito sacrificar-me em honra deste objetivo: Reconquistar Portugal. É esse o objetivo que este Governo tenta alcançar, mais do que nas palavras. Os resultados dos juros da dívida demonstram isso mesmo. A credibilidade internacional assim o dita. O facto de ninguém nos comparar com a Grécia, assim o esclarece. A balança comercial assim o transmite.

Custa. Eu sei. Sai-nos do lombo. Pois sai. Mas sei que quero ouvir um dia: “obrigado Pai”. E nesse dia não haverá sacrifício nenhum que me venha a memória, vos garanto. Porque sei que o meu sacrifício valeu a pena, porque havia um fundo com luz. Com luz solar e não luz de uma lanterna como alguns nos tentam vender, apesar de saberem que foram eles que deitaram fora as pilhas…

Só espero que os portugueses nunca mais se iludam… A bem de todos nós. A bem da nossa histórica e invencível nação.

Até para a semana

Rui Barreira
(escreve às quintas-feiras)

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