Uma Visão Direita: As eleições na Madeira e o fim de uma era

Caro leitor,

Hoje teria que falar sobre as eleições na Madeira e por tudo o que simbolicamente representa a vitória (novamente) do PSD Madeira, o excelente resultado do CDS e a estrondosa derrota do Partido Socialista.

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40 anos depois teremos a Madeira sem Alberto João Jardim, com tudo o que isso tem de bom e de mau.

Alberto João Jardim foi um líder forte, intransigente e grande defensor dos interesses da Madeira. Sim, porque não podemos apontar o dedo ao que Alberto João Jardim fez de mal pela Madeira e pelo endividamento dos Madeirenses, sem relembrar o muitíssimo que ele fez de bom pela Madeira e pelos Madeirenses.

Quem conhece a Madeira como eu fui conhecendo ao longo dos tempos e, destas últimas duas décadas, sabe bem do que estou a falar. Do aproximar das populações de toda a ilha, através das vias de comunicação que foram construídas e que eram essencialíssimas e não duplicações desnecessárias e para fazer obra. Todos conhecem o sucesso do Turismo da Madeira e a aposta no Turismo de qualidade que foi plenamente conseguida.

A Zona Franca da Madeira,  também conhecida por Centro Internacional de Negócios da Madeira (CINM) ou Offshore da Madeira, como lhe gosta de chamar a esquerda incompetente e sem responsabilidade, que tantos dividendos de forma legal trouxe à Região Autónoma da Madeira.

O incremento do turismo em Porto Santo, mantendo intocáveis a paisagem e a belíssima praia.

O PIB per capita naquele arquipélago, que foi dos maiores da Zona Euro.

Mas Alberto João Jardim também foi campeão da dívida. Realizou obras para onde não estava ninguém. Viveu muito à custa do betão e da benevolência dos vários Governos da República, quer PS quer PSD, que sempre deram a Alberto João o que ele pedia.

Foi fazendo obra atrás de obra, mesmo sem a referida necessidade e sem olhar a custos. Porque uma coisa é fazer uma obra necessária e recorrer ao endividamento. Outra é fazer obras de duvidosa necessidade, não tendo dinheiro para as fazer e ter de recorrer ao financiamento.

Até que houve um Governo que disse chega. Disse chega, não contra as obras necessárias e básicas aos madeirenses, mas à forma desabrida como se gastava dinheiro que não se tinha, em obras de duvidosa utilidade, ao mais alto estilo Socialista.

Alberto João não gostou. Subscreveu também ele um memorando que depois criticou. Mas a verdade é que teve de o assinar, a bem das finanças públicas da Madeira (e tenho muitas dúvidas, se não quase a certeza, que qualquer outro Governo, ainda que socialista, não teria mantido o mesmo estado de coisas na Madeira) e porque naturalmente quem gasta mais do que ganha, algum dia terá que pagar e o seu povo em particular. Quem afirmar o contrário ou mente descaradamente ou não tem a noção do que diz.

Posto isto, sem dinheiro, sem financiamentos a bom preço, Alberto João bateu a porta e foi-se. Mas que a verdade não seja escamoteada. Que o homem teve grande mérito na transformação da ilha da Madeira, lá isso teve. Mas ultrapassou o limite e quando isso acontece…

Os dinossauros da política têm sempre este grande defeito. Pensam que são eternos, que são os donos da verdade e que têm um poder sobrenatural. Enganam-se. Em Guimarães (minha terra) sucede o mesmo…

Felizmente para a Madeira, que também as suas ilhas não serão governadas por um SYRIZA qualquer daqui para a frente. E esperemos que o novo Presidente do Governo Regional faça diferente e da forma como apregoou. Também aí residiu o motivo da sua vitória.

Não foi encostado ao passado e assumiu ao que vinha. O povo da Madeira, tradicionalmente maioritário nas cores do PSD, acreditou e votou. Miguel Albuquerque não prometeu mundos e fundos. E ganhou.

O CDS continua como a segunda força política na Madeira, naquele que é um resultado extraordinário do partido na ilha da Madeira, principalmente quando existem maiorias absolutas do PSD. Enquanto CDS não gostei de certas atitudes do CDS Madeira ao longo destes últimos anos. Relembro-me do voto abstencionista no orçamento de Estado nacional por parte do deputado do CDS eleito pelo círculo da Madeira. E relembro-me do convite ao Partido Socialista para coligação nas eleições da Madeira.

Foram dois momentos bastante infelizes do CDS Madeira, nos quais não me revejo, que tiram o brilho total ao extraordinário trabalho que o líder do CDS Madeira, José Manuel Rodrigues, tem vindo a fazer em prol dos Madeirenses e que tem vindo a ser reconhecido nas urnas. O CDS mantém-se como o principal partido da oposição, com todo o mérito.

E o PS Madeira. O que dizer de um partido que manifestamente acha que pode fazer tudo para chegar ao poder? Sim, porque fazer alianças com José Manuel Coelho, o tiririca português, tem o seu preço num eleitorado que não vota cegamente. Eu imagino a reação de algumas pessoas que conheço, que votam partido socialista, se tivessem que pôr a cruz no mesmo quadrado onde figurava José Manuel Coelho.

E esta aliança (os partidos desta coligação, em separado, tinham obtido cerca de 23% em eleições anteriores) foi avalizada por António Costa, que esteve presente na ilha da Madeira em plena campanha e que, agora, perante o desastre, foi capaz de nem sequer aparecer em cena a reconhecer a copiosa derrota na Madeira.

Os jornalistas perguntaram a opinião de Costa sobre as eleições na Madeira? Os jornalistas insistiram? Os jornalistas chatearam Costa sobre uma reação? Como tudo é diferente quando se trata do Partido Socialista.

Imagine-se o que teriam feito a António José Seguro se, em coligação, obtivesse menos votos e deputados que o PS sozinho? Serei eu que estarei louco ou é mesmo real que António Costa “arrumou” com Tozé Seguro por este ter tido uma derrota de pirro contra a “direita” que até foi coligada?

Ora vejam bem como o discurso mudou. No Clube dos Pensadores, único local onde falou sobre estas eleições, o que disse António Costa? Resposta: (sic)“As eleições regionais são eleições regionais”. Pois são, mas António Costa foi lá tentar dar uma ajudinha e mostrou de que casta é feito: esconde-se nos momentos difíceis em que é preciso dar a cara pelo partido.

Quanto aos restantes partidos, apenas um comentário aos relatos que assisti dos órgãos de comunicação social: “BE teve um resultado extremamente positivo”. Pois, 3,8% é um resultado extremamente positivo, principalmente para quem está para acabar ou implodir. E eu que pensava que com o aparecimento do SYRIZA na Grécia e o apoio que o BE lhe deu nas eleições gregas, que o BE ia disparar para uma votação de dois dígitos (o deputado municipal do BE em Guimarães até já afirma que um dia o PS vai fazer coligação com o BE, mas porque este ganhou as eleições). Afinal, até nisto, não somos comparáveis à Grécia, embora para desagrado de muitos.

Com as eleições na Madeira, foi dado o tiro de partida para as legislativas de 2015.

Em breve as minhas notas. Até lá, espero que tenham tido uma Santa Páscoa.

Até para a semana.

Rui Barreira

Rui Barreira
Rui Barreira

 

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