UMA VISÃO DIREITA

Caro leitor,

Escrevo no dia 3 de Janeiro de 2013, depois de mais um ano passado e com a entrada em vigor do novo orçamento de Estado.

Um orçamento de estado com medidas de austeridade e com pedidos de sacrifícios aos portugueses, é certo. Um orçamento de estado que contém medidas de agravamento do IRS, é certo. E a pergunta que devem estar a fazer muitos dos leitores é a seguinte: valerão a pena todos estes sacrifícios? Só ouvimos dizer mal.

São os “inocentes” e “competentes” socialistas que nos dizem o País está a beira do abismo. São os comentadores políticos. E que curioso é ouvir os mais variadíssimos comentadores a dizer todos o mesmo, como se o mundo tivesse começado há um ano e maio quando este governo chegou ao poder.

Sim, meus caros. Apesar de sermos um povo de grande história, não podemos ser curtos na memória.

Hoje é ouvir o PS falar de transparência na privatização da TAP e na celebração de bons negócios na venda do que é público. Como é engraçado ouvir a esquerda a manifestar-se contra as privatizações, porque deve continuar tudo no Estado, apenas porque sim.

E como é engraçado que rapidamente se esqueceram que foram eles mesmos que decidiram nacionalizar o BPN e que, durante largos meses, esconderam o buraco. Esqueceram-se que falaram num prejuízo de 600 milhões de euros. Onde estão esses deputados e governantes e, já agora, também os comentadores que manifestaram a concordância com a nacionalização do BPN mas se “esqueceram” que o património se encontrava numa outra empresa que, se calhar, até nem deu jeito nacionalizar (a SLN).

Onde estão eles? Muitos ainda têm o topete de acusar este governo de ter vendido por “tuta e meia” o BPN, como se o Governo Socialista o tivesse conseguido vender por qualquer outro preço ou como se o BPN valesse alguma coisa. Sim, porque ninguém consegue explicar que num “negócio da china”, não tenham aparecido vários interessados. Mais, pergunto ao leitor: quantas contas foi abrir no BPN depois da sua nacionalização? Quantos empréstimos lhe foram concedidos pelo BPN depois da nacionalização? Sim, é que o banco vale pelos clientes que tem.

E onde estão esses governantes e deputados socialistas para comentar o facto de o Tribunal de Contas ter aferido que, de 721 processos identificados das alienações de património do Estado realizadas entre 2006 e 2011 (Governo Socialista de José Sócrates, já que as notícias preferem não o dizer expressamente), 413 dizem respeito a imóveis adquiridos por empresas públicas e que todos foram alienados por ajuste directo.

Mais, o Tribunal de Contas, liderado por um Socialista, afirma mesmo que as decisões de alienação de imóveis não foram suficientemente fundamentadas e que o facto de as vendas a empresas públicas terem sido feitas por ajuste directo “pode pôr em causa os princípios da transparência e da concorrência nos procedimentos de contratação pública.”

Onde estão eles??? Os Zorrinhos, os Seguros, os Campos, os Laranjeiros, os Soares? Onde andam???? Onde estavam eles? Onde estão? Não sabiam eles que estas eram vendas do estado para o estado, apenas para solicitar financiamentos à banca e ludibriar o buraco público? Não sabiam eles que o pagador haveria de ser o mesmo??? Não sabiam eles?

Onde estavam os homens dos negócios transparentes quando vários tribunais deixaram edifícios em Lisboa para se fixarem na zona nobre da cidade, em pleno Parque Expo, com o nome de Campus da Justiça, e que agora custam ao Ministério da Justiça mais 10 milhões de euros em rendas e condomínio que as anteriores instalações, a maioria das quais alugadas.

Onde estavam os homens dos negócios transparentes quando se descobriu que para instalação de um Tribunal em Guimarães, o proprietário primeiro arrendou ao estado, só em data posterior comprou o edifício através de empréstimo bancário e deu como garantia ao banco, pasme.-se, o pagamento das rendas por parte do estado.

Nesta escandaleira não ouvi uma única voz dos socialistas da transparência. E sabem qual foi a conclusão de um inquérito das finanças que teve de ser aberto após tanta insistência do CDS? Para a próxima não voltem a fazer assim.

Convém recordar, para que o País não esqueça ou saiba aquilo que realmente quer para o seu futuro.

E para terminar. Recordam-se da mítica barreira de 7% de juros da dívida pública, que, se ultrapassada, nos obrigava a pedir ajuda à Troika??? Troika essa que não olha a meios e nos impõe tantos sacrifícios na voz dos que assinaram e negociaram o memorando?

Pois é, meu caro leitor. Os juros da dívida pública portuguesa registam hoje valores muito inferiores aos exigidos pelos investidores na altura do pedido de resgate por parte de Portugal, os tais 7%. Os juros exigidos pelos títulos de dívida a 10 anos, estão já em 6,48%. Há um ano, os juros exigidos pelos investidores a Portugal ultrapassavam os 17% (dezassete). Na dívida a 5 anos, os juros baixaram a fasquia dos 5% pela primeira vez desde Dezembro de 2010, sendo certo que o ano passado, por esta altura, os juros exigidos para comprar dívida portuguesa ultrapassavam os 22%.

Sei que não é uma notícia que prolifere pelos “facebooks” de toda a gente. Mas que é uma realidade demasiado importante para Portugal para passar ao de leve, lá isso é.

Bom ano para todos.

Até para a semana.

Rui Barreira
(escreve às quintas-feiras)
 

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