Uma Visão Direita: Atentado em Paris

"Nós respondemos com acções de solidariedade e atacamos com os princípios e valores."

13 de novembro  de 2015 foi o dia em que o terror voltou a atacar.

Três dias depois do atentado em Paris, que atingiu a casa de espetáculos  Le Bataclan, o restaurante Le Carrillon e Le Petit Cambodge, e quase atingia o Stade de France,  já pouco ou nada resta para dizer nesta crónica.

Já muito se falou e se ouviu. Já muito de escreveu sobre o assunto. Já li sobre todo o tipo de opiniões, sobre a história, sobre as origens do problema, sobre as estratégias geopolíticas e económicas, sobre a necessidade de defesa da Europa e de repensar o espaço Schengen. De novo, a Europa e o mundo se mobiliza em ações de homenagem e de solidariedade pelas vítimas do atentado. E mais uma vez foram muitas. Ainda que fosse uma só, seria sempre demais.

Na ânsia de informar, a comunicação social explorou, e continua a explorar, todas essas dimensões.

Em boa verdade, em primeiro lugar, assola-nos a dimensão humana desta tragédia. Ninguém devia perder a vida desta forma… Ninguém mesmo.

Venham todas as leis, regras, convenções, Constituições e Declarações Universais. Os princípios estão lá, mas tudo parece tão frágil quando percebemos que o respeito pela vida humana nada vale para seres que não respeitam a sua própria vida, e muito menos a dos outros.

As televisões e as redes sociais fizeram multiplicar as imagens de pânico e do medo, da consternação e das homenagens. Os relatos sofridos de quem estava lá e sobreviveu, mas viu familiares e amigos a morrer ao seu lado, sem motivo nem justificação, mas tão só pelo simples facto de, no usos dos seus direitos e liberdades, estarem a usufruir de espaços de convívio e, por azar, estarem no sítio errado e na hora errada.

E Paris é aqui tão perto….

Essa tem também sido uma tónica nas conversas deste fim de semana. Paris é aqui tão perto…

Os ataques terroristas do dito autodenominado Estado Islâmico (EI), que nada tem de Estado e nada tem de Islâmico, estão cada vez mais perto de nós. E isso assusta muito.

Além de ter sido um ataque ao centro da Europa, feriu gravemente os princípios e valores preconizados pela sociedade ocidental.

Liberdade, fraternidade e igualdade, ideais herdados da Revolução Francesa foram literalmente abalroados pelos defensores de uma perigosa ideologia que não admite que exista  vida fora do DAESH. Não é por acaso  que a organização se apressou a mudar o nome para EI. É que foneticamente, em árabe, DAESH pode facilmente confundir-se com o significado de “preconceituoso” ou  alguém que “esmaga” os outros. Diga-se que não estaria longe da verdade.

A propaganda deste grupo é fortíssima. Recruta colaboradores em todo o mundo, faz-lhes autenticas lavagens cerebrais, atrai jovens como uma aranha atrai a presa à sua teia e envolve-a até a devorar. Espalha-os pelo mundo, em células terroristas prontas a atacar às ordens do califado. Se algum colaborador se arrepende da contratação e tenta libertar-se tem inevitavelmente o mesmo fim: a morte. Porque nada existe fora do DAEDSH.

É uma guerra ideológica. Mas não as armas que usa não são limitam ao combate ideológico. É bem real e com efeitos violentíssimos.

É uma luta desigual. Eles atacam com armas e  matam indiscriminadamente.

Nós respondemos com acções de solidariedade e atacamos com os princípios e valores.

Nunca vai resultar. Só um dos lados respeita esses princípios e valores.

À semelhança dos ataques terroristas por radicais islâmicos do 11 de Setembro  às torres gémeas do World Trade Centre em Nova Iorque em 2001, do 11 de março à estação de metro de Atocha em Madrid em 2004, as explosões no metro de Londres em 2005, do ataque ao Charlie Hebdo já no princípio do corrente ano e do atentado em Beirute no Líbano no dia anterior, este novo ataque relembra a vulnerabilidade da Europa e espalha o medo.

E isso merece reflexão.

E uma reflexão tanto mais profunda quanto a necessidade de encontrar uma estratégia concertada de por termo ao avanço desta ideologia que se escolta atrás de um suposto deus que nada tem a ver com isto.

Uma reflexão tanto mais profunda quanto a eminência de se começar a espalhar a crença de que todos os refugiados são terroristas, quando eles fogem precisamente desta realidade, que no seu país é diária. Alguns serão, mas o verdadeiro perigo, o que realmente assusta é saber que os terroristas de Paris eram cidadãos europeus, nascidos e criados, educados em escolas europeias e vizinhos dos nossos bairros. Afinal já há raízes cá dentro.

Uma reflexão tanto mais profunda quanto o risco que corremos de ver o preconceito e a xenofobia ganhar terreno no coração dos cidadãos europeus.

O mundo ficou consternado. Foram várias as manifestações de solidariedade: flores, velas, lágrimas, bandeiras, monumentos iluminados em todo o mundo com as cores de França, minutos de silêncio e a marselhesa.

Aos poucos a vida em Paris vai regressando à normalidade, se bem que não existe normalidade num país em estado de emergência.

Agora é tempo de agir, lembrando-nos que todas as células têm um núcleo. E é pelo núcleo que as células se destroem.

Há quem já a apelide de 3ª Guerra Mundial.

É um momento de provação para a Europa.

E tudo o que queremos e precisamos é de PAZ.

Rui Barreira

Rui Barreira
Rui Barreira

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