Uma Visão Direita: “E propostas para o País? Haverá aí alguma?”

pedro passos coelho gabardine

Toda esta semana foi controlada pela polémica em volta das contribuições prescritas do Primeiro-Ministro e pagas por este, voluntariamente, à segurança social.

E durante toda a semana muito fomos ouvindo, desde pessoas anónimas aos ilustres comentadores televisivos e até ao mais alto magistrado da nação, o Sr. Presidente da República.

Não quererei entrar na questão técnica, até pelo facto de exercer as funções que exerço. Mas analisarei aqui a abordagem que foi feita pelos media, pelos partidos políticos e pelo público em geral.

Comecemos pelo próprio: Pedro Passos Coelho. Assumiu sem rodeios a sua situação. Deu o peito às balas. Respondeu a todas as questões. Em todos os locais onde foi abordado pelos jornalistas. Em nenhum momento se escondeu. Nem sequer se apresentou com cara de zangado, comunicando aos jornalistas que se tratava de um caso encerrado porque lhe era incómodo, como fez António Costa relativamente às suas palavras perante investidores chineses.

Certo é que estas duas posturas têm tratamento diferente da comunicação social. Costa falou, nunca mais ninguém teve coragem de o abordar sobre o assunto que o incomoda. Passos tem postura de esclarecimento, mas a imprensa não se incomoda de lhe fazer exatamente as mesmas perguntas, todas as horas e minutos do dia apenas porque interessa cavalgar a notícia. Pois, pelo que se sabe, pouco há a anunciar de mau para o País que seja notícia nos tempos que correm. É, os números positivos começam a abundar e há que arranjar assunto para falar, ainda que ressuscitando casos antigos que convém levantar no momento chave das sondagens.

Mas o Primeiro-Ministro também falhou, na minha opinião. Falhou quando no seu discurso faz referência indireta a Sócrates. Não o deveria ter feito, porque a questão era do seu foro pessoal e deveria ter permanecido nesse campo pelo próprio PPC, ainda que em nenhum momento tivesse referido expressamente o caso de Sócrates. E esse foi o único momento em que PPC, em toda esta fase de esclarecimento do processo, não esteve bem.

Quanto aos partidos políticos, O Bloco de Esquerda comentou esta questão ao seu nível: muito baixo. Não sabendo o que fazer para convencer os portugueses nesta pré-campanha, até porque os amigos do SYRIZA não ajudam com os seus atos, Catarina Martins opta pelo estilo insultuoso da política de caserna que utiliza sempre, chamando Caloteiro ao Primeiro-Ministro do seu País. Não que seja de admirar esta postura. Mas de admirar é que nenhum comentador deste País tenha a coragem de o denunciar publicamente. Talvez por medo de que possam ser as próximas vítimas deste tipo de fazer política. Da minha parte aqui fica o reparo: simplesmente vergonhosa a utilização deste tipo de linguagem, que os portugueses, também eles, já vão repudiando nas urnas.

O PCP está ao nível a que nos habituou. Aproveitando politicamente a questão, surfando em cima da onda, vai tentando fazer render a questão política e fala já no irregular funcionamento das instituições, como é seu hábito. Pretende eleições antecipadas, motivado pelas sondagens e pelo facto de saber que os resultados macro-económicos  do País não são favoráveis à sua forma de fazer política.

E o Partido Socialista? O PS sente-se amarrado.

Nesta análise de questões pessoais o PS tem sempre uma dupla condição: a de atacante feroz de qualquer questiúncula pessoal relacionada com os seus adversários políticos e a de vitimização em caso de utilização política de qualquer questiúncula pessoal dos seus membros por parte dos seus adversários políticos. Relembro o feroz ataque a Paulo Portas e o insistente pedido de demissão do então Ministro da Defesa, quando Paulo Portas foi, apenas, testemunha no processo, naquele que era denominado “caso Universidade Moderna”. E relembro a forma como reagiram aos partidos da extrema esquerda (a quem se juntam quando na oposição) quando estes atacavam José Sócrates com as várias questões surgidas durante os seus mandatos.

E é por isso que hoje o Partido Socialista vive amarrado. Por um lado surfa a onda das questões ao Primeiro-Ministro, tentando manter o assunto na crista da onda, de forma a que não se fale nas declarações de António Costa. Por outro lado falta-lhe a coragem para pedir eleições antecipadas como tantas vezes pediu nesta legislatura. Primeiro porque as sondagens não são aquelas prometidas pelo novo líder. Depois porque têm a questão da prisão preventiva de José Sócrates, que para o efeito, não dá mesmo jeito nenhum.

Mas vejamos agora a diferença dos tempos do Governo do Partido Socialista e o atual?

Na altura, os media não lhe perguntavam nada. Falava-se, discutia-se na praça pública, mas ninguém questionava José Sócrates.

Toda e qualquer pergunta posterior ao mais pequeno esclarecimento do chefe do Governo, era alvo de olhar mortífero e, quem sabe, de um telefonema. Nem comentadores, nem comentários. E os partidos da atual maioria, honra lhes seja feita, nunca andaram na luta da lama.

Agora é diferente. Todos têm perguntas a fazer a todo e a qualquer momento, e os jornais publicam. As televisões têm programas só de perguntas e questões de esclarecimento à vida privada do Primeiro-Ministro e as rádios fazem fóruns para se ouvir as pessoas falar sobre o que pensam das perguntas feitas ao Primeiro-ministro.

As respostas, os esclarecimentos, nada interessam. O que interessa são as dúvidas, não as respostas a essas mesmas dúvidas. Alguém ainda se lembra que, afinal, essa dívida foi paga? Afinal o homem até foi alvo de execuções fiscais, as quais pagou, com multa e juros, mas alguém fala nisso?

Isso não interessa nada. Porque os que mais apontam o dedo são exatamente aqueles que se atiram às notificações em massa do Fisco e da Segurança Social aos devedores, que afinal até nem sabiam que tinham essa dívida, pois nunca haviam sido notificados para o seu pagamento.

E muitos deles até com responsabilidades governativas nessas áreas. Mas que interessa isso agora? Afinal até já nem se lembram que estiveram no Governo…

Assim vai a pré-campanha. Muitas situações destas estarão na calha e muitas delas preparadas para aparecer agora. Porque a lama, ainda vende muito neste País.

E propostas para o País? Haverá para aí alguma?

Até para a semana.

Rui Barreira

Rui Barreira
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