créditos: José Caldeira / TMP

O universo de Raúl Brandão é rico em formas interpretativas, pelas sugestões metafóricas que cria em torno das narrativas ficcionadas, embora muito próximas do objecto real que reflectem. “Ilhas”, trabalho que a KARNART trouxe ao Mosteiro de São Bento da Vitória em 2013, pela mão do autor e encenador Luís Castro (e promovido pelo TNSJ), foi visto à data como o exemplo acabado de uma fascinante tradução performativa da fórmula literária tão típica de Brandão.

Em “Os Pescadores” de João Sousa Cardoso, espectáculo que será apresentado ao público a partir de hoje, quinta-feira (21h30), em estreia, até ao próximo sábado (21h30/sexta 18 de Novembro às 19h00), no Auditório IAC – Isabel Alves Costa (pequeno auditório), no Rivoli Teatro Municipal, ‘a rede’ complexa de histórias que gravitam no seio da actividade piscatória, nas suas vivências comunitárias e na especificidade do meio são representadas por via da expressão corporal e oral dos intervenientes Ricardo Bueno e Vinicius Massucato.

créditos: José Caldeira / TMP
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Para a compreensão da abordagem do espectáculo, talvez valha a pena reflectir sobre a interrogação deixada por quem dirige o trabalho de palco: “Se o mundo é governado pelos senhores e pela palavra, que drama é o dos homens intermitentes que circulam entre o mundo dos vivos e o terror da phisys, organizados num espaço incerto, num tempo flutuante e num imaginário que oscila entre as convenções da tradição e os impulsos da sobrevivência?”.

E por mais que a leitura do espectador esteja liberta de imagens, será sempre incontornável não trazer à memória algo simbólico para este domínio, como foi o caso de “Ala-Arriba”, filme emblemático sobre o assunto 1942, cuja realização é tributária de Leitão de Barros. A inspiração a partir da obra de Raúl Brandão é livre, caro potencial espectador, não se prenda por nós e vá ver com os seus próprios sentidos. No final, para além de outros impulsos, vai ter vontade de apanhar ‘berlindes… do mar’.

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