UMA VISÃO DIREITA: A bandeira de Portugal volta a ganhar cor…

A bandeira de Portugal volta a ganhar cor…

O regresso aos mercados internacionais, da forma que foi feita e com os resultados que obteve, não pode deixar de ser considerada uma vitória do povo português na reconquista da sua soberania. Por isso pus como título desta crónica que a nossa bandeira voltou a ganhar cor.

Esta é uma verdade indesmentível, que só na retórica política se é capaz de transformar em resultado de manobras do Banco Central Europeu ou qualquer outra coisa do género. Até se foi capaz de ouvir António José Seguro dizer que tinha contribuído para que o regresso aos mercados fosse uma realidade, ao mesmo tempo que dizia que o Governo tinha fracassado. Sintomático!

FACTO: Procura de 12 mil milhões de Euros para uma oferta de 2 mil milhões de euros de dívida pública portuguesa, a uma taxa de juro de 4,8%. Uma resposta internacional a todos quantos fizeram força para que Portugal não vencesse esta meta.

Para além do regresso aos mercados, temos também a disponibilidade de Bruxelas para aceitar o pedido de condições mais favoráveis aos empréstimos de Portugal, numa jogada de mestre do Governo Português, acompanhado da Irlanda. “A decisão certa, no momento certo e com a companhia certa”, como disse Paulo Portas.

Portugal tem sido um país diferente e cumpridor e merece, por isso, todos os apoios e as condições necessárias para finalizar o programa de forma segura. Se em Novembro, quando a Grécia obteve um alargamento dos prazos dos reembolsos dos empréstimos do Fundo Europeu de Estabilização Financeira (FEEF), Portugal fizesse um pedido idêntico, seria um sinal terrível. Seria novamente o sinal de que nos estaríamos a “colar” à Grécia e não aos que demonstram credibilidade e capacidade de se libertar da troika.

Mas hoje o Partido Socialista tem o topete de cantar vitória, não tendo sequer vergonha de afirmar que o pedido deveria ter sido feito um ano antes (assim se poupariam os Portugueses aos sacrifícios, afirmam). Zorrinho, no dia anterior à ida de Portugal aos mercados, teve a suprema capacidade de dizer num direto televisivo, que o regresso aos mercados não era nada de especial, porque se tratava de regresso protegido e manobrado. Conseguiu ainda não ter vergonha para afirmar que este Governo é que destruiu Portugal em ano e meio.

E, caro leitor, chega. Chega de quem só vê poder a todo o custo e recorre a manobras de forma a ludibriar os mais incautos. Chega de ouvir quem quase destruiu Portugal mas que já consegue falar em eleições antecipadas e maiorias absolutas. Chega de levarem Portugal para o fundo do poço e fazer de conta que não têm nada a ver com isso.

Digamos a verdade. O que pensa o Partido Socialista, afinal? É contra a austeridade e a troika, apesar de ter assinado o memorando. É contra o orçamento porque contém subida de impostos, mas afirma mesmo que não podem prometer descida da carga fiscal se fossem eleitos. Não apresentam uma só proposta que não seja aumento da despesa, apesar de se dizerem preparados para governar.

Falam em eleições antecipadas e maiorias absolutas, apesar de dizerem que nada fariam para provocar uma crise política.

Elucidativo…

Relativamente à reforma do Estado, rejeitam estar presente numa Comissão para o efeito e recusam-se mesmo a dar qualquer contributo.

Sabem que teria sido impossível solicitar e ganhar condições mais favoráveis para pagar os empréstimos contraídos no âmbito do programa de intervenção externa na Economia portuguesa. Sabem que Portugal seria considerado um país incapaz de cumprir com as suas obrigações e fortemente penalizado pelas agências de rating e nos mercados de dívida pública. Sabem que Portugal ficaria bem pior do que a Grécia e sabem os sacrifícios que então seriam impostos aos Portugueses. Mas continuam a dize-lo, porque não têm outra forma de fazer política, senão jogar com a demagogia e com o populismo fácil.

Dizem mal, mas estão contentíssimos. Tão contentes estão com o sucesso de Portugal no regresso aos mercados, que até já começaram as lutas internas para acesso ao poder. Sabem que este Governo é capaz de devolver credibilidade ao País e de novo ser possível recorrer aos mercados e já afiam os dentes. A arte de gastar o dinheiro que não se tem, recorrendo a sucessivos empréstimos, é uma “virtude” socialista. E em face do novo posicionamento de Portugal face a este mercado, cá estão eles novamente, não lhes interessando saber que o despesismo não tem lugar nesta nova sociedade

Fugiram com Guterres deixando o País de tanga, recordam-se? Porque fugiram? Porque não havia dinheiro para desbaratar.

Fugiram com Sócrates, já que tinham a noção que a aplicação do programa de ajustamento que eles próprios negociaram e assinaram, levaria a tomadas de decisão impopulares e difíceis e que não lhes seria permitido esbanjar como tanto gostam e sabem.

Fugiram porque não têm coragem de governar em tempos difíceis. Fugiram porque só sabem governar com dinheiro e a esbanjar em obras de duvidosa utilidade. Fugiram porque só sabem governar para eleições e manutenção do poder. Gastar hoje, porque amanhã alguém pagará…

Caríssimo leitor, o que assistimos nos últimos dias foi a demonstração da existência da luz ao fundo do túnel e a certeza de que os nossos sacrifícios estão a valer a pena. Um passo importante na caminhada de restabelecimento de credibilidade de Portugal perante a comunidade internacional. Mais um sinal de esperança nesta nossa nação.

Esta é uma verdade que o Novo Bloco de Esquerda (leia-se Partido Socialista) não queria que acontecesse. Tal qual como o cumprimento dos 5% de défice que reiteradas e incessantemente afirmaram que não se atingiria, mas que Portugal conseguiu cumprir.

A nossa bandeira volta a ter cor. A cor de gente honrada e cumpridora, que se orgulha e tem prazer em ser o que é. Gente humilde, trabalhadora e que tem orgulhos em cumprir os seus compromissos. Deixamos de ser o “País do Sul da Europa, cujos cidadãos só gostam de estar ao sol e não gostam de trabalhar”, como se dizia há um ano e meio dos portugueses, quando eramos comparados com os Gregos, para sermos um exemplo no mundo.

A lavar a cara, com esforço e sacrifício, mas com honra e orgulho.

Custa, mas está a valer a pena…

E que bonita fica a nossa bandeira, sem a cor da vergonha.

Até para a semana…

Rui Barreira
(escreve às quintas-feiras)

Comentários

comentários

Powered by Facebook Comments