UMA VISÃO DIREITA: a Grândola do novo PREC

Em primeiro lugar, queria transmitir-vos que abandonei este meu espaço por algumas semanas por motivos pessoais e profissionais, sendo certo que o dia só tem 24 horas e não me foi possível escrever as minhas crónicas conforme o compromisso assumido com o leitor. No entanto, cá estou a escrever mais uma crónica sobre aquilo que me ocupa o pensamento.

Assim e porque temos assistido a estes episódios diariamente, não poderei fugir ao tema que ocupa os jornais, as televisões, as redes sociais, etc, etc.,apesar de envolver meia dúzia de jovens.

Falo obviamente das já famosas “grandoladas” gritadas por jovens na presença dos membros do Governo .

Ontem, quinta-feira, estive presente numa dessa “atuações”, nomeadamente durante a intervenção do Sr. Secretário de Estado da Solidariedade e da Segurança Social, Dr. Marco António Costa na conferência promovida pelo Jornal de Notícias sobre “Que Estado estamos dispostos a pagar” e “Empreendedorismo e criação de riqueza no distrito de Braga”.

Em abono da verdade, diga-se que os jovens entraram juntamente com o Sr. Secretário de Estado no auditório, sendo certo que só estiveram presentes na sala enquanto cantaram, tendo abandonada a mesma logo após a sua “brilhante” atuação. Marco António Costa ainda convidou os jovens a ouvir e a debater aquilo que o mesmo ia dizer, recebendo como resposta “só essa faltava”, “tinha mais que fazer” ou “dia 2 estamos lá”.

Isto foi o que eu vi e o que ninguém me contou. Meia dúzia de jovens orquestrados para aparecer na comunicação social como que se de um tumulto se tratasse, que da vida e do futuro do País nada queriam saber.

A conferência realizou-se durante todo o dia na Universidade do Minho. O debate tinha oradores consagrados. O tema interessava ao futuro do País e do distrito onde estavam inseridos. Sim, isto tudo é verdade. Mas nenhum dos jovens ali esteve um único momento, exceto o momento da sua glória, o momento em que cantaram o “Grandola Vila Morena” sem saberem verdadeiramente o que ele significa para além do arranque da revolução

E esta é que é a verdade. Estes jovens não sabem, nem querem saber qual é a alternativa credível. Não querem ouvir, não querem debater, acham-se os donos da verdade porque alguém os deixa cantar com a maior da serenidade um hino da liberdade que se transformou num baluarte do PREC em que empresários eram saqueados, em que se sucediam as violações das propriedades privadas e se detinham portugueses por delito de opinião. Ou seja, algum povo é quem mais ordenava no momento de destituir os donos das empresas, prende-los e obrigar a seguir a política que assim desjavam.

Assim era o famigerado PREC, baptizado por cantares da Grandola Vila Morena, que hoje volta acompanhado de tiques de verdadeiros donos de verdade sem qualquer alternativa de carteira. Cantam irresponsavelmente. Insultam naquilo que alguns consideram a irreverência jovem, mas que eu designo de má criação. Cantam sem alma e com vergonha. A vergonha de não saber sequer o que pretendem e a vergonha de nem sequer conseguirem ter dimensão para, num debate sério e aberto, discordar e falar de alternativas com os membros do Governo.

A visão é a mesma do tempo do PREC, como se pode verificar pela leitura da edição do Diário de Notícias de 27 de Agosto de 1975:

Um popular: ´Está tudo calmo, já incendiamos tudo´

Um Guarda: ´Ainda me cheira que há mais qualquer coisa para queimar´”

Pois bem, o que estes grandoleiros nos querem transmitir é que ainda há mais qualquer coisa para queimar. Desde que arda. Porque alternativas, nem uma. Ideias, nem uma. Apenas a irreverência de uma juventude instrumentalizada, que pensa que sabe pensar, mas que não faz sequer ideia para o que caminha.

O Povo é quem mais ordena, mas não a saque. Não com insultos nem impropérios. O povo ordena democraticamente nas urnas, no local onde podem escolher e ordenar.

Pena é que o próprio Partido Socialista embarque nesta posição. Na posição dos manifestantes e da sua legitimidade para protestar, pondo-se a seu lado. E o que vale é que o fazem, ao menos, coerentemente: quem já não se lembra dos quatro manifestantes (membros da CGTP, apenas por mero acaso) acusados e julgados no Tribunal de Guimarães, por realizarem uma manifestação contra o Governo de Sócrates à porta do Centro Cultural Vila Flor, nesta cidade, por terem apupado e vaiado o então Governo Socialista, por ocasião de uma reunião do Conselho de Ministros?

Porque não cantam a Portuguesa? Não é o País que defendem?

Não cantam a Portuguesa porque são orientados ideologicamente. Não cantam a portuguesa porque têm receio. Não cantam a Portuguesa porque têm outras conotações.

Aguentemos as tempestades. Portugal precisa de todos quantos querem e desejam tornar Portugal num País assente num paradigma diferente do dos últimos anos.

Portugal precisa e deseja quem tenha a coragem de assumir ao que veio e para que veio. Portugal não pode dar voz a meia dúzia, em detrimento dos milhões. Portugal precisa de coragem.

Tenhamos essa coragem, mesmo contra as grandoladas, em nome do 25 de Novembro

Até para a semana

Rui Barreira
(escreve às quintas-feiras)
 

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