Perdidos no monte num treino de alto risco psicológico!

eu e vitor no monte 1

Agora que tenho a certeza que está tudo bem com a minha saúde, posso recomeçar os meus treinos com vista a fazer um calendário criteriozamente escolhido por mim. Mas acreditem que, depois da felicidade que eu tive em saber que estou livre para correr, não tem sido fácil o arranque dos treinos regulares.

Em conversa com alguns corredores, percebi que afinal o problema não é apenas meu. Infelizmente há muito boa gente que também tem tido dificuldades em voltar aos treinos depois de uma lesão prolongada.

Mas com a ajuda de amigos, lá tenho feito alguns treinos. Um dos últimos foi feito com o meu amigo Vitor Caldeira. Combinamos começar e terminar na Igreja de Santa Justa. Seriam 13 kms…

Um treino que seria de 13 kms afinal foi de 20. Mas o mais curioso e quero nesta crónica destacar, não foi o treino de pernas, o treino fisico propriamente dito, foi sim o treino mental.

A estratégia estava montada, seguir o trilho que arranjamos na net, um de muitos! “Não será muito difícil”, pensamos nós. Tinhamos visto na net, início e chegada na Igreja de Santa Justa. Primeiro a descer e depois a subir.

eu e vitor no monte

Levamos tudo o que é exigido numa prova. Água, gel, manta térmica, apito, telemóvel, barras energéticas. Quem vai correr para um monte que não conhece, não dá para facilitar. E o nosso pensamento foi o correto. Mais à frente vão ver porquê.

Siga para bingo, o mesmo é dizer vamos lá galgar o mato. Começamos de manhã cedo na igreja e sempre a descer inicialmente. Quero dizer-vos que este percurso em concreto não foi possível fazê-lo tal e qual estava no relógio. Houve sempre variantes. E ai é que esteve a adrenalina.

De quando em vez tinhamos que fazer uma pausa para termos a certeza que estavamos no trilho certo. Vou abreviar um pouco a aventura. A dada altura tivemos mesmo que parar, beber água e pensar como deviamos seguir. E… seguimos o nosso sentido de orientação. Sem entrar em pânico. Continua a galgar, pensava eu, sempre em frente. A meio do treino, que à medida que o tempo ia passando mais parecia uma prova de sobrevivência, senti que o rigor que tinhamos colocado neste treino fazia todo o sentido.

Passamos para a outra margem de um rio, toca a subir… bem, afinal temos mesmo que descer e passar para o outro lado. Tentamos passar pelo rio, calculamos o risco e decidimos que o melhor era voltar pelo mesmo caminho até à margem do lado de lá e seguir em frente.

Continua a hidratar, água, gel, barras e siga, continua a correr. Já estavamos nas três horas de corrida e não tinhamos a certeza absoluta que o caminho que estavamos a percorrer era o correto. Perguntamos a uns transeundes que nos disseram que sim, estavamos a ir na direção certa. Ok, continua. Continua, será por aqui, sim, vamos subir. Subimos, continuamos a subir e aqui o nosso instinto funcionou mais que nunca. “Só pode ser por aqui” pensei eu e provavelmente também o Vitor.

Mas que parede!! A subida nunca mais acabava. Até que… vi ao fundo, lá em cima a igreja. “Vitor continua que vamos bem”, disse eu em voz alta ao Vitor que ia bem à minha frente porque o andamento dele é bem superior a mim. Mesmo antes de chegar à igreja ainda me perdi mas o Vitor veio ao meu encontro e a aventura acabou bem.

Desta aventura que adorei quero sublinhar aqui três notas importântíssimas! O treino fisico passou para segundo plano. Treinamos muito a parte psicológica. Nunca stressamos o suficiente para nos despistarmos. Nunca entramos em choque um com o outro. Nunca perdemos a esperança de que o nosso instinto estava correto. E este treino, amigos, é tão ou mais importante do treino fisico. Valeu a pena. Corremos riscos? Corremos.

monte valongo 1

A segunda nota vai para as fitas que encontramos ao longo dos trilhos que percorremos. Não sei a que corrida pertenceram mas diziam Gondomar. Por muito que se diga, continuamos a encontrar fitas “esquecidas” no monte e também encontramos algumas embalagens de gel. Isto demonstra que ainda há muita gente a correr que não tem respeito pela natureza. E isso amigos, não é trail, é desordem pública.

A terceira e última nota vai para uma zona que encontramos a meio do treino, supostamente vedada para a caça. Em conversa com um dos caçadores, fomos informados que estavam vedados 50 hectares para a caça. Cinquenta?? E onde vimos apenas uma fita e um aviso disso mesmo. Não sei o que diz a lei, mas parece-me a mim que 50 hectares é muito. E penso também que a área devia estar muito mais sinalizada do que estava esta.

Venha o próximo desafio!

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