UMA VISÃO DIREITA

O facto político da semana é, sem dúvida, o pedido de exoneração de líder do Bloco de Esquerda a que se votou Francisco Louçã.

E digo exoneração porque Francisco Louçã não só sai da liderança, como “democraticamente” quer impor o seu sucessor, ou melhor, os seus sucessores, como se fosse o maior accionista da sociedade e apenas quisesse sair da sua administração.

Curioso é verificar que agora que vai sair, Louçã queira uma liderança bicéfala no seu partido e que durante todos estes anos não a tenha querido para si próprio. Sim, porque se se defende que a melhor liderança deverá ser feita de forma bicéfala, porque não a implementou durante todos estes anos???

Será por pensar que não existe alguém com a sua capacidade e brilhantismo no BE e, assim, só duas pessoas conseguiriam fazer o seu trabalho ou será porque efectivamente pensa que é a melhor solução apenas hoje?

Eu cá me inclino para um terceiro motivo. É que Louçã quer voltar a ser líder do BE o quanto antes e a liderança bicéfala dá-lhe margem de manobra para o fazer mais rapidamente e quase com a aclamação do D. Sebastião, ao contrário do que acontece hoje, em que começa a ser criticado pelos mais variados quadrantes do seu partido.

Acresce que das palavras de Louçã a Judite de Sousa retirei duas conclusões importantíssimas:

– a de que continuará a defender uma política anti-troika;

– e de que combaterá o desemprego.

Ou seja, Louçã diz exactamente aquilo que nos vem transmitindo há longos anos: é demagogo e não consegue avançar com uma única medida concreta de resolução dos problemas de Portugal.

Como pode alguém seriamente defender políticas anti Troika. Estará o Estado Português em condições de dizer “nós não cumprimos porque não queremos ajustar-nos, mas mandem o dinheiro à mesma porque nós estamos mesmo a precisar”?

Logicamente que não. Seria uma irresponsabilidade e uma humilhação e atirar-nos-ia para patamares Gregos.

E como diz que combate o Desemprego? Louçã não diz, nem concretiza. Porque no fundo sabe que as suas políticas seriam o início do precipício de Portugal.

E não queria deixar de finalizar esta minha reflexão sem me referir ao conceito de democracia de Francisco Louçã. Alguém que avança com os nomes de João Semedo e de Catarina Martins para a sua sucessão, apresentando-a como uma solução forte, é bem esclarecedora da forma como o líder do Bloco de Esquerda encara a democracia.

É por isso que Francisco Louçã e as suas políticas não devem ser levados a sério. A bem de Portugal e dos Portugueses.

O discurso do Bloco hoje está esgotado. A sua morte começou quando lhe propuseram a responsabilidade de partilhar o Poder e se recusou a fazê-lo. Também se negaram a receber a TROIKA, o que acabou por ser mau demais.

A verdade é que Louçã sentia que podia ser empurrado. Não vai, é verdade. Mas também é certo que não se quis sujeitar a tal papel.

E esse sim era o grande receio do líder do BE, por mais que diga que é hora de dar o lugar a outros.

Até para a semana.

Rui Barreira
(escreve às quintas-feiras)

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