Passeios Gourmet: O RIB e a referência das Steakhouses no Porto

No passeio anterior tive a oportunidade de explorar a “Sala de Corte”, restaurante que assume o conceito “Steakhouse” em Lisboa e que faz por romper com a forma como estamos habituados a tratar o bife e a carne vermelha em Portugal. Ainda bem!

Fico duplamente contente por descobrir que o Porto não fica atrás e que o grupo Pestana assume o “RIB – Beef and wine”, no edificado do seu hotel da Ribeira. O nome ostenta um duplo significado feliz entre um corte de carne e o local onde está inserido.

É um espaço moderno, acolhedor, a meia-luz, com uma decoração quente e pormenores com cores vivas, a fazer lembrar as salas de restauração americanas. A cozinha é liderada por Rui Martins, chefe jovem e experiente a quem foi confiado o desafio de implementar no Porto um conceito que provoca mixed feelings nos Portuenses. Por um lado comer ótima carne, por outro, pagar em conformidade…

A sala do RIB

Tive boas experiências nas minhas visitas. Escolhi vários tipos de carne, outros tantos molhos e alguns acompanhamentos diferentes. As entradas são diversas e servem para isso mesmo: preparar o estomago para a refeição que aí vem. Nas entradas recomendo acima de tudo o ovo a baixa temperatura, espargos, trufa e queijo parmesão. Feito em camadas para o cliente misturar, o momento em que juntamos tudo e provamos à colher é simplesmente delicioso. Cremoso, com o crocante a ser dado pelos espargos e o aroma pela trufa fresca. Um prato bem pensado e com os sabores bem ligados. Finaliza harmonioso, como se pretende. O carpaccio de vaca e a cecina maturada, ainda rara em Portugal são excelentes alternativas a este ovo cremoso.

A entrada

Nos pratos principais, faço sempre por abordar a refeição como uma trilogia: corte da carne, molho e acompanhamento. Pensar nas três coisas ao mesmo tempo não significa que haja fórmulas certas, pois o equilíbrio depende sempre do nosso gosto. As minhas opções foram as seguintes: Vazia, Entrecote e Lombo nas carnes, os molhos bearnês, chimichurri e aioli e puré trufado, feijocas com enchidos e arroz de grelos com chouriça de cebola como acompanhamentos. Devo destacar uma vazia muito saborosa e intensa e um lombo poderoso e suculento, que equilibraram com um entrecôte delicado. É curioso os molhos terem origens tão diferentes e distintivas como França, Espanha e Argentina. Se os dois primeiros são cremosos e intensos, o último é picante e deixa a carne com um final fresco e seco. Da próxima vez tenho que experimentar o BBQ, de origem americana e mais doce. Os acompanhamentos fizeram o que lhes competia, sem se sobreporem à carne, mesmo com ingredientes como trufa, enchidos ou chouriça.

Rib Logo

Os pontos de cozedura, elemento primordial neste tipo de cozinha foram todos servidos sem reparo: orla cinza, borda rosa e interior vermelho!

Enfim, uma incrível experiência “steakhouse” que o Porto, no seu caminho para o cosmopolitismo internacional, se deve orgulhar.

Texto e fotos de Paulo Russell-Pinto

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