Tataki de atum

Vale a pena aproveitar o verão para passear pelas rias baixas, na Galiza. Não ficam longe de Portugal, as paisagens são bonitas, as praias têm areia branca e temperatura da água aceitável. Dispensava-se o vento que se atira sobre a Lanzada e o Grove, mas se assim não fosse, o passeio era perfeito e isso é coisa que não existe.

Um passeio por esta região de Espanha permite-nos perceber o quanto a gastronomia espanhola evoluiu e como já deixou para trás a ideia dos bistecs e da ternera a la plancha, tão querida dos portugueses que tiveram a oportunidade de visitar Espanha nos anos 80 e 90.

Nas visitas que fiz na Galiza, sobre as quais escrevo hoje e em próximas crónicas, senti muito presente a noção de proximidade: dos chefs com o receituário tradicional, que desenvolvem e evoluem, da cozinha com as matérias-primas disponíveis e das gentes com o orgulho galego. Não são raras as vezes em que a Galiza está presente 100% da refeição. No pão, manteigas, azeite, legumes, peixe, mariscos, carnes e vinhos… E que bem que sabe!

casa-auroraComeço por um restaurante em Sanxenxo, na rua pedonal em frente à Marina (a rua da praia dos barcos) e que se chama Casa Aurora, que data de 1943, aberta pela avó dos atuais donos e que terá servido de apoio aos pescadores. Decoração muito clara, marítima e minimalista muito ampla e cheia de luz e que regista de imediato a paixão do dono por vinhos. Não só galegos ou espanhóis, mas de todo o mundo, com especial incidência para os alvarinhos do Minho.

Salada de tomate
Salada de tomate

De época, estava maravilhosa a salada de tomate coração de boi. Um tomate muito maduro, suculento e doce, temperado com vinagre de grande qualidade e polvilhado com sal Malden. Foi uma entrada muito boa e fresca, que abriu caminho para o resto da refeição.

Seguiram-se umas zamburinhas (vieiras pequenas) no forno, que vieram inteiras e com a concha e regadas com um pouco de molho de manteiga. Firmes, com sabor intenso e muito bem acompanhadas com o molho da manteiga suave no final. Um bom equilíbrio.

Tataki de atum
Tataki de atum

Depois um tataki de atum da costa, braseado no ponto e cortado fino, criando uma cobertura crocante e deixando o interior fresco e cru. Sementes de sésamo, um pouco de sal e um molho de soja muito suave à parte terminaram o prato, acrescentando os sabores clássicos ao prato.

Fechou a refeição um “lagarto” (corte das costas) de porco preto, talvez o único ingrediente que não proveio da Galiza. Simplesmente grelhados em carvão, foi servido com massa de arroz chinesa e pimento vermelho cortado às tiras muito finas. Uma ligação do restaurante ao mundo feira de sabores cheios de personalidade e muito naturais, que deixou no ar a vontade de comer um pouco mais.

O Serviço do Casa Aurora foi informal e presente. Os empregados eram conhecedores do que a cozinha estava a oferecer no dia e fizeram as recomendações adequadas.

Sala da Casa Aurora
Sala da Casa Aurora

Uma nota final para uma fantástica lista de vinhos com contribuições de várias regiões da Europa, que é uma referência regional. Quem quer ter boas experiências vínicas sabe que a Casa Aurora (e a sua irmã “A Curva” em Portonovo) são os locais onde nada pode correr mal. E assim foi!

Texto e fotos de Paulo Russell-Pinto

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