The Machine Wolf, a atitude animal em formato sonoro

Chegou o dia, o dia que aquele que muitos apelidaram de “Cult” entre amigos, finalmente fundou a própria banda. É o realizar de um sonho? Talvez, mas é antes de mais a forma de caminhar sozinho pelos sonhos. Mas vaticino que não irá caminhar sozinho muito mais tempo, os fieis estão a chegar e vão partilhar contigo uma estranhesa, a tua música. E como a classificar? Pois não vou classificar o estilo de música, mas antes afirmar que a mesma é como um fio condutor de várias ideias de três experientes musicos. Colocaram tudo dentro de quatro paredes (estúdio) e o que saiu foi um booom de emoções, de experiências longas e afinadas, entre bateria, máquinas, guitarra e voz. Parece que a loucura saiu dos instrumentos diretamente para os nossos ouvidos, mas o que está a sair mesmo é qualidade sonora! A entrevista que Jorge Oliveira, líder dos The Machine Wolf deu, em exclusivo, ao GLOBAL NEWS.

Depois de teres passado por várias bandas, a última os GNR, chegou a hora de criares os The Machine Wolf (TMW). Porquê?
Na realidade, a vontade de criar algo sempre esteve presente, o que aconteceu nos anos anteriores, foi que tive felizmente outros trabalhos para fazer, alguns deles inadiáveis.

E porquê agora?
Tive oito anos nos FINGERTIPS, pelo meio gravei HANDS ON APPROACH, participo activamente em DARKO desde 2010, tive os SOUQ e a JOHNNY BLUES BAND, bandas que também ajudei a criar e que me ocuparam muito tempo.. e depois, o convite dos GNR, que foi como que a “Sereia no topo do Bolo” (como diz o Rui Reininho) ao fim destes 20 anos de carreira, e como se deve calcular, irrecusável.

No meio de tudo isto, “tive de ir” para Escola Superior de Música de Lisboa licenciar-me em Jazz, porque sim, porque sempre quis e porque entendo que num curso destes, vamos essencialmente enriquecer as nossas qualidades e ganhar mais capacidades e conhecimento para podermos desenvolver a prática do instrumento de uma forma muito mais lúcida e resumida.

Tenho ‘ainda’ de ter tempo para leccionar nas duas escolas (MUSA / Aveiro e Atelier de Percussão do Porto) onde trabalho, e para o que mais amo na vida, que são as minhas duas princesas Maria e Inês. Para mim, reservo o tempo que sobrar de tudo isto!

 Fala-nos da atitude animal. Essa atitude está nas músicas? É a tua atitude?
A atitude animal acho que é algo que tenho em mim desde que me conheço, desde que tive de começar a viver sozinho, desde que tive de começar a trabalhar com 14 anos para conseguir tudo aquilo que consegui até aqui. Não foi fácil. Desde muito cedo que tive de ir à luta, deixei os estudos para trabalhar. A minha mãe faleceu quando eu tinha sete anos de idade, vivi com a minha avó e com alguns dos meus irmãos mais velhos até aos onze. Fui viver para um local totalmente desconhecido e com uma realidade diferente ao que estava habituado, com o meu pai e com a sua nova companheira. Vinha da Madalena, em Gaia, em finais dos anos 80.

Cheguei ao Porto e tudo mudou. Com essa idade e até sensivelmente aos vinte e sete, fui feirante, fui electricista, fui trolha, fui sapateiro. Até ao dia em que a falência da empresa onde trabalhava coincidiu com o convite dos FINGERTIPS. A partir daí, não mais deixei a música, até aos dias de hoje, felizmente. Tive o meu primeiro par de baquetas aos dez anos de idade, e a primeira bateria aos vinte.

Apesar de todas as dificuldades, hoje sou uma pessoa realizada, trabalho finalmente no que mais amo fazer, e o passado, no meio de tantas ‘variantes’ acabou por ser uma escola de vida que me moldou positivamente para a pessoa que sou hoje.

A primeira palavra que me veio à ideia, quando estava a ouvir as vossas músicas foi “cru”. Um som cru, melódico mas ao mesmo tempo fora dos trâmites vulgares. Parece que o artista está a esculpir uma pedra para produzir verdadeira arte. Fala sobre o som da banda. Achas o som contemporâneo?
De facto, o nosso som não sendo nada de novo (porque isso é uma tarefa, não diria impossível, mas quase, seja para quem for), acaba por ser diferente.

