UMA VISÃO DIREITA: A história da empresa Portugal e a união desgovernada de manifestantes de caneta

Caro leitor,

Hoje resolvi contar-vos uma história. A história de uma empresa que passa por dificuldades, que teve de se apresentar à insolvência em determinado momento, porque os seus administradores foram irresponsáveis nas despesas que efectuavam, ora comprando carros de luxo, ora comprando máquinas que nunca utilizaram, ora contratando trabalhadores que para nada serviam, ora candidatando-se a fundos europeus para construção de parques de estacionamento para 6.000 carros à porta da empresa, em terrenos caríssimos e que apenas eram financiados em 25% dos fundos europeus, sendo certo que a empresa já tinha mais parques de estacionamento que tinham lugares de sobra para os veículos dos trabalhadores da empresa. Tais despesas eram feitas porque esses mesmos administradores sempre gozaram da benevolência das empresas financeiras, que concediam créditos atrás de créditos a essa mesma empresa, pois esta gozava de estatuto de que tudo pagava e que era o melhor parceiro a quem se podia emprestar dinheiro.

Estes administradores fizeram tábua rasa do princípio de que uma empresa para ser sustentável, tem de ter mais receita do que despesa ou, no mínimo, a mesma receita para a despesa. Mas não foram só os administradores que geriam aquando da apresentação à Insolvência. No entanto dos que antes administraram, uns houve que gastaram em necessidades da empresa e outros que gastaram em necessidades da empresa, com empréstimos com carências de 10 anos e a pagar apenas após a saída da empresa.

Outros nunca fizeram as reformas que punham no plano de actividades e que achavam necessárias para a empresa, sempre com medo que as Assembleias Gerais tivessem muito ruido ou que os trabalhadores não entendessem, até porque a empresa fez sempre gastos em carros de alta cilindrada.

Houve inclusive administradores que queriam fazer um aeródromo, onde poderiam aterrar alguns clientes que utilizam esta forma de se deslocar, na certeza de que o aeródromo que a empresa tinha construído há mais de 20 anos, e na qual a empresa fazia investimentos contínuos de modernização, não tinha sequer esgotado a sua capacidade instalada. Os grandes defensores deste novo aeródromo eram o presidente do conselho de administração e um vogal de nome “jamais”, que até conheciam bem os terrenos onde edificariam esta nova obra e as pessoas que eram proprietárias dos mesmos.

Estes administradores tinham mesmo pensado investir numa linha de comboio de luxo, que transportasse os seus trabalhadores da empresa até ao centro da cidade, dizendo que apesar dos passes a cobrar serem de valor incomportável para a maioria dos trabalhadores, esta não deixaria de ser uma mais-valia para a empresa, uma vez que muitas outras empresas (com condições económicas e financeiras superiores e com trabalhadores com salários muito mais elevados) também tinham.

E assim foi até que que as instituições financeiras de nome firmado na praça, começam a desconfiar da capacidade da empresa pagar todos os seus empréstimos. Começam então os bancos de crédito fácil a conceder crédito à empresa, a preços elevadíssimos e com altas taxas de juro. Mas a empresa aguenta, aguenta. Mas as taxas de juro sobem cada vez mais, as receitas próprias para pagamento de salários aos trabalhadores e compra de matéria-prima só chega para dois meses.

A empresa apresenta-se à insolvência e apresenta um plano de recuperação. Plano de recuperação que a obriga a recorrer a um banco muito especial. O único banco que empresta dinheiro para a empresa conseguir liquidar as suas obrigações nos próximos três anos e a taxas mais baixas, mas que em contrapartida exige que a empresa se comprometa com determinadas medidas de contenção da despesa. Que apenas libertaria todo o dinheiro se a empresa cumprisse com um caderno de encargos pré-determinado. Só assim se manteria a empresa.

E eis que este banco espacial empresta dinheiro a três anos, com largo consenso na Assembleia Geral da empresa para o empréstimo se fizesse naqueles moldes. Apenas alguns rabugentos não quiseram sequer ouvir falar desse tipo de empréstimo que permitiria pagar salários aos trabalhadores e comprar matéria-prima que permitiria a continuação da laboração da empresa. Até se recusaram estar na reunião com os administradores do banco para discutir o caderno de encargos.

Entretanto um novo Conselho de Administração da empresa toma posse. E esta passa a ser empresa onde as “Portas” não se fecham e os “Coelhos” não se escondem. A empresa passa por tumultos sérios. É obrigada a cortar salários aos seus trabalhadores. É obrigada a atribuir apoios sociais apenas a quem mesmo necessita. É obrigada a despedir alguns trabalhadores. É obrigada a tomar muitas medidas impopulares.

