Na verdade, esta pugna futebolística entre FC Porto e Chaves conta-se em duas partes distintas, duas histórias: a da primeira parte, em que a equipa azul e branca patenteou um futebol pouco criativo, parco em imaginação, lento nas transições defesa-ataque e, por outro lado, uma equipa flaviense que demonstrou saber estar no terreno, bem à imagem da estratégia de Luís Castro, e que se pautou por um comportamento defensivo com todos os elementos a protegerem o último reduto, sem que se possa dizer que jogou com uma viatura de transportes públicos à frente da baliza, muito longe disso. Como se viu, duas das melhores oportunidades em todo o jogo pertenceram aos transmontanos. O FC do Porto foi muito dominador na primeira metade do jogo, sem que daí adviesse qualquer jogada de perigo para a baliza à guarda de Ricardo Nunes.

O segundo tempo foi portador de outra atitude no jogo por parte dos portistas. No intervalo Sérgio Conceição deve ter alertado as hostes no balneário para o facto da partida com os turcos do Besiktas decorrer apenas na próxima quarta-feira. Com a entrada de Tiquinho Soares a equipa ganhou outro fulgor e até Marega parece ter ganho novo fôlego e arreganho técnico para levar de vencida a equipa do Chaves. O futebol complicativo em que Brahimi se enredou parece ter ficado mais solto. Há uma jogada, ainda no primeiro tempo, aos 15 minutos, em que o argelino rompe até à entrada da área finta dois ou três adversários e dribla outros tantos, mas não endossa a bola a nenhum dos companheiros, pois a muralha do Chaves não lhe permitiu veleidades. Era a imagem de um conjunto azul e branco a fazer lembrar o pior protagonismo de um passado recente. A este FC Porto sem abre-latas dos 45 minutos iniciais, contrapôs-se uma equipa azul e branca mais consentânea com as últimas exibições.

São de destacar em termos de perigo causado às redes, aos 27 minutos, a jogada em que o Chaves podia ter marcado, com um remate forte de William ao qual Casillas corresponde com uma defesa segura, embora Bressan estivesse em fora-de-jogo e o árbitro acabasse por anular o lance. E na segunda parte, a jogada construída pela determinação de Aboubakar que com um remate cruzado ao segundo poste e, com três defesas flavienses na área, consegue desfeitear o guardião Ricardo Nunes após tirar dois deles do caminho, numa ocorrência de jogo cronometrada aos 48 minutos.

Depois de um livre do Chaves marcado por Paulinho ser defendido pela guarda-redes espanhol do FC Porto, aos 52 minutos e de um remate flaviense que saiu um pouco acima do travessão aos 56, Tiquinho Soares quase marcava num canto marcado por Layún aos 60 minutos. William falha clamorosamente só com Casillas na frente e o Chaves repete a dose aos 80 minutos, com mais um fracasso idêntico aos 80. E como é dos livros, “Quem o seu inimigo poupa, nas mãos lhe morre!”, os azuis e brancos fazem o 2-0 através de um penálti cometido por um defesa flaviense causado por mão na bola em plena área. Soares não desperdiçou à segunda, permitindo a defesa a Ricardo Nunes na marcação, foi na recarga que facturou para os portistas aos 85 minutos.

Marega foi o autor do último golo, ele que foi considerado o melhor em campo. Recebe um cruzamento largo a pingar na área que o Maliano concretiza de primeira através de um remate rasgado ao segundo poste. Estava feito o resultado final. O FC do Porto foi um justo vencedor, mas o Chaves deu muita réplica, talvez uma diferença de golos menor espelhasse mais em conformidade o que se passou em campo.

Porto
Ataques – 39; remates à baliza – 7; cantos – 6; faltas cometidas – 15; remates para fora – 4; livres – 2 Foras-de-jogo – 2

Chaves
Ataques – 19; remates à baliza – 3; cantos – 3; faltas cometidas – 14; remates para fora -5; livres – 3; foras-de-jogo- 1;

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