UMA VISÃO DIREITA – “A alternativa (ir)responsável! A esquerda, a Direita…”

Chegamos a um ponto crucial da nossa vida política e económica. Um momento em que se discute o orçamento de estado para 2013 e onde todas as medidas são postas em causa. Umas porque são duras demais. Outros porque são contra direitos instalados. Outras porque corrigem injustiças, mas que ainda não chegam. Outras apenas porque sim. Por isso este é um momento marcante, porque definirá o futuro do País decisivamente.

E se por um lado o Governo apresentou o Orçamento de Estado para 2013, pudemos constatar que António José Seguro (AJS) apresentou um artigo de opinião que intitulou de “alternativa responsável”. Apesar do título, AJS desde logo avisa que aquele não é o local, nem o momento para “apresentar de forma exaustiva” os detalhes da alternativa política que o PS tem para o País, não vá alguém questionar se é apenas isto que pensa e que pode apresentar ao País.

Aponta, no entanto, o líder do Partido Socialista, duas prioridades:

1.ª Prioridade – ter voz na Europa.

2.ª Prioridade – relançar o crescimento económico.

Diz António José Seguro que “uma alternativa política consistente tem de assumir estas duas prioridades” e que as mesmas se constituem como um desígnio nacional.

Analisemos então as prioridades de Seguro. Voz na Europa??? Ok. Fácil de falar. Mas o que é ter voz na Europa. Como pode adquirir essa voz na Europa. Não será necessário ser credível e dono do seu próprio nariz para poder levantar a voz perante os outros??? AJS esqueceu-se disso. Como se esquece de muita coisa.

Quanto ao relançamento do crescimento económico, tenho que confessar ao leitor que me sinto quase resignado. Seguro descobriu a pólvora. Quase que me sinto tentado a colocar António José Seguro à frente de um Governo de Salvação Nacional, uma vez que tem a solução milagrosa para a crise. Pena é que tenha desdobrado a prioridade em medidas e em que as soluções são:

– Papel mais activo do BCE – o que já hoje acontece.

– Dispor de mais tempo para consolidar as contas públicas – isso foi o que o Governo conseguiu por intermédio das políticas de credibilização internacional do Pais e que cuja credibilidade tinha sido deixada na lama pelo Partido Socialista.

– criação de uma linha de crédito de 5.000 milhões junto do Banco Europeu de Investimento – que naturalmente deve estar mortinho por nos emprestar dinheiro a uma taxa de juro reduzidíssima.

– Taxa sobre as parcerias público-privadas.

Estas são algumas das propostas de António José Seguro. No entanto deixem-me focar nesta proposta de taxa sobre as PPP.

É perfeitamente vergonhoso que alguém que se sentou na bancada do Partido Socialista durante todos estes anos, no suporte ao Governo de José Sócrates, que ainda tenha o topete de falar em taxas sobre as PPP. Porque António José Seguro sabe e não ignora que as PPP estão cavalgadas em cima de contratos que não permitem a diminuição das receitas dos privados. Porque António José Seguro não sabe nem ignora que estas parceria público-privadas não contêm qualquer risco para o privado e que a criação de uma taxa ou de um imposto é apenas atirar areia para os olhos do cidadão, que teria de indemnizar o privado no montante que lhe retirou a título de imposto nos termos do contrato estabelecido.

E António José Seguro sabe, não ignora e insiste. Porque sabe que é populista e que por vezes vende.

É esta a alternativa.

Mas a verdade é que parte significativa dos portugueses aguarda que alguém lhes diga que o que estamos a atravessar é uma situação passageira e que, de hoje para amanhã, tudo pode voltar a ser como dantes. A verdade é que parte significativa dos portugueses não quer ouvir dizer que o Estado tem de ser cada vez menos interventivo na economia e que não pode dar tudo e a todos.

A verdade é que parte significativa dos portugueses prefere viver com a ilusão do que com a verdade.

É também por isto que a discussão entre direita e esquerda entra nas conversas dos portugueses e ganha contornos difíceis de explicar. Porque nestes momentos difíceis dizer que somos de direita e ou que defendemos políticas de direita, no respeito pelas pessoas e pela propriedade privada, é transformado quase que num insulto em Portugal e que é alimentado em força pela esquerda e pela comunicação social.

