UMA VISÃO DIREITA: A Pepa, a hipocrisia e o País

Nestes dias fomos confrontados com um “caso nacional” chamado Pepa, num anúncio de uma marca mundialmente conhecida.

Confesso-vos, sinceramente, que no meu facebook comecei a ver algumas partilhas de críticas sobre o anúncio, mas que não liguei absolutamente nada. Confesso, ainda, que continuei a ver que se falava da tal Pepa e que continuei sem grande curiosidade para ver. Eis que o assunto vira notícia de telejornal e tenho conhecimento que a conceituada marca Samsung até acaba por retirar do ar o anúncio reagindo em comunicado que conheci agora, pedindo desculpa pelo sucedido e sublinhando que não tinham a “intenção de ferir susceptibilidades”.

“Acompanhamos sempre de perto as opiniões de todos os que nos seguem, tendo sido partilhado desagrado em relação aos conteúdos da campanha, razão pela qual esta foi retirada do ar.”

Confesso que então fiquei curioso e então perguntei qual o grande “crime” que então cometera a Pepa e a Samsung. Disseram-me que, no anúncio, a Pepa anuncia como seu desejo para 2013 uma mala da Chanel. Já eu estava indignado com tudo isto, quando me disseram para ver o vídeo na integra.

Mais indignado fiquei. Não pelo anúncio ou pelo desejo da Pepa, que pode ter os maiores desejos do mundo, ainda para mais quando uma conceituada marca como a Samsung a convida para fazer um anúncio, mas antes pela mesquinhez e hipocrisia de quem a criticou e critica, e, sobretudo, pela inveja encapotada que demonstram.

E esta é que é a verdade. Neste País em que até é livre dois homens contraírem o matrimónio, uma jovem não pode revelar como seu desejo a compra de uma mala de uma conceituada marca, com o produto do dinheiro que quer ganhar legitimamente com o trabalho durante o ano, porque afronta a sensibilidade e suscetibilidade das pessoas. Diga-se em abono da verdade, que até a própria Samsung pactuou com esta mesquinhez e hipocrisia de uma determinada franja da sociedade, ao retirar o vídeo e pedir desculpa.

Para mim, a maior verdade, é que todos os que a criticaram, desejam ter um iphone da última geração, um IPAD, uma televisão da última geração, um carro novo, um portátil da Apple, umas férias em Nova Iorque ou no Rio de Janeiro, etc, etc. Gostavam e têm como desejo. E legítimo. Mas a pequenez de espírito só lhes permite criticar uma jovem, que até trabalha, que tem uma profissão inovadora (e que eu desconhecia, confesso), que teve o mérito de chegar ao ponto de ser convidada por uma marca mundial para fazer um anúncio promocional dos seus produtos. Os outros, os invejosos e os hipócritas, preferem criticar a jovem, pois esta não pode ter a veleidade de ter o desejo de comprar o que quer que seja com o seu dinheiro, só porque estamos numa situação difícil.

Criticar a campanha, dizendo que é má, que não cativa os consumidores, ainda vá que não vá ?

Agora a hipocrisia de criticar a jovem pelo seu desejo a comprar com o seu dinheiro e a atitude da marca em retirar o vídeo, já ultrapassa todas as marcas.

Que é isto? Que sociedade é esta?

O mesmo se diga em relação aos comentários sobre a gravidez da Sr.ª Ministra Assunção Cristas. Os comentários são tão vastos e tão mesquinhos, que merecem naturalmente a minha menção nesta minha crónica, mas não a minha reprodução. Ao ler certos comentários sinto tristeza, porque estes sentimentos não são admissíveis na sociedade que idealizo para os meus filhos.

E, claro, a esta hora estará a perguntar o caríssimo leitor o que é que me leva a falar sobre estas situações na minha crónica semanal. Eu digo. Muito simplesmente porque são estas pequenas situações que demonstram a sociedade ou parte da sociedade em que vivemos. Uma sociedade que não convive bem com o mérito dos restantes. Uma sociedade que critica o sucesso do seu semelhante ou o seu bem estar, apenas porque sim.

E esta é uma das verdades que tem de ser dita sem qualquer medo. Há uma parte da sociedade portuguesa que convive mal com o sucesso dos outros, porque na sua ideia, se “eles têm nós também temos de ter”, apesar de nada terem feito para o obter.

Esta é uma reflexão que deixo a todos. É este Portugal que queremos ou queremos mudar mentalidades e o futuro desta Nação?

Não precisam da minha resposta, pois não?

Até para a semana.

Rui Barreira
(escreve às quintas-feiras)

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