UMA VISÃO DIREITA: “É tempo de Natal…”

É tempo de Natal…

Aproxima-se o fim do ano 2012. Um ano que foi difícil para todos. Um ano em que finalmente paramos para refletir sobre o modelo de desenvolvimento social e económico que o país adotou nas últimas décadas e que nos levou ao estado que todos conhecemos.

E com o fim do ano vem o advento e o Natal.

Este é um tempo especial, um tempo que, além da reflexão, nos propõe a oportunidade de introspeção. Quero com isto dizer que é uma oportunidade de nos questionarmos sobre as nossas próprias atitudes e comportamentos e sobre o significado do Natal para cada um de nós.

Fui criado no seio de uma família tradicional, num tempo em que o centro das atenções era o presépio e quem trazia os presentes era o menino Jesus.

Era um tempo em que não se sentia o bombardeamento do apelo ao consumismo e que os momentos de reencontro familiar, no conforto do lar e dos maravilhosos doces habituais da época festiva eram feitos na cozinha da avó, donde vinham inebriantes aromas a limão, canela e mel, enchiam a alma de todos enquanto as crianças divertidas jogavam ao rapa com pinhões.

E era o suficiente para ser feliz.

Hoje, na azáfama do trabalho e no stress das compras, dou por mim muitas vezes a pensar o quanto necessitamos de fazer um regresso à essência do Natal, à alegria das coisas simples, sinceras e puras.

O Natal é tempo de fé, esperança e salvação. É tempo de partilha.

Há muitas coisas que me orgulham de ser português e a solidariedade é, sem dúvida, uma delas.

Chamados a partilhar, os portugueses são em geral muito solidários. Prova disso são os resultados das muitas campanhas de angariação de fundos e géneros (alimentares, vestuário, brinquedos, produtos de higiene, etc.) promovidas por associações e instituições de solidariedade social para proporcionar aos mais desfavorecidos um Natal um pouco mais feliz.

Mas muitos são também os portugueses que exprimem essa solidariedade de forma ainda mais profunda, através da participação ativa na comunidade a que pertencem, dando o seu tempo a ações de voluntariado, da integração em movimentos paroquiais de jovens, ou do apoio discreto e silencioso ao vizinho, colega ou amigo em dificuldade.

Aí reside a força da coesão social numa sociedade frequentemente apelidada de consumista, egoísta e individualista.

Mas sabe quem a pratica que a atitude de dar é muito mais gratificante do que a de receber. E quando o que se recebe é o sorriso sincero de quem nada mais tem para dar, esse é o melhor presente do mundo porque é verdadeiro e genuíno.

E assim se vive o Natal, sempre que o homem quiser…

Tal como a Estrela do Oriente indicou o caminho para o salvador, acredito que uma estrela ilumina também o nosso caminho. Um caminho de fé e esperança num mundo melhor para os nossos filhos. Um caminho que tem percalços e encruzilhadas. Um caminho que nos obriga a fazer opções. Um caminho que ninguém pode percorrer por nós, mas que podemos percorrer juntos.

Será menos difícil e será mais Natal.

Partilho as palavras da canção que diziam em jeito de oração:

É Natal, poucas horas somente,

que juntas são um dia, um dia diferente;

É Natal, ó Deus que me escutais

fazei que os outros dias

sejam todos Natais.

 

Caro leitor, votos de um Santo e Feliz Natal!

Até para a semana,

Rui Barreira
(escreve às quintas-feiras)
 

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