UMA VISÃO DIREITA: “Direito e liberdade… Deveres e obrigações…”

Direito e liberdade… Deveres e obrigações…

Dia 14 de Novembro de 2012. Dia em que completei 40 anos de idade e dia de greve geral em Portugal, de distúrbios em frente à Assembleia da República e dia em que Portugal, finalmente como queriam alguns, foi notícia em todo mundo pela desordem, pela violência, pela marginalidade e delinquência.

Naturalmente que fui trabalhar. Sempre o fiz em dia de aniversário e mais o teria que fazer em dia de greve.

Como quem me conhece bem já sabe, sou anti-greve da forma como ela é organizada pelos sindicatos em Portugal. Nada tenho contra as pessoas que se manifestam fazendo greve, exercendo um direito. Tudo tenho contra as pessoas que, fazendo greve, obrigam outros a fazer greve. Que sacrificam a vida das outras pessoas em prol de números, do seu próprio interesse e em nome de uma visão distorcida sobre o direito de greve.

Como é compreensível que quem queira ir trabalhar, não o possa fazer, porque não se cumprem os serviços mínimos nos transportes e ainda se defendam estas posições?

Que democracia é esta que umas pessoas decidem por outras o que elas podem ou não fazer, retirando-lhes os únicos meios que estes têm para aceder ao seu trabalho e ainda possam dizer que são “danos colaterais” de um greve? Sim, porque muita gente não compareceu no seu local de trabalho porque não teve transporte público, ora porque os seus trabalhadores eram grevistas, ora porque junto das centrais de camionagem se encontravam alguns paladinos da democracia que não permitiam que os que não faziam greve trabalhassem, ameaçando com destruição as camionetas, como me transmitiu uma amigo que trabalha no ramo.

E estas pessoas que mesmo não querendo aderir à greve, por qualquer motivo, ficarão sem a remuneração do dia de trabalho, que culpa têm??? Aí a defesa do interesse do trabalhador e o seu direito ao trabalho não tem de ser defendido?

Não, pelos vistos não tem mesmo. Porque em Portugal acha-se normal a existência de “piquetes de greve” quando a sua única função é impedir que aqueles que não querem fazer greve, no uso do seu direito, o sejam compelidos a fazer ou ameaçados para o fazerem.

O exercício do direito à greve é individual e livre. Quem quer fazer greve, simplesmente decide não trabalhar e não comparece no local de trabalho. Não precisa de “piquetes” para os “ajudar” a decidir.

Se calhar é por isso que não há nenhuma convocatória de greve com os trabalhadores no local de trabalho, parando a cada hora por um período de quinze minutos. Porque é que em Portugal não se convocam greves de sobreprodução, em que as pessoas naquele dia produzem mais do que o normal?

Estas também são formas de greve… Mas estas não interessam. Porque greve, para os sindicatos portugueses, é também sinónimo de prejuízos, ainda que para aqueles que os grevistas dizem defender.

Se a greve é um direito, este direito tem de ceder quando colide com a liberdade de outrém. E essa liberdade, no meu ponto de vista, não tem sido acautelada e são inúmeras as pessoas que têm sido prejudicados sem que ninguém lhes dê a devida atenção. A quantas pessoas um dia de remuneração não fará diferença? A muitas com certeza. E bastantes são as que foram “obrigadas” à greve sem o desejarem, sem que ninguém levante a sua voz por elas ou lhes consiga devolver esse dinheiro.

Mas das portas da Assembleia da República chegaram-nos as imagens que envergonham Portugal, os Portugueses e de entre os quais a maioria silenciosa dos trabalhadores. Energúmenos, de cara tapada, arrancaram durante hora e meia pedras da calçada, arremessando-as às forças de segurança, numa clara e inequívoca provocação a estes mesmos agentes. Pedras e mais pedras, petardos, garrafas e tudo o mais que estivesse à mão foi arremessado em direcção aos agentes de segurança, que protegiam a casa da democracia.

Estas forças de segurança aguentaram heroicamente durante hora e meia em que tudo permitiram e até tudo ouviram… Permitiram, até, que os manifestantes procedessem à destruição de património público sem intervir, numa tentativa clara de evitar confrontos. Até que avisaram uma, duas e três vezes para as pessoas pudessem dispersar, comunicando que iam avançar para repor a ordem…

Tudo se manteve e os agentes de segurança intervieram no sentido da reposição da ordem, com firmeza e determinação. Para que se saiba que em Portugal o Estado democrático tem quem o defenda de energúmenos de cara tapada e outros que os acompanhavam.

Como eu já esperava, na comunicação social e nas redes sociais começaria uma cruzada de defesa dos “inocentes” e ataque às forças de segurança. Os média, desde logo apresentando a notícia como “uma carga polícia”, o Bastonário da Ordem dos Advogados em mais uma intervenção lamentável e politizada, e muitos outros, começaram a defender os supostos “inocentes”, que “supostamente” teriam levado umas bastonadas sem nada terem feito, condenando a intervenção da polícia, numa colecção de imagens que deram um “belo” efeito nas televisões internacionais, prejudicando a imagem do País.

Quem levou, era porque lá estava mesmo depois do aviso da Polícia e sabia bem o que ia acontecer. Quem levou e foi detido, não foi porque estava a trabalhar, mas antes porque ajudava à “festa”. Os verdadeiros inocentes, esses, ou não estavam lá ou quando verificaram o que pretendiam os encapuzados, puseram-se a andar porque não faziam parte da “claque”.

E lamento o facto de tudo isto correr o mundo, dando uma ideia errada do povo português, da sua educação, da sua cultura e do seu civismo. Estes são delinquentes que mereceram todas e qualquer uma das bastonadas. E mereciam mais ainda. Mereciam ser condenados a repor as pedras da calçada que arrancaram, a repor os caixotes do lixo e os ecopontos que queimaram e a pagar tudo o que destruíram.

Pena que os tribunais, em anteriores situações, tenham sido tão leves e levianos na condenação dos autores de desacatos semelhantes. 15 horas de trabalho comunitário sem julgamento, demonstra impunidade. E normalmente quando se sente a impunidade, dá nisto…

Até para a semana…

Rui Barreira
(escreve às quintas-feiras)

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