O novo conselho de administração demonstra coragem em seguir o rumo que lhe foi traçado por quem o ajudou, por quem lhe emprestou dinheiro. Decide que uma empresa digna tem de fazer de tudo para honrar os seus compromissos e modifica a política da casa. O que se faz tem de ter sustentabilidade. Temos de pagar aos credores religiosamente e voltar à fama de bom pagador de outros tempos. Devolver a credibilidade à empresa.

E assim foi. Três anos de sacrifício param os trabalhadores, administradores e para a maioria da Assembleia Geral. Com anos e anos a serem acusados de desgraçarem a empresa, quando a missão que lhes cabe é a de executar um caderno de encargos deixado por outros e a implementação de políticas que aumentem a produtividade da empresa, de que comece um caminho duradouro para começar a ter lucro e que o permita distribuir pelos seus trabalhadores.

Quase no final dos três anos do empréstimo, a empresa começa a empregar trabalhadores, começa a ter aumento de produtividade, paga religiosamente aos credores. Os bancos e as outras empresas começam a ter confiança para dar crédito a esta mesma empresa, porque lhe reconhece confiança. Toda uma realidade se conjuga para que a empresa possa voltar ao mercado financeiro para se financiar a preços normais. As taxas de juro exigidas em pequenos empréstimos que vai fazendo são já menores do que antes da apresentação da empresa à insolvência.

A empresa prepara-se, com credibilidade, para largar o caderno de encargos.

Eis que surge uma manifestação! De rua com milhares de pessoas? Não.

De ex-administradores da empresa, de alguns membros da assembleia geral (se bem que alguns pertencem aquele grupo de rabugentos que acima falei e que por isso não espantam) alguns clientes. Ex-administradores da empresa com responsabilidades acrescidas, com voz pública, que têm peso junto dos trabalhadores, mas principalmente junto das outras empresas e das entidades financeiras.

Uma manifestação de caneta dizendo isto: a dois meses do final do caderno de encargos, devemos chegar junto do banco especial que nos emprestou dinheiro e das outras empresa e dizer. Nós não conseguimos pagar a dívida. Queremos mais tempo, perdão de juros e capital e taxas de juro mais baixas.

Mas foi em assembleia geral fechada da empresa? Qual quê, mandaram comunicado para os jornais da terra e para as televisões. Para que toda a gente saiba que, afinal, o que as empresas estrangeiras pensam desta empresa, afinal não está certo. Afinal a empresa não consegue cumprir com as suas obrigações, deve dilatar no tempo o pagamento da dívida, de forma a onerar ainda mais gerações e deve dar um sinal de que quer voltar ao tempo antigo, apesar dos sacrifícios que todos os trabalhadores da empresa fizeram.

A dois meses do fim do caderno de encargo, homens e mulheres com responsabilidade decidem irresponsavelmente por em causa a possibilidade da empresa voltar a ser autónoma e a escolher o se caminho. Um grupo de 70 pessoas resolve dizer que se deve estragar um trabalho de preparação para pedir aos bancos normais que financiem o normal funcionamento da empresa a preços normais. Querem estes 70 que desconfiem de nós, para que venham os bancos de crédito fácil a juros proibitivos para nos emprestar dinheiro ou que se tenha de recorrer novamente ao banco especial com novo caderno de encargos.

Sim, porque a dois meses de finalizar o plano de ressurgimento da credibilidade de uma empresa, a pior que a mesma pode fazer é apresentar-se aos credores e dizer: “eu não consigo pagar isto. Andei aqui três anos a enganar-vos. Vocês dizem que é possível. As outras empresas dizem que é possível. Continuam a fazer-nos encomendas e a trabalhar connosco. Outras empresas também acabaram o caderno de encargos e dizem que é possível. Mas eu acho que o melhor é dizer que não consigo mesmo cumprir, para poder voltar ao que era antes.”

É, há manifestações de canetas que são bem mais perigosas do que manifestações de hooligans. Porque as de canetas são mais perigosas e deveriam merecer, no mínimo, alguma reflexão. Mas pelos vistos não.

O que nos vale é que os resultados da empresa estão aí a dar os seus frutos.

Com as “Portas” abertas e os “Coelhos” firmes e hirtos na defesa intransigente e responsável de um futuro saudável e duradouro para a empresa, para os trabalhadores e para os filhos e netos destes trabalhadores.

Até para a semana,

Rui Barreira

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