Passeios Gourmet: Campo de Ourique 2.0

Das aventuras gastronómicas que podemos viver em Lisboa, as mais recentes passam por Campo de Ourique. Há vários restaurantes que estão a abrir neste bairro a mostrar modernas abordagens à gastronomia, mas o destaque do momento centra-se no reaberto Mercado de Campo de Ourique.

Entre propostas de revistas, agendas de jornais, reportagens televisivas e o tradicional e eficaz passa-a-palavra, o mercado vai enchendo e consolidando o seu novo conceito: entre os frescos, peixe, carne e padaria, o mercado recupera as suas barraquinhas centrais e vende comida, faz propostas gastronómicas baseadas em pequenas porções e instala uma praça da alimentação por baixo de uma pérgola em ferro forjado no centro do mercado.

Numa viagem ao moderno da restauração e à época da arquitectura do início do século XX, a primeira sensação que me domina quando entro é: apaixonante! Para um viajante gourmet é impossível não viajarmos para outras praças europeias, para outros mercados da américa do norte. O orgulho aumenta quando somos confrontados com petiscos, sabores e cheiros portugueses e cosmopolitas.

Há um outro twist de marketing muito bem pensado: as marcas das bancas que vendem comida não se sobrepõem à imagem de ambiente de época criada para o espaço, e muito bem. Todos saem a ganhar. O mercado de Campo de Ourique 2.0, em que o utilizador interage directamente com a comida sem sair do local, está bem pensado e tomou conta dos pormenores. Há um mergulho num conceito, num ambiente e numa história que está bem contada.

Fomos três e adquirimos comida em cinco locais diferentes. Foram estes,

Costelas de porco, com molho “barbeque”, receita que adoro e que tenho dificuldade em encontrar em Portugal. Servida com batatas fritas em palitos com casca, secas e boas de sal. O molho estava doce e intenso e as costelas estaladiças por fora e húmidas por dentro.

Empada frango thai, empadinha frango tradicional e croquete de alheira: preferimos a de frango tradicional, embora todas tivessem apresentado um recheio húmido e saboroso, sendo o de frango thai o que prometia mais, mas comprometendo o sabor na pouca quantidade de especiarias e na guarnição que acompanhou o frango. O croquete de alheira, estaladiço por fora e cremoso por dentro, soube fazer jus à matéria prima.

Sande de presunto de porco preto onde sobrou pão e faltou presunto, sem desprimor para a belíssima qualidade e cura do presunto. É preciso acertar a dose.

Prego de entrecôte em bolo do caco: pedido e servido no ponto certo, tenro, com sucos prolongados, acompanhado com batatas cozidas e levadas depois ao forno com ervas aromáticas, que ficaram com a crosta firme e o interior macio.

Café, tarte de amêndoa e brigadeiro de caramelo.

Foram estas as escolhas do dia, mas podiam ter sido outras. Bar de vinhos, gin (ver post anterior), ostras, frutos do mar e hambúrgueres são outras opções. Como é um sítio a repetir, não faltarão oportunidades.

O mercado de Campo de Ourique, não sendo grande, enche as medidas. Está bem pensado e aproveita o que as praças da alimentação dos centros comerciais têm de bom: cada um escolhe o que quer e ainda podemos partilhar.

Texto e fotos de Paulo Russell-pinto

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