créditos: José Caldeira / TMP

O TEP – Teatro Experimental do Porto apresenta hoje, sexta, 18 de Novembro, e amanhã, sábado, às 21h30, no Rivoli -Teatro Municipal, a sua mais recente produção. O Global News espreitou um dos ensaios e presenciou, ainda que de forma parcial, aquilo que se vislumbra como um espectáculo bem esgalhado, algo bizarro e desconcertante, sobre a vida de um casal de ‘rogues’.

O universo tem aquele perfume fantasista em termos estéticos, muito próprio de gente que vive à margem do sistema e isso vê-se, quer através dos elementos cenográficos e também pela narrativa em si mesma, bem como pelo desempenho dos actores: Ana Brandão e Cláudio da Silva. Há algo que cheira a beat generation naquele palco, mesmo que as cronologias da história (ou das histórias) nos apontem para épocas que antecedem os princípios subjacentes a esse fenómeno que redundou num movimento cultural.

As imagens documentais balizam a incidência dos acontecimentos e enquadram a dramaturgia entre o período de 1914-1917, basicamente entre a Revolução de Outubro e a Queda do Muro de Berlim. Na essência, estes rogues decidem abandonar a sociedade industrial, vivem em plenitude no extremado lema ‘amor e uma cabana’, sacam a electricidade da rede pública, e vivem num conceito auto-sustentável. Neste caso concreto, a parelha tem algo de Bonnie & Clide ou de Mickey e Mallory.

créditos: José Caldeira / TMP
créditos: José Caldeira / TMP

Rogues são viajantes no tempo, toda a gente que foi cilindrada pela História”, sustenta Gonçalo Amorim, o encenador deste trabalho teatral. “What a Rogue Am I?”, o título da peça procede por um lado e, sob o ponto de vista formal, da enunciação interrogativa associada ao preceito shakespeariano, mas é um legado que descende da monografia, datada de 2011, cuja autora é Ana Raquel Lourenço Fernandes: “What about the Rogue? Survival and Metamorphosis in Contemporary British Literature and Culture”. Rui Pina Coelho inspirou-se e adaptou o texto. Com efeito, a figura e o perfil do rogue foi alvo de criação literária, aproveitada no plano ficcional por diversos autores, entre os quais Joyce Cary, The Horse’s Mouth (1944); Iris Murdoch’s Under the Net (1954); John Wain, Hurry on Down (1953), Kingsley Amis, Lucky Jim (1954), John Braine, Room at the Top (1957) e Alan Sillitoe, Saturday Night and Sunday Morning (1958).

“O material textual desta peça é um palimpsesto sobre a fuga”, defende o encenador, e acrescenta mais um elemento para potenciar a compreensão daquilo que está em causa “Tal como na obra de Walter Benjamin, ‘O Anjo da História’ em que este está virado de costas para o futuro e de frente para o passado, também os rogues vivem o real nesta dimensão.” O TEP roga-lhe que apareça.

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