Passeios Gourmet: Dona Bia, à beira da estrada

Dona Bia
Dona Bia, à beira da estrada.

Sai-se da Comporta para sul. Apreciam-se os campos de arroz a perder de vista e imagina-se o mar para lá deles. Sol e brisa fresca. Só falta comer qualquer coisa…
Poucos quilómetros depois, à esquerda, surge uma casa térrea, branca, com parque de recreio e muitos carros à porta. Chegamos à Dona Bia.
O local é leve, claro, a lembrar o verão. Entramos numa casa simples com uma decoração colorida, preocupada em tornar a visita cliente mais confortável, seja nas paredes, nas cadeiras nas toalhas ou nos talheres. Pormenores com bom gosto, que trazem alegria ao local, que nos acolhem e nos deixam sorridentes ainda antes de começar a comer.
O serviço foi rápido, eficiente e conhecedor. Confrontados com uma lista muito grande e cheia de propostas apetitosas, foi difícil escolher. A equipa foi paciente, respondeu a todas as questões levantadas e esclareceu as dúvidas, para além de propor o que julgou mais adequado em termos de quantidades.
Arroz de Coentros
Para começar, escolheram-se umas lulas grelhadas com vinaigrette de coentros, pequeninas em aros, tenras e com a erva bem presente. Molho equilibrado. Não se conseguia parar de comer. Continuamos com uma entremeada de coentrada, ideia original, mas não tão bem conseguida. A carne estava rija e o molho tinha pouco sabor, talvez porque a proteína era agora muito mais intensa do que as lulas.
Ameijoas à Bolhão Pato - Um clássico bem executado
Seguiram-se ameijoas à Bolhão Pato, com matéria-prima de excelência, carnudas, com textura suave e com sabor a mar, acompanhadas de um molho bom, grosso e consistente e de um excelente remate com limão muito fresco.
Como pratos principais, serviram-se linguadinhos fritos e peixe-galo, com arroz de coentros. Comecemos pelo arroz: bago consistente, unido, fechado, com goma a ligar e pouco sal. A falta de sal foi bem compensada pelo coentro, que trouxe alma ao arroz. Muito bem conseguido e um excelente acompanhamento. Quanto aos linguadinhos, estes eram já jovens adultos, tal era o seu tamanho na dose servida. Vieram três. Polme crocante, frescos, muito brancos e húmidos, a lascar com o garfo. Os pedaços do peixe-galo, retirados de um grande animal eram estaladiços, húmidos no interior com um sabor muito fresco.
Como sobremesa, uma tarte de requeijão e amêndoas, da casa, a fazer lembrar sericaia na forma. Foi um bom remate, equilibrado na doçura e com um final prolongado, como se pretende de um doce.
O vinho escolhido, de uma lista com cerca de cento e vinte apostas seguras todo o país (as garrafas também decoravam o bar do restaurante, ao fundo da sala), tinha que harmonizar com todos os pedidos efectuados. A opção foi para um Redoma Rosé 2013. Os copos podiam e deviam ser melhores, para uma lista que oferece tanto.
No final, fica a memória de uma experiência simples e surpreendente. A lista era grande e havia muito por onde escolher. Ficaram por provar todas as carnes, de onde de sobressai o trabalho com o porco e alguns peixes frescos, assim como um dos orgulhos da terra, o arroz. Na memória guarda-se o arroz de queijo, para degustar com certeza na próxima visita!

Texto e fotos de Paulo Russell-Pinto

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