UMA VISÃO DIREITA

De difícil compreensão…

Esta semana tivemos conhecimento público de um parecer do Conselho Nacional da Ética para as Ciências da Vida que foi entregue ao Ministério da Saúde. Um parecer que não é mais do que isso, um parecer, mas que a histeria anti-governo, ao estilo vale-tudo, consegue transformar numa decisão governamental e dar corda à esquerda radical (PS, BE e CDU) para mais uns laivos de populismo barato.

Órgãos de comunicação social dão corda ao movimento e divulgam a notícia como se de uma decisão governamental se tratasse. É preciso vender e manter o ruído. E uma notícia em que se afirma que o Governo quer “poupar na despesa com os tratamentos mais caros para doenças como cancro, sida ou doenças reumáticas” é faca em brasa em manteiga mole.

E, claro, nem uma declaração de desmentido do próprio Ministro tem o mesmo tratamento informativo, nem o maior partido da esquerda radical (PS) deixa de cavalgar a onda.

Para que conste, o Ministro da Saúde disse alto e bom som, para que se ouvisse, que o racionamento de medicamentos não constaria do Orçamento de Estado para 2013 e que “os doentes podem ficar tranquilos que terão acesso aos tratamentos que precisam”. E disse-o porque outra coisa não se esperava de um Governo de um País, ainda para mais de um Governo que integra partidos de raiz humanista.

Posto isto, passemos então à análise do “dito cujo” parecer e a parte em que eu considero de difícil compreensão por uma comissão que se diz ética…

“Vivemos numa sociedade em que, independentemente das restrições orçamentais, não é possível em termos de cuidados de saúde todos terem acesso a tudo. Será que mais dois meses de vida, independentemente dessa qualidade de vida,  justifica uma terapêutica de 50 mil, 100 mil ou 200 mil euros? Tudo isso tem de ser muito transparente e muito claro, envolvendo todos os interessados”.

Permitam-me que realce que o dizem “independentemente das restrições orçamentais”, pelo que apenas poderemos dizer que os senhores conselheiros o fazem por opção própria e de consciência.

Pois bem, não poderia deixar em claro uma declaração deste tipo. Porque me indigna e faz pensar que há quem, com determinada responsabilidade, possa ser capaz de dizer por outras palavras, que mais vale deixar morrer um português sem tratamento e sem o melhor que a medicina lhe pode dar nos últimos dias da sua vida hoje, do que lhe prestar os serviços de saúde necessários a que a sua vida acabe dignamente nem que seja dois meses depois.

Falamos de doenças graves. Falamos do cancro, que é a doença que mais mata. Falamos desta doença que faz sofrer muita gente, quer os que infelizmente são apanhados pela doença, quer as suas famílias.

Diga-se que quem já teve um ente próximo que passou por uma situação de cancro sabe bem do que se fala. Do apoio que é necessário. Do dinheiro que é necessário. Da estrutura que é solicitada. Enfim, de tudo o que é necessário para que os nossos possam encontrar a sua partida de uma forma digna, o menos dolorosa possível e com a lucidez e o afeto necessário a quem tem a noção que os seus dias se aproximam.

E é por saber bem o que isto é. É por saber o que é necessário nestes momentos de dificuldades, que não posso aceitar que num parecer de um conselho de ética se possa reproduzir o que se reproduziu. Porque é obrigação de um Estado tratar dos seus. É obrigação de uma Nação como a Portuguesa não esquecer os seus cidadãos, principalmente aqueles que não podem recorrer aos cuidados de saúde por qualquer outra forma.

Seria uma forma desumana de o Estado tratar o seus, quer tenham dois meses de esperança de vida, quer tenha dois anos. Uma Nação que não olha para os seus com dignidade e com carinho nos seus momentos mais difíceis, não é uma Nação mas antes um agregado de população, o que não sucede com Portugal.

Eu defendo menos Estado na sociedade. E defendo-o de forma a que a sociedade não tenha tantos impostos para suportar serviços que podem ser feitos de forma mais eficiente pelos privados. Entendo que o Estado e os nossos impostos deverão servir exatamente para isto, para o que é importante.

Daí que hoje, nesta minha crónica, não poderia deixar passar em claro esta visão… Uma visão errada e insensível… Uma visão incompreensível que registo negativamente.

Obviamente que não me admiro nada que o Governo a tenha recusado. Porque se há coisa que este Governo tem demonstrado é que luta galhardamente por uma Nação e pelo seu futuro.

Até para a semana!

Rui Barreira
(escreve às quintas-feiras)

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