UMA VISÃO DIREITA – “Os políticos…”

Os políticos…

Como certamente já verificou o leitor, tenho neste meu pequeno espaço falado variadíssimas vezes em futuro e numa sociedade diferente para os nossos filhos. Certamente que tenho abordado a questão do meu ponto de vista e sei que muitos dos leitores terão uma visão diferente. No entanto apesar de pensarmos diferente, todos nós queremos o mesmo. Um mundo melhor para as novas gerações. Um futuro onde o que os envolve permita que vivam ainda melhor que nós, numa sociedade com valores e princípios éticos e onde estes desempenhem um alto “cargo” na hierarquia do Estado.

Vem isto em função da nossa sociedade actual, que vive num dilema de valores e que cavalga muitas daquelas que querem que sejam as suas certezas: certeza de que os políticos são todos uns malfeitores, uns corruptos, que só vivem para se autogovernarem, que só querem o “poleiro” e que a partir desse momento se desinteressam pelas pessoas, que só querem “tachos”. Que nem querem saber das dificuldades do seu povo, que nascem, sobem na vida e têm sucesso em função dos “encostos” que conseguem, sendo uns incompetentes de primeira, que apenas valem pelo seu cartão partidário.

Permitam-me desde já que faça a minha declaração de interesse para quem não me conhece: eu, Rui Barreira, sou político. E sendo político, tendo muitos amigos políticos, tendo muitos conhecidos políticos e conhecendo muitos mais políticos, não posso deixar de manifestar o quanto me desagrada ouvir uma generalização como a que é feita hoje em dia.

Se a classe política nunca foi bem vista pelos portugueses, hoje que são tomadas medidas muito difíceis, os políticos estão na mira fácil dos insultos. E, sinceramente, como é fácil fazer demagogia com a vida dos políticos. Com o que estes ganham e os privilégios que têm. E digo isto em função de determinados emails que passam de caixa em caixa do correio, dando conta que os deputados têm direito a carro, motorista, despesas de viagem, reformas douradas após 8 anos, telefones, subsídio de férias e natal, etc, etc, quando tal não corresponde efectivamente à verdade. Em nada. Há mesmo uma petição para alterar a Constituição, de forma a retirar as regalias que referi dos políticos e dos deputados, quando elas efectivamente não existem, tal é a facilidade com que diz o que se apetece.

Hoje, o político, é visto como o caixote do lixo, onde tudo cabe e que pode e deve ser saco de pancada para que toda a gente deposite as suas frustrações e até as suas tristezas. E terão, algumas, certamente razões para estarem com certo e determinado estado de alma. O que não se pode é destruir a honra de uma determinada pessoa apenas e só porque é político. E vai desde o político militante de base e que até apenas foi candidato à junta de freguesia seguindo por aí acima até ao deputado, ministro, etc, etc. Hoje são todos os que nos governam.

E se eu até percebo que é mais fácil encontrar o culpado em alguém que nos Governa, quando por vezes precisamos de justificar alguns fracassos, tal já não percebo que se generalize, que não se tenha uma análise sobre as pessoas e que se deixem pessoas com alguma formação, que a coberto de um qualquer manto sindical ou associativo, insultem barbaramente os políticos atuais.

O pior é que insultem os de hoje, que são obrigados a tomar medidas de inversão do défice financeiro português em virtude do memorando da troika e de forma a dar um futuro a Portugal, mas também por outro lado se insultem os anteriores, que faziam bem em dar tudo o que podiam e o que não podiam, e ao mesmo tempo terem atingido um défice colossal. Muitos até já têm saudades do anterior, já que estes, os de hoje, é que são os verdadeiros “malandros” como já ouvi da boca de muita gente.

Não. Rejeito os insultos aos políticos na sua generalidade. Se alguns existem, como em todas as profissões e numa minoria, muitos mais são os que trabalham e dão o seu melhor para transformar Portugal num País com futuro e que não esquecem nunca das pessoas. Eu sou político. Eu não me esqueço das pessoas e é para elas e para uma sociedade melhor que trabalho há vinte anos. Uma sociedade onde quero que os meus filhos vivam em liberdade e com visão de futuro. E como eu a quase totalidade dos que conheço.

Porque a crítica fácil, populista e para os média, é o que melhor vende. Ainda há dias assistia a uma manifestação em frente ao palácio de Belém, em que uma mãe havia levado três filhas para essa mesma manifestação. Questionada a filha mais velha, com 10 anos, sobre o que fazia ali, dizia ela que estava ali para se manifestar, porque eles têm tudo e outros não têm nada, sem mais. Porque têm, como foi a sua vida, se trabalha, etc, etc. Mas essa mãe não se coibiu de levar as suas filhas para uma manifestação de insulto aos políticos, apenas porque sim. Porque eles têm mais do que ela. Como se quem tem mais do que eu não tivesse direito de ter mais do que eu, se efectivamente teve mais capacidade do que eu ou se efectivamente teve uma oportunidade em determinado momento que agarrou. Como se o ter derivasse de qualquer crime. Como se o ter se veja pelo uso do fato e gravata.

Ora, isto é um pouco do sentimento que grassa na população portuguesa. Criticar os políticos é hoje o desporto nacional. Tiro ao político, independentemente de quem seja, do que faça, da sua competência. Os políticos estão aí… à mão de semear.

Eu, enquanto político, não me importo que ponham em causa a forma como faço política, as minhas opções, as minhas decisões. Isso eu compreendo e aceito. O que não aceito é que todos sejamos alvos de insultos, desde ladrões, a gatunos, a vigaristas, a corruptos, tachistas, pelo simples facto de ser político.

A Honra das pessoas é algo de muito sério. Muitas destas pessoas dão o seu melhor para um País melhor. Sendo eu político e fazendo-se as acusações para todos políticos em geral, não posso deixar de me indignar. Não sou, não fui, nem acompanho (e são muitos) ladrões, nem corruptos, nem vigaristas. São pessoas de bem, que dão tudo o que sabem em prol da sociedade. Por isso mesmo não aceito que certas pessoas ataquem de forma tão leviana pessoas que têm família, que têm filhos, que têm uma vida social digna, honrada e de trabalho e que por apenas terem optado por ser políticos em determinada altura da sua vida têm de ser a sua honra na lama.

Desculpem-me, mas fico indignado.

Porque quem não se sente, não é filho de boa gente. E eu sou…

Até para a semana.

Rui Barreira
(escreve às quintas-feiras)

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