UMA VISÃO DIREITA: “A hora da verdade…”

Hoje, dia 31 de Outubro de 2012, dia em que escrevo esta crónica semanal, foi aprovado, na generalidade, o Orçamento de Estado para 2013.

A sua aprovação na generalidade significa que o mesmo passará a ser debatido tematicamente nas comissões especializadas da Assembleia da República, onde se poderão apresentar alterações à mesma proposta de Lei, de forma a conduzir a uma proposta final a ser submetida à votação dos deputados.

Antes da votação, o discurso de encerramento deste debate coube a Paulo Portas, que na sua intervenção desafiou o Partido Socialista para um acordo alargado sobre a despesa estrutural em Portugal. Desafiou o PS para um exercício difícil e meticuloso que, nas palavras de Paulo Portas, requer nada menos do que “política com P grande”.

Mais demonstrou a disponibilidade do Governo, não para pedir uma singular adesão a este orçamento, mas antes uma atitude de abertura para um acordo nacional para resolver uma questão estrutural com abertura ao olhar, sensibilidade e razoabilidade para o conseguir do Partido Socialista.

E se António José Seguro até agora se escondeu atrás de mais uma criação sua, que lhe dava muito jeito, por sinal, Paulo Portas genuinamente e expressamente lhe retirou a possibilidade do PS se manter no populismo barato. Disse que a proposta do Governo não envolvia a revisão da Constituição, como António José Seguro berrara aos sete ventos para evitar discutir com responsabilidade e verdade um orçamento que ditará muito daquele que é o futuro de Portugal. Disse Portas que tal era “um receio infundado. A nossa proposta não é um gesto para a galeria; é autêntica, por isso implica disponibilidade e isso significa aceitar negociações, compromissos e cedências de parte a parte”, mostrando que há abertura do Governo para considerar os contributos socialistas. “Várias políticas transversais para reduzir a despesa não carecem de qualquer revisão constitucional. Carecem de política com compromisso”.

E por isso chegada a hora da verdade. A hora do da política e dos políticos com P grande, como dizia Paulo Portas. A hora do PS sair da toca, de mostrar que se quer apenas viver de populismo e do faz de conta, ou se, por outro lado, quer debater e encontrar soluções para os portugueses.

António José Seguro tem a oportunidade de demonstrar a sua política alternativa para além das palavras que normalmente tem, sem qualquer tipo de concretização: “a minha política é a do crescimento económico”, tem agora a palavra. Com este desafio do Governo das duas uma: ou o PS ignora o desafio e mantém o comportamento tido até agora; ou o PS agarra o desafio e dá um sinal de responsabilidade e seriedade política.

Porque na verdade, não se pode considerar sério o comportamento que PS tem tido até agora. Na verdade, apelidar de “habilidade contabilística” quando o Governo considera receita da concessão da ANA AEROPORTOS, no valor de 600 milhões de euros, e ao mesmo se tente demonstrar que se é contra o aumento de impostos e medidas de austeridade, não é ser sério. É que alguém tem de dizer na cara aos socialistas que se a verba da concessão da ANA não for considerada receita orçamental como pretendem os socialistas, de forma a que o Governo tenha uma derrota, que se teria de encontrar essa mesma receita de 600 milhões de euros de outra forma e que os socialistas e António José Seguro têm bem presente Sabem-no perfeitamente. E é exactamente por estes pequenos pormenores que se verifica qual a verdadeira intenção do PS. Está mais interessado numa derrota do Governo junto de instâncias europeias, do que preocupado com as dificuldades adicionais que tal facto produziria para os portugueses, esta é a realidade.

É por isso mesmo que esta é chamada a “hora da verdade”. A hora do PS demonstrar onde quer cortar na despesa. A hora do PS demonstrar que medidas concretas defende para o País, para além dos discursos enrolados de António José Seguro. A hora de concretizar.

Como diz Paulo Portas: “O País terá Orçamento. É agora trabalho da Assembleia da República procurar, na medida do possível, melhorar aspectos desse mesmo orçamento”. E acrescento eu “com ou sem Partido Socialista”.

O País precisa de muitas mudanças estruturais, ainda. Menos Estado e melhor Estado. Resta saber se os partidos do arco da governabilidade o querem todos. Pelo Governo falou Portas…

É “HORA DA VERDADE”…

P.S.: uma medida importantíssima que consta neste Orçamento de Estado é o IVA de caixa, que mais não é do que uma exigência de todos os profissionais e empresários há largos anos. Alguém a viu por aí em letras de ouro na imprensa? Alguém a vê a ser falada?

Não. Não interessa nada. Apesar de ser uma das medidas mais importantes que há memória no fortalecimento das empresas e dos profissionais que trabalham com o IVA, o silêncio à sua volta é de ouro. Onde está o PS, o PCP, o BE e os Sindicatos??? Não têm opinião sobre uma medida destas? E os media? Não sabem da sua existência…

Enfim…

Até para a semana…

Rui Barreira
(escreve às quintas-feiras)

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