O discurso virtuoso

Barack Obama / Foter / CC BY-NC-SA

A desmontagem do discurso de vitória da re-eleição de Barack Obama é revelador dos elementos constituintes do stock dos speech-writters e da americanização da política. Prevaleceram os apelos à união nacional visando as mentes e corações dos norte-americanos: reiterando as vantagens imperialísticas (o melhor país, exército e universidades do
mundo) e acentuando o factor diferenciador da diversidade de uma nação que partilha o destino, as responsabilidades e os direitos com especial senso de patriotismo.

Sem esquecer os problemas e desafios que afectam os EUA, Obama optou por colocar a sílaba tónica na mensagem de esperança e de visualização do futuro e eternizou-os com o recurso à catchy phrase de que “o melhor ainda está para vir”. Não faltaram tampouco os ingredientes relativos á personalização do discurso político. Desde aqueles centrados quer na figura e facetas do candidato quer na respectiva família, até ao inevitável elemento de humor com a referência (às filhas) de que basta um cão na casa Branca.

Menos notório mas porventura mais original neste discurso foi a importância concedida à meta-campanha. Dito de outra forma, o presidente reeleito restaurou e reabilitou a importância das campanhas na validação do processo de representação democrática. Mais do que isso, alcançou a quadratura do círculo ao converter o ciclo vicioso do
processo eleitoral em virtuoso. Fê-lo por contrariar a ideia de que as campanhas são menores e sillies, uma competição de egos e chasse gardé de interesses especiais. Contrapôs com a determinação de todas as formas de participação política e rematou com o elogio à melhor equipa de campanha de sempre a história.

Rui Alexandre Novais,
leciona e investiga na área dos media e comunicação (CECS/UM, UP e University of Liverpool)

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