UMA VISÃO DIREITA

Estamos hoje perante uma situação complicadíssima para o nosso País. Cumprir o memorando da Troika. Ganhar credibilidade perante os nossos parceiros e perante os investidores e ao mesmo evitar que a austeridade possa complicar a vida das famílias e das empresas.

E esta é a tarefa ingrata que este Governo tem de cumprir. Um Governo que assumiu funções com um plano de emergência em execução. Um Governo que pegou no País nas circunstâncias que todos conhecemos. Um Governo que tem de estruturalmente mudar o País e ao mesmo tempo cumprir e honrar os seus compromissos.

É certo que este já é um discurso gasto, dir-me-á o caríssimo leitor. E eu serei obrigado a concordar. No entanto não há como não falar nesta situação em face da demagogia e na falta de vergonha com que certa oposição enfrenta estes desafios. Porque por mais que me custe falar sobre o passado recente novamente, não posso deixar passar em claro a falta de vergonha com que vejo os ex-Ministros e ex-Secretários de Estado socialistas falarem sobre o actual estado do País, como se nada tivessem a ver com o que se passa. Como se não fossem eles os verdadeiros obreiros do estado actual da economia portuguesa. Como se tivéssemos chegado aqui por obra do acaso.

Sou-vos sincero. Custa-me aceitar que estes responsáveis políticos falem à vontade sem que sejam chamados à pedra pelo que fizeram. Custa-me que se deixe falar tranquilamente determinadas pessoas, como comentadores nas televisões e nos jornais, sem que sejam confrontados com a realidade dos seus actos governativos. Como podem passar incólumes a tudo isto apontando os supostos erros com dedo em riste e com a varinha mágica da solução na outra. Como é possível?

Mas eu só entendo que haja esta coragem por parte dos responsáveis políticos socialistas porque ainda há quem em Portugal acredite que é possível viver como se vivia e que o caminho dos últimos 37 anos é o correto. Porque ainda há muito quem acredite que a política de dar tudo a todos é possível em Portugal e na Europa. Porque ainda há muito quem não entenda que a política dos 3% de défice, é défice e que não se consegue viver gastando mais do que o que se gasta.

Eu só entendo porque ainda há muito quem acredite que não é necessária qualquer alteração na sociedade portuguesa para que possamos ser um País próspero e economicamente sustentável.

Porque há ainda muita gente que acredite que se pode gastar sem ter necessidade de saber como se pagará.

E começamos a ouvir declarações semelhantes às que ouvimos em 2004/2005 e que levaram à queda de um Governo PSD/CDS, que também há altura, tentava inverter o problema da balança comercial portuguesa. E começamos a ouvir o Partido Socialista a falar na sua capacidade governativa e varinha de condão. Começamos a ouvir os de costume dizer que vão voltar, embora tenham no currículo a capacidade de fazer com que uma grande nação seja obrigada a recorrer em menos de três décadas à ajuda internacional por parte do FMI.

Foram três vezes. E nessas três vezes, curiosamente, eram os socialistas que estavam no Governo.

Mas permitam-me que chame aqui à baila um assunto muito “interessante” para determinada franja da sociedade portuguesa. Permitam-me que tenha a “coragem” de falar do famoso investimento da compra dos submarinos. Sem problemas e com toda a frontalidade. Como pode qualquer membro do Partido Socialista acusar Paulo Portas de ter comprado dois submarinos sem haver necessidade? Como pode alguém do Partido Socialista ter a vergonha de apontar o dedo a Paulo Portas por ter comprado dois, repito, dois submarinos em 2004?

A falta de vergonha permite e isso acontece em Portugal sem que se relembre em todos os momentos que, inicialmente, o concurso aberto pelo Governo do Partido Socialista era para quatro submarinos, repito, quatro submarinos e que o então Ministro da Defesa Paulo Portas reduziu para dois.

Assim aconteceu, mas assim não é, nem se pretende que seja contado.

E chamei este caso dos submarinos, porque outra “novela” relacionada com os mesmos também encanta muitos portugueses. Porque também dá jeito aos encantadores de serpentes. Falo, obviamente, do denominado processo de irregularidades na compra dos submarinos.

Ainda há dois dias notícias davam como certo que o Ministro Paulo Portas era considerado suspeito no processo. Porém, mais uma vez, o submarino afundou, qual saudoso Barracuda, porque afinal o MP, a solicitação do próprio Paulo Portas, lhe comunica que este não é suspeito nem existe qualquer indício criminal contra ele no processo.

Mas será que isto importa?  Será que interessa?

Não. Isso já não interessa nada. E tanto não interessa que hoje a notícia é de que os submarinos comprados, afinal, eram piores do que o que se estimavam. E uma outra de um jornal que ainda há dois dias dava PP certo como suspeito e que hoje já garante que, afinal, são os amigos de Paulo Portas que são suspeitos.

Valha-nos ao País e aos Portugueses a competência do próprio Paulo Portas e a sua capacidade para ignorar estas notícias. Porque é uma honra para Portugal ter um Ministro dos Negócios Estrangeiros como Paulo Portas, que consegue andar, incansavelmente e diariamente por todo o mundo, a valorizar o produto português, a capacidade das suas empresas e a captar o investimento que tanta falta nos faz neste momento tão difícil, da forma eficaz como o tem feito.

E será que é valorizado o facto dos juros da dívida portuguesa terem atingido, ontem, o valor mais baixo desde Maio de 2011. Será que encontramos essa notícia facilmente?

Não, claro que não.

E por assim ser é que ainda há muitos que têm a coragem de aparecer perante o povo português investidos na profissão de médicos de e para o País, quando a única coisa que sempre souberam fazer, com distinção diga-se, foi o papel de coveiros.

Até para a semana.

Rui Barreira
(escreve às quintas-feiras)

 

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