Passeios Gourmet: Bambú em Salamanca

A+entrada+da+Cafetaria+Bambú+numa+cave

Sentado nas mesas quadradas da cafetaria Bambú, numa cave virada para uma das portas da Plaza Mayor, em Salamanca, é possível sentir o movimento e a energia surpreendente dos habitantes salamanquinos que aqui vêm almoçar. É um local que passa do ambiente tranquilo ao frenético num estalar de dedos, entre sorrisos, encontros, conversas e gargalhadas.

Para além de mim, quase ninguém se senta nas mesas, excepção feita a casais com filhos pequenos e famílias com pessoas mais velhas que superam as escadas em direcção à cave para comer as maravilhas que aqui se servem. De pé ficam os funcionários, bancários, lojistas que fecharam para o almoço, grupos excursionistas e todos os que por ali passam e conhecem ou se aventuram a descer para a Bambú.

Pormenor+dos+mostruários

O local, recentemente remodelado em tons de preto e branco mostra uma grande evolução desde a primeira vez que aqui vim, há 14 anos. Mais sóbrio, mais iluminado, mais limpo. A casa divide-se entre o grande balcão com algumas mesas (onde estou sentado) e um restaurante em tons muito claros mais resguardado do barulho e do ambiente acelerado, separados por grandes vidros que conferem um tamanho maior a cada um dos espaços.

Mas concentremo-nos nas tapas…
Nos vários escaparates que enchem os dois balcões da cafetaria aguardam já todas as raciones e pinchos preparados para o serviço do dia. Montinhos tentadores de todo o tipo de tapas. Uma profusão de cores, formas, sabores e texturas esperam para serem comidos. Há mais de vinte opções, todas com um aspecto muito bom e o difícil vai ser mesmo escolher. Acresce que, à esquerda dos balcões envidraçados, por trás, uma grelha quente servirá a pedido porções de costelinha, salsicha, barriga, morcela de Burgos, chouriço, lombo de proco e bifinhos de vitela. Entre “canhas” ou vinho a copo, que mais se pode querer?

Pinchos+Tapas+e+porções+de+grella

Das montras escolhi pinchos de presunto, de polvo, de camarão, de tomate e mozzarella, de chèvre e doce de tomate, paelha, tortilla e patatas bravas. Da grelha, pedi costelinha, chouriço e barriga.

Dos primeiros destaco a qualidade do presunto, o seu corte fino e a base catalã de tomate que o acompanhava no pão, muito fresca e ligeiramente doce. Este equilíbrio fez do pincho uma tapa muito agradável. No de tomate e mozzarella, uma fatia de bacon crocante entre este e o tomate contribuiu com textura ao petisco e o tempero trouxe intensidade a um pincho que, mal feito, pode ser muito desinteressante. Não foi o caso. Já no de chèvre a ideia era boa, mas o queijo tornou-se demasiado presente na boca no final. Muito leve e saborosa estava a tortilla e os ingredientes da paella, sobretudo o coelho e os apontamentos de marisco, destacaram-se por entre o arroz amarelo e semi-solto.

Do que veio da grelha destaca-se a cozedura, que esteve sempre no ponto e depois pormenores que fazem a diferença entre o que esperamos e a alegria do que provamos: o picante leve presente na salsicha, a marinada fresquíssima da costelinha e o tempero com base de tomilho da barriga. Tudo se conjugou para que os petiscos preparados na grelha fossem uma grande surpresa na Bambú.

Para beber, cerveja ou vinho. No campo destes últimos, o vinho a copo era bom e barato, com muitas ofertas das regiões que rodeiam Salamanca: Castilla&Leon, Toro, Ribera del Duero e Rioja. Os copos eram bons, as doses generosas para o preço e as temperaturas de serviço sempre certas.
A cafetaria Bambú tem o poder de não me desiludir e de, em tantos anos, continuar a surpreender e inovar neste mundo das tapas que agora está tão na moda. E é um local apaixonante para ver o amor dos espanhóis à comida e ao convívio.

Texto e fotos de Paulo Russell-Pinto

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