É diferente pela diferença de idades e de vivências no seio da banda, pela mistura de influências, pela mistura de texturas sonoras, pela mistura de estilos… enfim, já nos ‘rotularam’ de coisas tão distintas… Entendo e aceito perfeitamente, porque de facto, nós nos TMW temos particularidades que nos fazem chegar ao resultado que se conhece.

A nossa principal preocupação, passa por criar música audível e dançavél para as pessoas, queremos muito que a nossa música seja ouvida por todos e não somente por um nicho. Temos uma preocupação bem vincada no conceito, na estética, entendemos que a mistura da nossa música tenha de ser com determinado detalhe, queremos e fazemos por existir nos nossos temas diferentes partes, diferentes ambientes. É isso que nos pode dar alguma originalidade, é isso que também nos pode trazer uma identidade, que julgo ser fundamental para se marcar uma posição.

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Como surgiu o nome? Que significa?
O nome surgiu da fusão de dois temas (Love Removal Machine e Brother Wolf, Sister Moon) de uma banda da qual gosto desde os meus nove anos de idade, os The Cult, uma espécie de banda que traduz toda uma adolescência e não só. Julgo que retirando as respectivas palavras desses dois temas para a construção do nome The Machine Wolf, chega-se a uma conclusão, tem muito a ver com a nossa identidade musical.

Temos “THE MACHINE”, que são as máquinas que usamos, que gostamos imenso e que não abdicamos para a composição/arranjos, até porque estão também bem presentes nas nossas mais recentes influências, das quais analisamos e estudamos muito para nos inspirarmos. E temos “WOLF” (lado animal) que traduz muito das nossas influências passadas, mais orgânicas, mais “feitas à mão”, que se traduz também e muito no nosso conceito sonoro, a tal faceta crua de que falas.

Quem é a banda?
Da banda fazem parte também o Gonçalo Lemos (Guitarrista), um rapaz que foi meu aluno há uns bons cinco/seis anos atrás e que para além de ser um talentoso na bateria, também toca muito bem guitarra. É um miúdo de quem gosto muito, pela sua postura, pela sua humildade, pela sua honestidade, pela sua capacidade, pelo seu profissionalismo e principalmente pelo amigo que tem sido. Um ser humano com todas as suas qualidades a roçarem o nível máximo.

Temos também o Marcelo Pestana (Vocalista), outro “puto” que me apeteceu e muito convidar. Diria que o Marcelo é um diamante em bruto, que precisa e que está a ser lapidado para atingir o nível a que ele mesmo se propõe. Tem muita vontade, tem muito amor à música, quer muito fazer disto a sua vida. Em palco, é um animal que vos irá surpreender a todos, e é também ele uma pessoa excepcional, factor esse determinante para que tenha sido o escolhido para o cargo.

Estes dois “rapazotes” são os que se conhecem da montra, mas há mais. Aqueles que como em todos os projectos/bandas ficam na sombra, mas que são também eles, membros importantíssimos da máquina, da família.

O Xavier Marques na Gravação, Produção e nos Synths não tenho assim tantas palavras para o descrever, porque me falta lucidez na altura de o elogiar e/ou mencionar. Além de ser um mágico no seu trabalho é um incrível profissional. Organizado, prático, rigoroso, disciplinado, metódico e critico quando tem que ser. Um daqueles seres humanos em vias de extinção. Também ele um amigo para o resto da vida que ainda nos falta.

Temos por fim mais duas pessoas importantíssimas. O Leonardo Pinto, que será o DJ Live Performer, elemento que tratará de todos os samples e sons a serem “disparados” e/ou tocados ao vivo, e o Márcio Paranhos, que é meu aluno de bateria no Atelier de Percussão do Porto e para além de ser um rapaz também ele excepcional, tem a capacidade de juntar várias facetas. O Márcio é músico, VJ e ainda tem tempo para tratar de todo o Artwork dos TMW, uma categoria, um prazer impagável e que agradeço para sempre o facto de o ter a colaborar connosco.

Tenho portanto a sorte de ter (mais estes) dois excelentes miúdos interessados desde o dia em que lhes mostrei pela primeira vez os temas do “Eclectric” ainda inacabados, a participar na elaboração, no crescimento e desenvolvimento dos The Machine Wolf. É uma sorte e uma felicidade para qualquer equipa.

Curiosidades do presente/futuro?
Estamos nesta fase a criar, estamos a preparar já o segundo EP, que verá a luz do dia no final do Verão deste ano e se calhar com uma participação especial.

Não demos ainda um único concerto, porque estamos também ainda a criar repertório para podermos proporcionar a quem nos possa ir ver, um espectáculo digno e com a qualidade que impomos no nosso dia-a-dia. Contamos iniciar esse processo no inicio do Outono, vamos ver.

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