Direitos Reservados

Passa um minuto das 22h00 e os australianos entram finalmente em palco. As luzes azuladas tomam conta do espaço, aqui e ali com feixes brilhantes de cor branca a conferirem algum contraste com as paredes carregadas de negro do espaço. A soturnidade impera. O calor rege o sítio, as portas da Sala 1 do Hard Club estão totalmente abertas para uma melhor circulação do ar. Quem está cá atrás suporta, lá à frente há suor cozido, a rodos: a imagem de cabelos e corpos pingantes de transpiração de quem se aproxima da porta de entrada do espaço vindo da zona do palco é a prova cabal desta descrição. É um problema de raiz que urge resolver, numa sala onde não está em discussão a qualidade da programação.

“Thick as Thieves” e “Love Lost” entram em toada de músicas pioneiras, ainda em regime de aquecimento. “Fall Together”, também do derradeiro álbum da banda de Melbourne, é o tema que se segue no alinhamento. A batida de percussão marca a intensidade rítmica e a voz de Dougy Mandagi, com aquele tom a namorar o falsete, faz com que o espectáculo ganhe lastro na sala que há muito estava esgotada para ver o concerto.

“Fader” conduz-nos ao registo matricial da banda: “Conditions”, de 2009. Perfila-se “Burn” na tentativa de positivamente ‘incendiar a sala cheia’. Se isso não foi conseguido, a verdade é que o apelo dançante pôs os corpos a baloiçar e o cabelo do vocalista a oscilar como um pêndulo. Nuances na paleta luminotécnica foram registadas na altura, como que a realçar o ritmo balanceado a partir do palco.

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“Trembling Hands” evidencia a boa conjugação instrumental da banda: Lorenzo Sillito dominador na guitarra e a espaços com uma fuga esporádica aos teclados, Jonathon Aherne revela-se tão competente como discreto no baixo e importa dizer que Toby Dundas está desde o início a espelhar grande aptidão na bateria. “Rabbit Hole” possui aquelas incursões vocais à Bee Gees por parte de Dougy, começa numa certa harmonia melódica e cresce mais ritmada do meio para o final.

Os acordes iniciais de “So Much Sky” ecoam e mais uma vez Thick as Thieves é eleito como o álbum a versar. A guitarra, a bateria, o baixo e os teclados soam em uníssono harmonioso. “Ok. We’re we go! Wake up,  guys!” Dougy parece querer despertar o público de uma certa letargia e convoca-o para uma participação mais efectiva. Ensaia um cântico que envolve os que estão do lado de lá do palco e os que estão do lado de cá, o resultado da entoação é o do coro de uma autêntica claque de futebol em “Ordinary World”.

Há uma inundação de vermelho primeiro e logo após entra em cena o violeta quando está a ser tocado o tema “Summers Almost Gone” e pouco depois o azul e o branco regressam para banhar de luz os músicos e o palco. O ‘drum and bass’ é cadenciado e notório nesta altura.

E é em tons mais alaranjados, a parecerem teias luminosas e compactas, que os músicos atacam “Science of Fear”. O espectáculo ganha outra vida, literalmente, quando a escolha da banda recai em “Resurrection” e as coisas que tardavam a chegar ao ponto de ebulição ficam agora bem mais agitadas.

“Alive” e “Drum Song” (com aquela batida forte na percussão) rematam o alinhamento. São chamados para regressarem ao palco e desfilam “Soldier On” do álbum Conditions. A voz suave e melódica do vocalista sobressai uma vez mais. “What If I’m Wrong” revela uns falsetes de Dougy à boa maneira de Freddy Mercury e a epifania com epicentro no Hard Club finda com toda gente a cantar e a registar para a posteridade nos telemóveis o momento doce do hit “Sweet Disposition”.

Pode e deve dizer-se que os australianos sem terem deslumbrado também estiveram longe de desiludir, ao longo de uma hora e vinte minutos assistiu-se a um concerto competente dos The Temper Trap.

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