The Runner Reporter: Não tens “pica” para correr? Rasga todos os manuais!!

"Disse para mim mesmo que apenas ia correr quando me desse na cabeça. E assim fiz."

A felicidade de saber que não tinha nada no coração, foi a resposta que eu queria ouvir para recomeçar os treinos e arrancar definitivamente para a melhor forma possível e enfrentar as provas futuras com garra!

Assim sendo, recomecei os treinos. Primeiro dia com um treino ligeiro porque estava há quatro meses sem treinar. Segundo dia a mesma coisa. Ao terceiro dia… a vontade era muito pouca e por isso corri muito pouco. O que é certo é que nos dias seguintes o esforço para calçar as sapatilhas e correr era enorme e já parecia tortura.

O que eu quero dizer é que, apesar de ter total liberdade por parte dos médicos para correr, não tinha “pica” para o fazer. É inacreditável não é? Para mim, que corro desde os 16 anos e que estava entusiasmado com o trail era novidade. Deixei de ter “pica” para correr. E agora?

Agora fiz o que ninguém diz para fazer e por isso não está escrito em lado nenhum. Desliguei-me completamente da corrida. Nem corria em estrada, na cidade, no monte. Nada! Aquelas ideias de correr nem que seja 30 minutos por dia, ou aproveitar o bom tempo do fim de semana para fazer umas corridas, foram postas de lado. Deixei de correr em grupo. Deixei de combinar treinos. Não queria qualquer compromisso ligado à corrida, nada, zero!

Acreditem, deixei de pensar em correr. “Ponto final na corrida por uns tempos”, pensei eu e foi o que fiz. Rasguei todas as páginas que ensinam os truques para correr melhor. Apaguei todas as páginas da net onde nos dizem os “5 passos para isto ou para aquilo”.

Disse para mim mesmo que apenas ia correr quando me desse na cabeça. E assim fiz. Ora no primeiro mês fazia uma ou duas corridas. Não olhava para o relógio, corria o que me apetecia no momento. Fazia o percurso que me apetecia. Nada era programado. Nada!!

E assim foi. Depois lá comecei a correr mais vezes no mês seguinte. Mas sempre sem sentir obrigação nenhuma e quando tinha mesmo vontade. Aceitei um convite para treinar no monte. Chegou. Continuei a treinar por caminhos escolhidos no momento. Sempre a improvisar o caminho. Ou seja, não pensava antes por onde ia correr, no momento escolhia.

Os meus compromissos profissionais obrigavam-me a fazer viagens pelo país. Então aproveitei para levar o saco sempre comigo. Não havia a obrigação para correr, havia sim a obrigação para levar o equipamento. Se desse a vontade corria. Como estive em várias cidades diferentes, naturalmente e sem sentir obrigação corria sempre. Isso fez-me aumentar os quilómetros corridos e a melhorar o estado físico.

Digo-vos que resultou. Agora corro com “pica”. Mais ou menos quilómetros por dia, mas corro.

Amigos, se não têm vontade para correr não corram. Não se preocupem. Se realmente gostam de correr, não se preocupem. A vontade de correr virá naturalmente.

#therunnerreporter

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