Uma Visão Direita: Meio copo… para que meio olhar?

Caro leitor,

Hoje resolvi falar sobre o meio copo. A velha questão do copo meio cheio ou do copo meio vazio. Pretendo acima de tudo, com esta metáfora, dar a minha opinião sobre a visão que dá a comunicação social sobre determinadas situações da vida pública e a forma como cavalga certas notícias. Eu sei que a comunicação social mostra aquilo que o leitor quer ler. No entanto tem a obrigação de esclarecer, de informar, de avisar e, penso eu, acima de tudo, de olhar para os valores da sociedade e informar rigorosamente quando estes valores são ameaçados e postos em causa.

Comecemos pelo caso da denominada Lista VIP. Encontramos o cavalgar de um Presidente de um sindicato (que foi candidato a deputado pelo círculo de Braga pelo Bloco de Esquerda nas últimas legislativas (mais um que explica porque o Bloco de Esquerda deixou de ter o seu deputado em Braga) e que por sua vez também foi apoiante de António Costa nas eleições primárias do Partido Socialista), ao estilo do bloco, acusando tudo e todos, pedindo a demissão do Secretário de Estado Paulo Núncio porque havia testemunhas de que havia sido o Secretário de Estado a entregar a denominada lista VIP. Até hoje essas testemunhas não apareceram, nem aparecerão, pois não existem.

E, convenhamos, entre a existência de uma lista VIP ou não existência de lista VIP, entre a participação do Secretario de Estado na eventual lista ou não conhecimento da lista pelo mesmo governante, esquece-se e distrai-se os portugueses com a parte mais importante de tudo o que está por detrás de uma situação destas e que atualmente muitos não pretendem saber porque já nem querem ser esclarecidos. E também sabemos porque os partidos da oposição fazem tanto ruído à volta desta questão: para que não se esclareça a verdade, verdadinha, ou seja, a denominada lista VIP não traz qualquer vantagem aos cidadãos aí eventualmente constantes, nem significa qualquer benefício ou ganho para qualquer das pessoas que eventualmente possam integrar uma qualquer lista destas, PONTO FINAL

E o que não se diz com clareza, frontalidade e não se desvaloriza é esta verdade absoluta. As pessoas aí incluídas, a existir a lista, não são beneficiadas em absolutamente nada. Não pagarão menos impostos, não gozarão de benefícios fiscais, não terão qualquer atenção especial pelo fisco para o pagamento das contribuições, nem sequer gozarão de isenções de coimas, nem coisa que o valha. 

Sejamos sérios. A existir uma lista com nomes de pessoas, esta mesma só terá como objetivo: evitar a coscuvilhice da vida de contribuintes por parte de quem tem acesso privilegiado à informação, criando um sistema de alerta às chefias sobre a consulta da vida fiscal de qualquer dos contribuintes aí constantes e que tem caráter sigiloso.

Ora aqui está. O que tem de relevante esta informação da eventual lista e que, de alguma forma, se pode distinguir é o facto de constarem apenas nomes de pessoas com alguma relevância pública e que por isso mais susceptíveis de serem vasculhados na sua carreira e vida fiscal. E tanto assim é, que existiram cerca de 120 consultas ao perfil fiscal do Primeiro Ministro e sendo certo que destas 120, 70 já confirmaram que o fizeram apenas por pura curiosidade.

E é aqui que se entronca a questão. A questão é que o que deveria ser valorizado era o facto de existir violações a informação sigilosa dos contribuintes. E isto tanto é válido para o Primeiro Ministro, como para mim, como para qualquer português. E é por isso que esses dados se consideram e devem manter sigilosos e que a sua visualização que não para qualquer situação legítima deverá ser severamente punida, porque a devassa da vida privada é crime.

E se assim é, afinal qual é o grande crime de lesa pátria da eventual existência de uma lista de pessoas com registo de aviso quando as mesmas estivessem a ser “vasculhadas” para efeitos legais ou ilegais, de forma a se poder avaliar o porquê dessa avaliação? 

Nenhum, absolutamente nenhum… sejamos rigorosos. O que poderá e deverá acontecer, é que se estude o alargamento de um sistema semelhante para todos os contribuintes e que poderia acontecer a qualquer momento. Porque de resto, existe alguma lesão dos direitos do Estado ou da Administração Pública a existir uma lista de pessoas que certamente serão mais “vasculhadas” do que outras é apenas para alertar os controladores que existe uma busca? 

Absolutamente nenhuma. Nem a eventual lista de contribuintes sequer ofende quem quer que seja. Apenas se tratariam de nomes, de potenciais pessoas mais apetecíveis do ponto de vista da “coscuvilhice” alheia a que nos habitua certa sociedade.

Digamos, em abono da verdade, que ainda há quem aponte o dedo à abertura de processos disciplinares aos colaboradores que acederam por curiosidade à vida fiscal do Primeiro Ministro, como se alguma forma isto não fosse um comportamento grave e de devassa da vida exclusivamente privada do primeiro ministro.

 E ainda não vi ninguém, desde toda a esquerda a acabar nos órgãos de comunicação social, a comentar de forma bastante negativa esta devassa da vida privada de um cidadão. Porque hoje podem estar a “coscuvilhar” a nossa vida, só porque sim. E quando digo nossa, digo a minha e de qualquer leitor, o que de certa forma deveria merecer total censura e repulsa de toda a sociedade.

A tendência da esquerda é fazer olhar para o meio copo do populismo, da criação de uma denominação de lista VIP que logo dá ideia de benefícios indevidos aos importantes e poderosos. 

A tendência de uma sociedade exigente e séria, seria a de esclarecer qual o fundamento de uma eventual lista e a que se destina, em vez de tentar criar a ilusão de existência de benefícios e/ou existência de contribuintes de primeira e de segunda. Deveria exigir a criação de um mecanismo semelhante para todos os restantes contribuintes e, por final, deveria condenar a consulta ilegal da vida fiscal de qualquer contribuinte.

Mas não. Os Sindicatos condenam o Estado que abre processos disciplinares aos funcionários que andam a coscuvilhar por curiosidade a vida dos outros. Os partidos da extrema esquerda, acompanham os sindicatos, ou não fossem muitos deles as mesmas pessoas. O PS embarca no barco, porque não quer a verdade para as pessoas, mas antes uma campanha de casos, ainda que sem sentido.

A comunicação social apanha e noticia hora a hora esta situação, porque vende e porque as pessoas compram.

E os valores mais altos de uma sociedade ficam para segundas núpcias.

Por mim eu sei que parte do copo eu escolho. E tenho a certeza que a maioria silenciosa dos portugueses também, ou pelo menos quero crer.

A assim não ser, realmente, estaremos numa sociedade perdida de valores. E sinceramente, ainda não estou pronto para acreditar nisso.

Até para a semana,

Rui Barreira

Rui Barreira
Rui Barreira

 

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