O magnífico panorama que se desfruta sobre o estuário do Douro, a partir do sítio onde decorre a presente edição do Festival Meo Marés Vivas, constitui um belo refúgio romântico. A música patenteada parece ter estado em conformidade com a estética do local.

Diogo Piçarra. créditos: Diogo Baptista

Depois de Diogo Piçarra ter feito as delícias do segmento mais feminino presente no festival, ainda o sol não havia caído em toada crepuscular, Tim Chaplin arrancou com “Still Waiting”, do álbum a solo The Wave. E foi conquistando paulatinamente a audiência com temas dele, mas sobretudo com os hits dos Keane. Portador de uma bandeira portuguesa sobre os ombros e o tronco, o britânico mostrou-se bonacheirão e simpático no seu fato negro a ostentar algum brilho espelhado por algo semelhante a umas lantejoulas.

“Hold On To Your Love” foi muito saudado e teve dedicatória especial endereçada à companheira de vida. “Everybody Changing” e sobretudo “Somewhere Only We Know” foram directos ao ventrículo esquerdo da anatomia colectiva.

Bastille. créditos: Diogo Baptista

Em dia do 31º aniversário de Dan Smith, o vocalista teve direito a bolo comemorativo quase no rodapé da epifania. Os Bastille concederam um concerto muito competente. “Send Them Off” faz uma boa promessa de sonoridade na abertura do espectáculo, em toada rítmica electrizante. O tom sónico baixa ligeiramente em seguida, para ganhar fôlego com “Flaws”. Dan andou a tomar banho de audiência ao longo do tema, cumprimentando os fãs. “No Angels” e “Things We Lost In The Fire” entraram a preceito, numa altura em que Chris “Woody” Wood, o icónico baterista, ensina à miríade a simbologia do “A” da banda e força de forma simpática o público a interpretar o gesto em forma de triângulo.

Momento para tracejar na memória é o da (re)interpretação do hit de Corona, célebre tema dançante dos idos anos 90: “(The Rhythm) Of The Night”. O público explodiu a dançar e a entoar a música. “Pompeii” fez o resto, já no final e com a audiência rendida.

E quando alguns pensavam em entrar em debandada (a outra só virá lá para Setembro), eis que alguém decide Agir em conformidade: o músico português, incumbido de fazer cair o pano neste primeiro dia, desfilou quase uma vintena de temas musicais, durante bem mais de uma hora em palco.

Agir. créditos: Diogo Baptista

Agir soltou aquele hip-hop peculiar, que mescla diversos estilos e os assimila como vestígios contributivos para o diapasão. Destaque para “Leva-me a Sério”, “Bola de Cristal”, com o convite visual para presença no ciclorama de Ana Moura, sempre bela, até na distância presencial por contraponto à proximidade das imagens em “Manto de Água”.

E se o concerto já está de chama acesa, ganha ainda mais lastro de centelha com “Makeup”, “Como Ela É Bela”, “Parte-me o Pescoço” e “Tempo É Dinheiro”. A despesa estava feita para a primeira noite.

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