Passeios Gourmet: Marco Gomes está mais informal e descontraído

Marco Gomes na sala, com a jaleca alusiva o novo conceito_700

Desde há uns dias que o “Foz Velha” partilha o seu espaço com a “Casa do Marco”, a versão mais informal e descontraída da cozinha do Chef transmontano radicado na Foz do Douro.

O espaço sofreu uma remodelação e algumas salas passaram do ambiente intimista, sério e acolhedor do Foz Velha, para uma abordagem mais rustica, clara e movimentada. A entrada e sala principal têm agora numa decoração onde predomina a madeira clara e a louça numa faiança regional de autor que aporta cosmopolitismo ao novo conceito.

A Casa do Marco é assim

A ideia é ter os dois espaços a funcionar em simultâneo, o que será um grande desafio para Marco Gomes, já que terá uma cozinha para duas abordagens culinárias completamente distintas.

Mas vamos ao que interessa: a comida!

Lista informal e descontraída

O menu é apresentado em uma página, de formato grande e com uma abordagem multifacetada e divertida, com chamadas a fazerem-nos lembrar expressões tradicionais, lugares comuns ou viagens à nossa infância. Está lá tudo o que interessa, apenas distribuído de forma diferente. Entradas, caldos, bifes, “Lateirices” e comidas de tacho são exemplos. O segredo desta abordagem ao menu é perceber se a alma do Chef está presente e se a tentação da cozinha internacional mais comum não se sobrepõe.

Pedimos um prato de presunto Bísaro “cortado na altura” e umas rodelas de lulas com molho aioli. O primeiro estava cortado em dose generosa, macio e bom de sal, e as segundas com o polme crocante, sabor a mar e pequeninas, sendo que o molho precisa de mais cremosidade e alho para a dupla sobressair.

A bochecha, o arroz e os legumes

Como pratos principais, as escolhas recaíram numa comida de tacho e num clássico regional. No tacho veio um arroz de costelinhas em vinha d’alhos e grelos, num conjunto muito bem conseguido em que a vinha d’alhos era o sabor denominador comum do prato. Grelos cozidos no ponto, muito verdes e uma carne a soltar-se do osso com facilidade. O arroz malandro foi servido no ponto de cozedura e assim se manteve até acabar. Foi um conjunto harmonioso que veio para a mesa. O clássico regional escolhido foram umas bochechas de porco com pêra bêbeda. Escolhi das guarnições arroz estrugido e legumes salteados para acompanhar. A proteína estava firme, sem muita gordura e apresentava uma apetecível cor rosa choc. Embora a carne fosse naturalmente doce, a pêra veio complementar e não intensificar a doçura. O arroz fez-me viajar no tempo, para a casa da minha avó onde o arroz era quase sempre cozinhado assim e os legumes salteados trouxeram a frescura necessária ao prato.

As doses de tudo foram bem servidas e o dinheiro dado como bem empregue. Dava para comer e, a seguir, partilhar…

A carta de vinhos apresentada é, de certa forma, original pois grande parte dela tem um preço fixo e dá-nos mais liberdade para escolher em função do nosso gosto. A minha escolha caiu num Terras D’Alter Touriga Nacional 2013, com um nariz floral e balsâmico, mas que na boca se completa com frutas do bosque de onde se destacam os mirtilos. Final longo e gastronómico.

Uma nota para o menu infantil, que foi “personalizado” com os ingredientes dos outros pratos e que trouxe uma guloseima adicional à mesa: ketchup para as batatas fritas. Um “sucesso”!

Foi bom ver que, quando saímos, a casa estava quase cheia, o que significa que há gente a aderir e a experimentar o novo conceito que Marco Gomes está a implementar no seu espaço.

Bem hajam” como ele costuma dizer!

Texto e fotos de Paulo Russell-Pinto

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