Uma Visão Direita: “Cavaco Silva deu uma lição”

Caro leitor,

Confesso que ando há uns dias para escrever sobre a situação política portuguesa, mas que tenho adiado à espera de algumas definições.

Uma delas foi concretizada ontem, com a decisão de Cavaco Silva em indigitar Pedro Passos Coelho como 1.º Ministro, como não poderia deixar de ser. Pedro Passos Coelho ganhou as eleições, foi escolhido pelos portugueses para 1.º Ministro e tudo o resto que se diga em contrário só pode ter uma leitura: descaramento.

E pouco mais digo relativamente à questão de quem deve e quem tem de governar. É ética, é democracia, é postura de estado. É tudo aquilo que normalmente a esquerda não tem nestes momentos de assalto ao poder, como tão bem nos recorda o golpe de Estado Constitucional perpetuado por Jorge Sampaio em 2005.

Cavaco Silva deu uma lição. Deu uma lição de Estadismo e de preocupação com o futuro dos portugueses, que outros não querem nem ouvir. A imagem internacional. Os nossos credores. A consistência enquanto País. As repercussões na Economia e na vida das famílias. Os mercados.

Mas se Cavaco Silva se mostrou preocupado com isto tudo, outros só ouviram o que quiseram. E hoje o discurso de Cavaco é o rastilho que procuravam para a unidade do PS. Agora dizem que o discurso de Cavaco Silva foi o motivo para mudar de opinião, pois ele atacou o PS e os juntou. Como se o discurso de Cavaco Silva tivesse mudado ou alterado radicalmente a matriz ideológica do PCP, a irresponsabilidade e matriz do Bloco de Esquerda ou o caráter de António Costa.

E isso é algo que não se muda com discursos.

Sim, porque António Costa já o demonstra desde a Faculdade. Desde o dia em que perdeu as eleições para a Associação de Estudantes da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa e ameaçou que não entregava as instalações da associação, pois tinha capangas que não permitiriam a entrada dos vencedores.

Sim, com o tapete que tirou a António José Seguro, com a sua certeza e afirmação perentória (e a dos que o acompanham) de uma grande vitória do Partido Socialista nas eleições legislativas de 4 de Outubro, pois o povo, esse, o que vota e que decide, ainda que sem votar, já havia decidido escorraçar o Governo em funções e dar-lhe uma derrota humilhante. Previa-se que ao tirar o tapete a António José Seguro o homem ascenderia ao Olimpo de S. Bento, até onde o povo português o transportaria num andor, gritando e aclamando o salvador da pátria.

A forma como apeou Seguro após a vitória por “poucochinho” nas Europeias e Autárquicas, mostraram-nos o homem ambicioso que sempre conhecemos, mas também nos elucidou quanto ao que para si e para os seus poderia valer para ascender ao poder.

O PS ficou partido e vimos o que os defensores de Seguro então diziam sobre Costa. O próprio Seguro antecipou e conhecia o caráter de Costa e assim disse a 22 de Setembro de 2014 aquando da campanha para as primárias:

“Desta vez é a sério pela mudança, contra os interesses instalados” e continuando, pasmem-se, o homem já adivinhava o que aí vinha: “Estão aqui mais de mil respostas ao nosso adversário, que já fala em vitória antes do tempo. Que já se via à janela de São Bento a olhar para Belém, mas com um pé na Câmara de Lisboa e outro no Largo do Rato (…). Em democracia não há vitórias antecipadas, porque é o povo que decide quem ganha” (in Público).

Pois, ele conhecia bem o homem. E Seguro tinha razão. O homem já se via lá e não consegue deixar de se ver ainda que o povo tenha decidido contra a sua vontade.

Perigoso, sem vergonha e sem olhar a meios para atingir os fins que o seu ego exige, Costa continua, até porque não é para qualquer um o descaramento de querer ser Primeiro-Ministro após estrondosa derrota eleitoral, apesar de prometer goleada aos seus amigos socialistas.

Ainda assim continua. Ele é diferente. Nem desplante, nem ganância cega lhe faltam até conseguir raptar o cargo de Primeiro-Ministro.

Mas a história não acaba em António Costa. Porque se Costa assim se comporta, agora é secundado por todo um partido, que também ele se põe ao seu lado. É isso mesmo, meu caro leitor. A declaração da comissão política nacional do PS não deixa margem para dúvidas. Estão por tudo. O que interessa é o poder. Ainda que contra a vontade expressa pelo povo.

E os exemplos são imensos. Reparem bem quem reagiu ontem à declaração de Cavaco Silva por parte do PS? João Soares. Esse mesmo. O filho de Mário Soares e apoiante de Seguro nas últimas primárias do PS.

E porque refiro João Soares? Fácil. Vejam o que dizia João Soares nessa mesma noite de 22 de Outubro de 2014, nesse mesmo jantar de apoiantes de Seguro atrás referido?

“Por alguma razão, tantos daqueles que infelizmente conhecemos que estão envolvidos em negócios (alguns deles bem vultuosos) encontram-se entre aqueles que se nos opõem. Há de facto, temos de reconhecer – e eles têm de reconhecer – um centrão dos negócios em Portugal. É contra esse centrão dos negócios que António José Seguro avança”; e continuava: “António Costa cometeu uma profunda deslealdade ao abrir uma crise interna após duas vitórias eleitorais do PS e que violou o pacto que assinara com o secretário-geral em 2012.”

É, meu caro leitor, e o que disse ontem João Soares após a indigitação de Passos Coelho por Cavaco Silva?

Lamentou a intervenção de Cavaco Silva, considerando que só “introduz mais confusão num processo que devia ser claro” e que “é particularmente estranho e lamentável que o Presidente da República tenha indigitado alguém que não tem condições para uma solução estável e duradoura, só proporcionada por um entendimento entre PS, BE e PCP”.

É assim meu caro leitor. Admirado? Claro que não ou não fosse filho de quem é. Traduzindo, João Soares defende a entrada no Governo, como Primeiro-Ministro, do homem que afirmou que fazia parte do centrão dos negócios e que dizia ser um homem desleal, apesar de ter perdido as eleições.

É esta gente que quer voltar às rédeas do nosso País. Estes em conjunto com os admiradores e seguidores do SYRYZA, aliados aos admiradores e apoiantes da “democracia” da Coreia do Norte, que se estão borrifando para o voto popular que entendeu democraticamente que a coligação PSD/CDS deveria governar Portugal.

Por sobrevivência política de um homem que apenas se preocupa consigo e com os seus e para quem Portugal e os portugueses são meros instrumentos, o país passará por momentos difíceis.

Por Portugal, eu estou pronto. Não posso assistir a golpes destes serenamente. Se alguma réstia de esperança ainda tenho que os meus filhos ainda possam ter futuro neste País…

Eles e muitos outros…

Rui Barreira

Rui Barreira
Rui Barreira

 

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