Uma Visão Direita: Carta ao PM. “Defender Portugal e os Portugueses, é a sua missão”

Respondendo ao desafio que me volta a ser lançado pelo Diretor da Globalnews.pt, volto a escrever a minha crônica semanal com toda a frontalidade e transparência com que gosto de explanar as minha ideias.

Esta semana não posso escapar ao tema do momento: a Grécia, a carta dos 32 ao Primeiro-ministro e a posição portuguesa na União Europeia em relação à Grécia.

Deixem-me que vos digo que estou de acordo com a tomada de posição do Primeiro-ministro Português em todo este processo. Sim, porque não basta dizer-se que se tem um nome conhecido, que assinam pessoas de vários quadrantes políticos e atirarem-se meia dúzia de frases feitas para um papel, para que a razão lhes assista. Falo obviamente da carta aberta ao Primeiro-ministro em que lhe pedem simpatia e solidariedade com a Grécia, o que na verdade representa estar ao lado do SYRIZA nas suas reivindicações e na sua pressão sobre a Europa.

E afinal o que pretende o novo Governo Grego? Pretendem que respeitemos a escolha do povo grego, que significa que apesar de terem uma dívida de cerca de 175% do PIB, apesar de terem uma economia em recessão, que apesar de terem beneficiado de dois resgates (empréstimos) por parte da Troika, que apesar de terem beneficiado de um perdão de dívida de 100 mim milhões de euros (mais 28 mil milhões de euros do que o resgate total pedido por Portugal), que apesar de tudo isto, quererem continuar com tudo na mesma.

Ou seja, querem continuar a reformar, por velhice (e por isso sem qualquer penalização), as cabeleireiras aos 55 anos, por se tratar de profissão de desgaste rápido. Querem subir o salário mínimo até aos 781€. Querem continuar a ter uma máquina fiscal deficiente, onde a fraude e evasão fiscal é das piores da União Europeia. Querem fazer investimentos públicos de 11 mil milhões de euros. Querem empréstimo de dinheiro sem contrapartidas nem obrigações. E querem e querem.

Mas isto não é legítimo? Não foram eleitos democraticamente para fazerem o que prometeram? Estas são algumas perguntas de alguns leitores fazem?

E eu respondo. É tudo legítimo. Desde que tenham dinheiro para o fazer e não nos obriguem a pagar também. Porque se o governo da Grécia foi eleito democraticamente, o de Portugal não foi por golpe de estado, embora algumas pessoas tendem a dizer que na Grécia ganhou a democracia, apenas porque ganhou aquele que mais desejavam (se perdesse, já não seria democracia, mas isto já são contas de outro rosário).

Porque os portugueses já deram dos seus bolsos 1,1 mil milhões de euros para a Grécia. Emprestamos este dinheiro à Grécia, apesar de também nós estarmos na situação complicada em que estamos. Quer isto dizer que os 10 milhões de portugueses que se sacrificaram em Portugal para recuperar a honra, a dignidade e a credibilidade nacional, também eles se sacrificaram mais um pouco por causa dos gregos que agora aparecem como virgens ofendidas, dizendo que não querem sacrifícios, que não querem pagar, que querem perdão de dívida ou que vão continuara a fazer despesa pública sem qualquer regra, como se nada tivesse acontecido.

Pois bem, da minha parte eu apelo ao Sr. Primeiro-ministro que mantenha a sua palavra e a sua forma de estar relativamente à Grécia. Porque há quatro anos estávamos no patamar da Grécia e esta nação portuguesa e todos nós fizemos grandes sacrifícios para que Portugal voltasse a ter honra, dignidade e credibilidade e estar na posição de mandar a Troika embora porque cumprimos e lhes pagamos (e até antecipamos pagamentos) e não como qualquer trambiqueiro que pede dinheiro emprestado, diz que faz o que for preciso e que depois de ter o dinheiro no bolso dizer mal dos que o ajudaram, porque os próprios pediram, e dizer que se quer pagar a dívida mas apenas quando se tiver crescimento económico de 7% (vou escrever pr extenso para não haver engano: sete por cento). Isto é gozar com os Portugueses.

Sr. Primeiro Ministro, ao senhor exige-se que defenda este nobre povo que se sacrificou em prol do bem comum e não que seja defensor de quem quer continuar a ter boa vida custa do sacrifício e trabalho dos outros. Que defenda os superiores interesses de todos os portugueses que se esforçam diariamente e que ainda hoje atravessam sacrifícios.

Sim, porque se o nosso País tivesse beneficiado de um perdão de dívida igual à que os Gregos já beneficiaram, não teríamos que passar por tão grandes sacrifícios como os que temos passado.

Como já disse, todos os comportamentos da Grécia são legítimos, desde que tenham em conta as escolhas e os sacrifícios dos outros povos. Porque emprestar dinheiro para tapar buracos, sem que se altere a estrutura e o fundamento base desse buraco, é o mesmo que deitar dinheiro ao lixo,.

E se querem continuar com tudo na mesma, então já sabem que não poderão recorrer à Troika, E se precisam de dinheiro emprestado sem Troika, que vão ao mercado, como Portugal vai hoje. Eu sei que Portugal consegue os juros mais baixos de sempre e que a Grécia os consegue à taxa mais alta de sempre. Mas esta diferença não se deve a magia negra. Se hoje conseguimos os juros mais baixo de sempre, com procura maior que a oferta na emissão de dívida, isso deve-se a muito esforço destes 10 milhões de portugueses, do esforço de muitas empresas e empresários e uma sociedade que quis honrar os seus antepassados e hoje ganharam o direito a ter futuro.

Se a Grécia tem taxas de juro a 20%, significa que não merecem a confiança de ninguém e que durante este 4 anos nada fizeram ou pouco fizeram para alterar o seu estado de coisas.

E a pergunta que se impõe: Algum destes senhores que assina a referida carta deles cria emprego ou tem problemas de impostos para pagar no final do mês? Quantos pessoas empregam? Algum deles compraria dívida pública grega neste momento? Algum deles? Algum deles investiria na Grécia? Algume deles compra ações de bancos gregos?

Não, claro que não. Mas querem que o nosso dinheiro, o de todos, o faça.

Que trabalhem como os outros, se quiserem ter futuro. Que se esforcem, como fez a Irlanda, Portugal e Espanha. Não queiram condicionar uma Europa que custou séculos a construir, por causa de devaneios populistas de quem não tem a noção do que é a realidade.

Ao Sr. Primeiro Ministro apelamos à sua missão: defender Portugal e os Portugueses.

Até para a semana.
Rui Barreira

Rui Barreira
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