Passeios Gourmet: Tendências gourmet para 2014

Estamos dentro do novo ano e num ano novo tudo é feito de novidades. Agora, para além dos resumos do ano passado, também surgem imensos artigos e opiniões sobre as tendências para o ano que começa. Tal como em tudo na vida, a gastronomia também é feita de modas. Os chefes, as revistas, os restaurantes, os bares fazem a diferenciação integrando novos produtos, receitas ou bebidas nas suas cartas.

Ficam aqui algumas ideias do que poderemos ver surgir no panorama de 2014 na área da gastronomia e vinhos:

Quinoa

Está a chegar aos restaurantes portugueses uma semente de origem andina (Perú, Bolívia, Colombia e Chile) que tem tido finalmente o seu reconhecimento internacional. Considerado um superalimento devido à quantidade de proteínas, hidratos de carbono, vitaminas e minerais que possui, tem um aspecto que parece uma mistura entre a cevada e o cuscus. É de sabor relativamente neutro, mas distintivo, uma textura aveludada e tom avermelhado. É um bom complemento a proteína que os restaurantes escolhem para os seus pratos.

Couve Pak Choi

Ou couve chinesa. Tem um formato distintivo em cru, mas uma fibra longa e cremosa quando mastigada. É uma couve diferente do que estamos habituados a comer. Tem sido cada vez mais utilizada fora da comida chinesa nos restaurantes portugueses e é uma excelente alternativa às propostas mais tradicionais. Prevê-se que os restaurantes gastronómicos integrem nas suas receitas a couve Pak Choi.

Alfarroba

Dentro dos produtos e ingredientes que não importamos, a alfarroba está a ser cada vez mais utilizada, sobretudo no sul. Com cada vez mais estudos sobre as excelentes propriedades nutritivas da alfarroba e um sabor característico, entre o chocolate, o caramelo e a tosta, a alfarroba não só tem sido apresentada em sobremesas, mas também em pratos principais e integradas de várias formas nas receitas apresentadas.

Ostras

Parece que voltaram a casa. Portugal tem prestígio na produção de ostras e agora parecem chegar aos consumidores. Bancas gourmet de ostras em mercados, bares de ostras e receitas com ostras em restaurantes portugueses (não só na restauração de topo), mostram a energia que está a sair das ostras produzidas em Portugal, sobretudo na Ria Formosa e no Sado. Como a ostra tem uma áurea de luxo e exclusividade, uma tendência de consumo de ostras só pode ser boa e atrair turismo endinheirado.

Mercados “Gourmet”

Cada vez mais, cada vez melhores. Se queremos ser um país gastronómico, como temos todas as condições para ser, já era tempo de integrar conceitos de mercado de outras cidades da Europa (como Viena, Londres e Valência, por exemplo) em que a nossa experiência não passa só por comprar, mas também por comer. Alguns projectos estão mais bem conseguidos do que outros, mas todos estão à procura da sua identidade e do seu espaço. Atenção a Matosinhos.

Cerveja Artesanal

No ano passado, surgiram várias marcas de cervejas artesanais em todo o país, artigos na comunicação social e a distribuição melhorou, sendo possível encontrar agora ainda mais cervejas tradicionais em lojas, bares e restaurantes. Para os apreciadores, as cervejas artesanais colmatam as poucas alternativas que existem à oferta das cervejas que dominam o mercado.

Carne maturada

No mundo anglo-saxónico, a carne maturada é comum em restaurantes, sobretudo nos especializados em carne e bifes. Em Portugal, com bastante contrainformação sobre aquilo que a ASAE permite ou não permite, estão a surgir cada vez mais ofertas desta forma de conservar a carne, depois de desmanchada. A carne maturada sofre um processo enzimático interno nas fibras da carne, o que lhe confere outra textura, mais macia, e um sabor característico.

Vinhos de Trás os Montes

Trás-os-Montes está a apresentar boas surpresas ao mundo dos vinhos portugueses. Seja de Valpaços, Chaves ou Miranda, desenvolvendo vinhos com castas menos utilizadas noutras regiões ou produzido por reputados enólogos de outras regiões portuguesas e mesmo espanholas, estão a surgir projectos coerentes e de grande profissionalismo em Trás-os-Montes. O mundo dos vinhos não se mede em anos, talvez em décadas, mas 2014 será um bom ano para perceber a coerência de algumas propostas que ali surgiram nos últimos anos. 

Texto de Paulo Russell-Pinto

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