Rivoli dança com “Brother” no dia em que completa 85 primaveras

“Brother”, de Marco Ferreira da Silva, traz-nos gente que entre outras coisas faz gingar o corpo num movimento circular colectivo, pontuado aqui e ali por deserções à ordem estabelecida. Os rostos estão pintados de amarelo, como se estivessem temperados por um açafrão solar, a cor predominante das luzes que banha os bailarinos possui esse tom gemado a sugerir uma ambiência tropical e exótica. Por vezes, as anatomias agitam-se um pouco mais e os intervenientes da dança ensaiam passos toscos de gigantes da montanha. Por vezes, esse balancear ritmado descreve órbitas em palco e as anatomias oferecem-se aos nossos olhos como jogos tribais.

O coreógrafo descreve com expressões simples o espectáculo de dança que vai coroar o 85º aniversário do Rivoli, mais logo à noite, pelas 21h30: “É um trabalho que me transporta até à infância”, diz em tom entusiasmado. E como maestro dos corpos no estrado, defende o conceito que foi a matriz do trabalho: “Este é um colectivo que se tenta repensar. Na essência tenta repensar o corpo e também o esforço de ser capaz de esquecer o que ele carrega em termos de memória.”

O convite para ajudar a soprar as velas desse teatro ‘octogenário e meio’ está feito. Agora, é só ‘entrar na dança’.

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