UMA VISÃO DIREITA

É 1.00h da manhã desta Quinta Feira. Encontro-me no computador a escrever esta crónica após uma pequena discussão sobre política nacional que tive ao jantar.

Logicamente que a “discussão” visava os culpados da situação. Uns defendiam que votaram num dos partidos da maioria, mas que não voltariam a votar enquanto não se esquecessem quem lhes tirou os subsídios. Outros manifestavam-se contra o facto de se referir o nome de José Sócrates. Ouvia-se “outra vez o Sócrates. Também é ele o culpado do que se passa hoje”.

Dois dos que disseram que votaram nos Partidos do Governo, disseram ainda, que hoje votariam PS, se houvesse eleições amanhã.

Eis que, em face desta atitude, surge a pergunta sacramental, que ninguém faz ou que ninguém quer fazer. O que o seduz em António José Seguro ou no PS, apesar de não conhecer nenhuma proposta para além da que defende o “caminho do crescimento e do emprego”? (como se qualquer outro líder político defendesse o contrário).

A resposta foi “Não conheço as propostas de António José Seguro e do PS porque ele não tem que as fazer. Ele não é Governo.”

Nesta mesma conversa chegaram a dizer-me, vejam lá, que quem pediu a ajuda externa, foi o PSD e o CDS e que estes dois partidos é que eram os culpados da entrada da Troika em Portugal. Porque a Troika não é, nem nunca foi necessária no nosso País. Que Portugal não tinha necessidade de ter pedido ajuda externa.

E perante isto, meu caro leitor, o que dizer?

Que, efetivamente, muita gente ainda quer viver na ilusão de um passado recente. Que efetivamente apenas querem saber do que recebem e como recebem, desinteressando-lhes quem paga e como paga.

Argumentava eu que as pessoas não se importariam de continuar a ter subsídio e abono para todos (para os que precisam e para os que não precisam), SCUT, TGV, Aeroportos novos, rotundas, estádios de futebol, computadores Magalhães, escolas de luxo, etc, etc…

O dinheiro viria de algum lado, de alguma torneira que se abria e que dava para pagar. Hoje já muitos mais sabem que, para se gastar, é preciso o ter. Mas será que temos todos consciência disso?

Porque será que a maioria das autarquias se revolta com a Lei dos compromissos? Porque a Lei dos compromissos obriga a que quando uma entidade pública decide “gastar”, que tenha a verba para o pagar.

Neste tempo de eleições, fazer sem ter que pagar era uma prática muito conhecida em muitas autarquias. Atribuir subsídios, sem ter garantida a verba, era uma prática pré-eleitoral sobejamente conhecida. Endividar para obras de duvidosa necessidade, mas de encher o olho ao eleitor, deu muitos frutos.

Muitas destas práticas foram abolidas com a Lei dos compromissos. Ainda assim, há muito quem levante a voz.

Será que Portugal e os portugueses estarão preparados para uma sociedade nova e diferente? Uma sociedade que não tem medo da legislação laboral, pois esta defende os trabalhadores que se empenham, de dedicam e têm mérito e que permite que se despeça quem não trabalha, quem não produz e que se esconde atrás de uma lei rígida que não permite a sua substituição?

Uma sociedade cujos cidadãos têm consciência que quando recebem indevidamente uma prestação, que estão prejudicar todos os outros, pois o dinheiro vem dos impostos de todos?

Uma sociedade e seus cidadãos que vejam a sua culpa e se revejam nela. Que não digam que não têm culpa de nada, porque os culpados são os políticos, os bancos, a sociedade, etc, etc. Sempre uma entidade externa e nunca nós próprios.

Quantas pessoas reclamaram por terem acesso ao abono de família sem necessitarem?

Quantas pessoas reclamaram por não terem que pagar nem um cêntimo nos hospitais?

Quantas pessoas reclamaram por não terem que pagar nas SCUT?

Quantas pessoas denunciaram as pessoas que trabalhavam e recebiam subsídio de desemprego?

Quantas pessoas denunciaram pessoas que recebiam baixa por doença e a trabalhar ao mesmo tempo?

Quantas pessoas reclamavam a construção de um pavilhão na sua freguesia, mesmo que houvesse um outro na freguesia vizinha que servia bem ambas populações?

Quantas pessoas…. Quantas???

Caro leitor.

O momento é de realidade.

E a pergunta que se impõe? Estarão os portugueses preparados para viver neste mundo real ou imaginarão que ainda é possível viver na ilusão que nos criaram durante anos?

Até para a semana…

Rui Barreira
(escreve às quintas-feiras)
 

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