Há territórios de um Porto desconhecido que muitos nativos ignoram e apenas um turista mais experimentado e afoito ousaria conhecer. São essas morfologias acidentadas, preenchidas por um casario com gente dentro, as responsáveis por este périplo performativo, com diversas representações teatrais ao longo do percurso, que a companhia Circolando está a promover entre, hoje, sexta-feira, 15 de Setembro, e o próximo domingo, dia 17, na zona que gravita em redor das Fontaínhas, no Porto.

Inserida no plano de programação da Cultura em Expansão, um projecto desenhado pela Câmara Municipal do Porto cujo mote é o envolvimento social dinamizado através da Cultura enquanto ferramenta utilitária de animação e participação dos indivíduos que a ela não acedem com frequência, este ‘terceiro episódio’ do Espírito do Lugar 3.0, dedicado às Fontaínhas e à sua área envolvente, é um roteiro alternativo ao mapa turístico comum.

A Circolando sabe do que fala e apresenta o desígnio a cumprir: “Traçamos um percurso num território diferente da cidade e propomos uma visão singular sobre o lugar. Em cada espaço, é valorizada a sua dimensão existencial. A mistura de discursos, memórias, sensações, vivências. A multiplicidade de camadas, a pluralidade de durações. As apresentações têm lugar in situ e todo o processo conta com a proximidade e colaboração dos habitantes locais.” Como podemos comprovar no ensaio geral, não se afastam uma vírgula deste apanágio citado.

Os que respondem afirmativamente ao convite da companhia têm de palmilhar terreno, mais ou menos irregular, ao longo de umas três horas de duração, mas não sairão nada arrependidos da opção. Serão testemunhas privilegiadas de uma realidade ficcionada que espelha bem o ‘Espírito do Lugar’. Serão cativados pelo belo discurso de um eremita que fez da encosta contígua ao rio o seu habitat ou pelas diatribes de uma noiva ao jeito da mistura de uma ‘woman in red’, com sucessivos véus brancos feitos de cortinados e do candidato pimba e narcísico ao seu ‘ás de copas’, vulgo coração, que rima com São João, o santo que a espaços também é protagonista deste trabalho teatral.

Conhecer os interstícios de uma Ilha do Porto, lugar onde as pessoas vivem mano-mano, com uma arrumação peculiar do espaço e os tradicionais quintais da Invicta é outro dos pontos do menu, para o efeito recorre-se às vivências e às memórias de quem já habitou o local. Podemos dizer que é um trabalho de nível, vivido num lugar de desnível. Nas abordagens cénico-performativas da Circolando, as viagens entre o Céu e o Purgatório fazem-se num ápice. E agora, que já desvendamos muito para além do véu da noiva supracitada, toca a meter pés ao caminho que entre outros lugares, este espectáculo-percurso (sempre a partir das 18h00) passa pela Praça da Alegria, Rua de S. Vítor, Calçada das Carquejeiras e pelo Passeio das Fontaínhas. A companhia aconselha o uso de roupa quente e de calçado confortável.

Recomenda-se a marcação através do endereço de correio electrónico: c.santos@circolando.com ou via telemóvel para: 939 482 601.
Direcção artística: André Braga e Cláudia Figueiredo
Co-criação e interpretação: Costanza Givone, Daniela Cruz e Ángela Diaz Quintela, Gil Mac, Cláudio Vidal e OCP, Joana Carvalho, João Melo, Paulo Mota
Co-criação e vídeo: Gonçalo Mota e Vitor Costa com o convidado especial Francisco Correia (BØDE)
Produção: Ana Carvalhosa (direcção) e Cláudia Santos
Luz e técnica: João Abreu
Apoio espaços: Rodrigo Queirós
Co-produção: Circolando e Câmara Municipal do Porto / Cultura em Expansão

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