O que é Nacional… foi um ‘boom’ de golos para o FC Porto

Um final de tarde ameno, com o Estádio do Dragão a acolher bastante mais gente (27.207 espectadores) do que no último jogo em casa, referimo-nos à partida em que o FC Porto sofreu o seu segundo desaire consecutivo e logo frente ao lanterna vermelha: a equipa do Tondela. Em dia de mais uma ‘(re)eleição’ de Pinto da Costa (com 79% dos votos), o presidente portista parte assim para o 14º mandato, o que perfaz 34 anos à frente dos destinos do clube azul e branco, o FC Porto quis mostrar serviço.

Brahimi foi desde logo a maior ausência. Saída a pertencer ao FC Porto. Nem dois minutos volvidos e Varela através de pé esquerdo a desfeitear o guarda-redes Rui Silva, num remate em arco que redunda num golo de belo efeito. O FC Porto parece ter ganho alguma tranquilidade com o tento obtido e ganha feição atacante no jogo.

E com 9 minutos de jogo decorridos… já lá vão dois golos! Herrera a aproveitar para marcar, praticamente ao terceiro ataque dos azuis brancos e após uma bela jogada de Corona. A verdade é que o FC Porto a demonstrou uma eficácia que tem rareado para as bandas do Dragão. O Nacional teve ao longo dos 13 minutos uma reacção muito ténue face ao futebol exibido pelos azuis e brancos.

Volvidos que estão 15 minutos da partida, André Silva protagonizou um cabeceamento portador de muito perigo para a baliza defendida por Rui Silva. O primeiro quarto de hora confirmou uma equipa portista de índice ofensivo bem vincado. A equipa da Madeira não revelou futebol capaz de fazer perigar as redes defendidas por Casillas.

Aos 20 minutos o Nacional acaba a criar algum perigo junto da baliza do guardião espanhol. Todavia, o FC Porto continuou a revelou outra acutilância na linha atacante. Foi neste período que Aly Ghazal rematou num pontapé de ressaca e pôs Casillas a mostrar os seus dotes.

Aos 24 minutos, Soares, jogador do Nacional, cria muito perigo junto à baliza azul e branca e desfere um belo golpe de cabeça a passar muito perto do poste direito da baliza do guarda-redes da selecção espanhola. Notou-se uma certa tranquilidade da equipa do FC Porto cuja herança emocional foi tributária dos golos obtidos muito cedo na primeira parte, a relação directa e circunstancial deve-se sobretudo ao tento da autoria de Varela, o extremo que estava a fazer um grande jogo.

Meia hora decorrida no jogo e o FC Porto permanecia em ascendente, a prova disso mesmo é um cabeceamento do mexicano Herrera ao qual correspondeu com eficiência defensiva o guardião Rui Silva.

Pede-se penálti no Dragão por derrube sobre Jesus Corona. Logo a seguir um remate em arco de Corona, do lado esquerdo, que é correspondido por uma grande defesa do guarda-redes da equipa da Choupana. E no entretanto verifica-se uma jogada na outra baliza em que Casillas faz uma grande intercepção da bola num ataque da equipa do Nacional.

Uma primeira parte muito disputada, com várias ocasiões de golo para o FC do Porto e também com duas ocasiões soberanas para o Nacional. Varela, José Ángel, Corona e Sérgio Oliveira estiveram ao seu melhor nível, ainda assim o extremo portista ficou uns furos acima dos restantes. Reitera-se que ao minuto 36 pode muito bem ter ficado por marcar um penálti favorável à equipa portista: falta de Hichem Belkeroui sobre o mexicano Corona.

A segunda parte iniciou com a saída de bola a pertencer ao Nacional. Luís Aurélio entrou a substituir Aly Ghazal na equipa madeirense.

Primeiro remate com perigo a caber à equipa da Choupana, aos 49 minutos, por intermédio do recém-entrado Luís Aurélio, com recurso ao pé esquerdo. E Corona não quis ficar atrás do ‘jogador nacionalista’ e de pé esquerdo tenta acertar no alvo, mas Rui Silva defende.

Aos 55 minutos Hector Herrera quase marca para o FC Porto numa jogada fantástica do ataque do Porto, com uma assistência de Corona para o conterrâneo que não consegue bater Rui Silva, que faz mais uma grande defesa a evitar o golo do capitão do FC Porto.

Vive-se uma fase de grande pendor ofensivo da equipa portista neste primeiro quarto de hora do segundo tempo. Entra Campos a render Witi, no Nacional.

Aos 63 minutos Varela tenta a sua sorte, flete para a direita na área do Nacional mas o remate sai defeituoso para a bancada. Aos 66 minutos Rui Silva evita o golo de André Silva, com recurso a uma boa saída e com direito a uma mancha a preceito. Logo a seguir, aos 67, Danilo Pereira não dá hipótese após cruzamento de Corona e de um passe de calcanhar de Varela para o colega mexicano a anteceder a jogada: um autêntico toque de classe a coroar a exibição de Varela. Danilo encostou a cabeça e fez o terceiro golo.

Salvador Agra sai nesta altura e é substituído por Ricardo Gomes. Aboubakar entrou na equipa portista. André Silva foi o elemento escolhido para a entrada do camaronês.

Luís Aurélio tenta a sua sorte, aos 73 minutos, a verdade é que Casillas não esboça preocupação face à intenção do atacante madeirense, a intensidade do remate não foi de molde a assustar o guardião portista.

Logo depois sai Sérgio Oliveira no FC Porto para a entrada de Francisco Ramos. Rui Silva defende uma vez mais um remate muito perigoso de Herrera e logo a seguir consegue deter um remate de Aboubakar, que também levava muito perigo. O camaronês acaba ainda assim a desfeitear, pouco depois, e com subtileza, Rui Silva através de um chapéu feito com muita classe aos 85 minutos. Dá-se a saída de Varela e entrada de Marega no FC Porto.

Por fim, é de assinalar o slalom de Corona que redunda num remate ao qual Rui Silva dá o necessário desvio para canto. Com dois minutos de compensação fornecidos pelo árbitro Luís Ferreira, nada de relevante acontece neste tempo de descontos.

Em resumo, o melhor jogo do ‘reinado de José Peseiro no Dragão’: com uma equipa que vivenciou uma tranquilidade inusitada esta época, resultante dos golos prematuros obtidos por Varela (aos 2 minutos) e por Herrera (aos 9 minutos), e que sobretudo soube fazer o melhor aproveitamento dessa circunstância emocional positiva ao longo do jogo. Varela foi gigante, com Corona também em muito bom plano, bem como José Ángel, que talvez tenha feito sua melhor partida desde que veste de azul e branco.

A equipa de Manuel Machado foi surpreendida pelo caudal ofensivo dos portistas, bem como pela melhoria da condição anímica dos azuis e brancos proporcionada pelos golos obtidos muito cedo. O Nacional foi pouco ambicioso para mudar o rumo aos acontecimentos, ainda que na primeira parte tivesse disposto de duas boas oportunidades para marcar. Sinal mais para Rui Silva, que apesar de ter sofrido 4 golos salvou a equipa madeirense de sofrer outros tantos! Grande exibição do guarda-redes, que foi a par de Varela no FC Porto, o melhor em campo. Sinal mais para o brasileiro Soares, jogador de fino recorte atacante e de apetite voraz pela bola. Talvez seja altura apropriada para perguntar: qual dos três grandes vai buscá-lo à Choupana em primeiro lugar?

Texto: João Arezes

Fotos: Diogo Baptista

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