É também por isto que ser de direita em Portugal é ser-se apelidado, muitas vezes, de fascista (sem que muitos saibam bem o que isso é). Ser de direita, nas vozes do povo da esquerda, é um insulto aos Portugueses que fizeram o 25 de Abril, tentando-se com isso colar a direita a ditadura e perseguição. É também colar a direita ao capitalismo desenfreado sem regras nem regulação.

Mais. É por isso que nós, que somos de direita, somos atacados pelo simples facto de o sermos. Porque querer um País com menos estado, que nos leve menos impostos porque o Estado não necessita de dinheiro para se meter em tudo o que não deve.

É também nestes momentos que o mérito de cada um é transformado em desdém e inveja, porque não pode existir quem seja ou tenha mais do que eu. Porque para a esquerda e para a maioria da população que vota na esquerda, estes assumem-se como donos e únicos proprietários do estado social, sendo que a direita apenas pretende o bem dos empresários, dos “patrões” e dos banqueiros, esquecendo-se que foi a direita que mais fez pelo estado social em Portugal.

Deixem-me que o diga: a esquerda aproveita-se muito da pobreza e da necessidade das pessoas para fazer demagogia. E esta criação direita-esquerda é um dos seus melhores patrocinadores.

A esquerda fez a este País o que mais ninguém fez e ser capaz de aparecer nos ecrãs com as mãos lavadas como pilatos é demais. Vejam a reportagem da RTP sobre o Parque Escolar da última sexta-feira. Deixo-vos aqui o link:

http://www.youtube.com/watch?v=eEJRCK9yu80&feature=youtu.be.

Mas vejam de início ao fim. Para que nunca mais se esqueçam e voltem a permitir esta possibilidade.

Decidir entre o vale tudo, pois amanhã haverá quem resolva ou um tempo diferente, de responsabilidade, de verdade, por mais que isto custe a cada um de nós é a decisão que temos de tomar.

Porque se dúvidas houvesse, ainda há dias António José Seguro perguntou em entrevista á RTP: “que interessa falar do passado?”.

Eu sei que hoje em dia muito dos Portugueses já anseiam por quem lhes dê tudo, por quem lhes promete tudo, não lhes interessando a dívida para nada. Uma parte da sociedade portuguesa ainda que o Estado lhes suporte tudo. E outra parte da sociedade portuguesa está de acordo com a austeridade, mas apenas desde que não lhes toque.

Cortes na Educação? Claro que sim, desde que não seja para os seus filhos.

Cortes na Saúde? Claro que sim, desde que não pague taxas moderadoras e seja servido como, quando e onde entender.

Cortes na Segurança Social? Claro que sim. Desde que não mexam com os seus direitos.

É exactamente o conjunto de todas estas coisas que permite que ainda tenhamos de ouvir quem afirma que deveria ter honra de primeira página de jornal, de forma censurável e negativa, a declaração de uma deputada do CDS, que em plena Assembleia Municipal de Guimarães afirmou: “quem recebe subsídios do Estado deve trabalhar, deve prestar serviços á comunidade. Não pode ficar em casa sem fazer nada”. Quase considerado crime.

É tudo isto que permite que António José Seguro se proponha reduzir o número de deputados num dia, Francisco Assis desdizer no dia seguinte e ao terceiro dia a comunicação social esquecer “naturalmente” o caso.

Que as nossas memórias não sejam curtas ao ponto de acusar quem tem o odioso de pôr as coisas no lugar, ao invés dos irresponsáveis que já se assumem como os verdadeiros salvadores da Pátria.

Que sejamos responsáveis, pois se há coisa que o País tem de fazer é de seguir um rumo. Um rumo de credibilidade e verdade, para que em breve possamos ser donos de nós próprios e, aí sim, fazermos a sociedade que queremos para o futuro.

Que cada um faça a sua parte. Com verdade, sem demagogia.

Eu assumo a minha parte, com certeza.

Até para a semana…

Rui Barreira
(escreve às quintas-feiras)
 

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