Uma Visão Direita: “A Grécia… E mais uma vez a Grécia”

tsipras

Passou uma semana e as relações entre a Europa e a Grécia continuaram num impasse.

E quase tudo continuou igual porque a Europa estava a tentar negociar de boa fé com quem não tem sequer vontade de fazer nada, para além de encontrar um bode expiatório para o seu fracasso e o duro confronto com a realidade.

Assistimos impávidos e serenos àquelas que são as piruetas do Governo Grego, com Varoufakis a dar uma no cravo (em Bruxelas) e outra na ferradura (no Parlamento Grego). Num lado mostrava-se disponível para negociar a extensão do plano. No outro dizia que a extensão do plano, só com uma pistola apontada à cabeça.

Varoufakis e Tsipras diziam que Troika nunca mais e que nem os deixariam entrar em Atenas, mas que que se propunham negociar com o FMI, Banco Central Europeu e Comissão Europeia em conjunto, que mais não são do que os membros que compõem a troika.

Depois Tsipras e Varoufakis, as novas coqueluches dos média europeus, continuaram o seu jogo do empurra e de ultimato, que com a veia característica da dramatização e arte de representar, tentam fazer crer a opinião pública que é a Europa que os trama e não os próprios, que com tantas semanas de indecisão, já fizeram voar dos bancos de Atenas milhares de milhões de euros, uns com destino a outros países e outros simplesmente para o colchão de casa, tal é a confiança que Tsipras faz renascer nos depositantes. 1.000 Milhões de euros por dia. 20 mil milhões em 20 dias, etc, etc… E para isto apenas contribuiu o Governo Grego e em nada a Europa.

Sabemos que os momentos são sensíveis, mas, diga-se em abono da verdade, não se pode alegar falta de solidariedade de uma Europa que já enviou cerca de 300 mil milhões de euros para a Grécia continuar a caminho do precipício.

Felizmente a Grécia já não arrasta o meu País que soube fazer as opções certas, no momento certo. Ainda hoje há saudosistas dos tempos em que nos poderiam comparar com a Grécia. Catarina Martins e todo o Bloco de Esquerda são um deles. Jerónimo de Sousa e o PCP são outros. E os socialistas, que saudades que eles têm. Mas há também os que vaticinaram segundos resgates, planos cautelares e até negociações nas costas dos portugueses com a troika para o efeito, uma vez que, diziam, Portugal não tinha solução com este Governo. 

Teria com um Governo de José Sócrates, na sua visão. Teria se houvesse PEC 4, dizem desavergonhadamente. Teria se tivesse tomado outras políticas, como a do investimento público e o não corte em determinadas obras (TGV, aeroporto, ponte sobre o Tejo, terceira AE Lisboa-Porto)… Teria, teria, teria, se o Partido Socialista não tivesse elevado o défice do País aos 10% e se não houvesse um memorando de entendimento negociado com a troika e o que os partidos da maioria Governamental, mais do responsavelmente, se comprometeram a cumprir em honra a levar a devolução da credibilidade ao nosso País.

Os opinion maker portugueses tentam-nos fazer crer que Portugal percorreu o lado errado da caminhada e que a demagogia grega é que fará parar a Europa perante as suas intimações. François Hollande também o disse e caiu na realidade. 

Hoje a Grécia pode muito bem escolher o seu caminho. Mas que muitos dos que foram enganados pelo Tsyriza já se aperceberam da sua incapacidade, não haja qualquer dúvida. Os sorrisinhos e as roupas de marca deram um belo perfume para as revistas cor-de-rosa, mas não para aqueles que têm a responsabilidade de fazer e manter unida a Europa com responsabilidade e sustentabilidade.

Gostam de muita semântica, mas na verdade o banho de realidade levou-os a um acordo. Um acordo que, por muito que Varoufakis queira mascarar, apenas é aquilo que o Eurogrupo define como regra e como princípio. 

Mantém-se o programa de resgate com a sua lógica e mantém-se a troika a negociar e garantir o seu cumprimento. Diziam quem nem com uma pistola na cabeça?  Pois não, foi de livre e espontânea vontade.

Extensão de quatro meses e não de seis meses, como Atenas queria impor, e a certeza de que se mantém a dívida e as suas condições, com a Grécia a reafirmar o seu “compromisso inequívoco” de pagar aos credores na íntegra e nos prazos acordados. 

Continuam em vigor as medidas tomadas ao abrigo dos acordos com a troika, comprometendo-se Atenas a não avançar com medidas de forma unilateral. Tudo diferente do que apregoavam nos primeiros dias após as eleições. E de outra forma poderia ser. A realidade é dura. E Varoufakis, Tsipras e os gregos ainda vão levar mais banhos de realidade. Porque já se percebeu que nenhum dos outros países do Eurogrupo está para pagar a boa vida dos gregos.

A Grécia conseguiu quatro meses. Segunda-feira ainda terá de apresentar medidas de correção da economia. Portuguesmente falando, medidas de austeridade (por mais que lhe queiram chamar outra coisa). E, convinha, medidas de combate à fraude e evasão fiscal, pois a Grécia está finalmente no top de alguma coisa: na fraude e evasão fiscal. 

Hoje Portugal é um exemplo. Não de austeridade, mas antes de um País que reestruturou o Estado e que acredita que é nas empresas e na economia privada que reside a força para fazer crescer o País e não em mais Estado, só Estado e apenas e só mais Estado.

Por isso cada vez mais designo as palavras de Jonh F. Kennedy como enigmáticas quanto à forma de acreditarmos no futuro de uma nação, independentemente de qual ela seja: “não te perguntes o que o teu País pode fazer por ti. Pergunta antes o que podes fazer pelo teu País.”

Este é um princípio básico que deveria estar subjacente à sociedade em que acredito e que quero construir a partir de novas gerações e para a geração dos meus filhos. Gerações essas que não querem Grécias, mas querem apenas oportunidades para eles próprios não dependerem de ninguém, ao contrário do sustentado pela esquerda radical (no qual também já incluo o PS), que gosta de manter todos amarrados ao Estado e na sua dependência. 

Registo, sem nenhuma surpresa, a colagem de António Costa ao SYRIZA.  

Demagogia, irrealismo e défice excessivo faz parte do mesmo argumentário.

Por isso, nada de novo por estas bandas.

Até para a semana.

Rui Barreira

Rui Barreira
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