José James, uma voz excecional que arrebatou a Casa da Música

Na escuridão do palco da sala Suggia, as sombras começam por revelar José James que, através do novo álbum Love in a Time of Madness, exprime a angústia que lhe invade a alma, pela presença de um mundo que encobre o amor com a insensatez.

Preocupado com o futuro e as barreiras da sociedade, este é o momento de reforçar o amor e a liberdade. Neste dia que marca a tomada de um novo rumo, na América, José James recorre ao hip hop e R&B para mostrar o quanto se sente “extra black” porque a escuridão caiu sobre o país (“Little bird”) deixando-se tomar pelo racismo e os maus tratos às mulheres. É preciso voltar a abraçar o amor porque, apesar de poder ser um “Trouble”, é a única realidade para a qual vale a pena viver (“Love”).

De facto, ao público é impossível passar despercebida a metamorfose do cantor, encarnando o registo que melhor define a sua emoção (desde hip hop, R&B, funk e jazz moderno), transportando a plateia por várias dimensões, particularmente para a capacidade de sonhar em “The Dreamer”, num elogio a Mather Luther King com a participação da inebriante bateria de Nate Smith, “The Legendary”.

jose-jamesOs aplausos são cada vez mais intensos e multiplicam-se entre as músicas dos diferentes álbuns de José James e os tributos a Prince (“When Doves Cry”) e a Billie Holiday (“Good Morning Heartache”) para que se continue a refletir acerca do valor do amor. É inegável a entrega de corpo e alma (“Body and Soul”) à música e ao público porque apesar da sua revolta afirma que: “it’s your day, it’s your life. I’m yours”!

Mas, o público ansiava pela “Come to my door” e ela chegou… Muito timidamente, no final da noite. Nesse momento, a plateia levanta-se e vislumbra-se a alegria e contentamento que invade o rosto de cada um.

Foi, indubitavelmente, um concerto que arrebatou a assistência pela ousadia revelada em palco, pois a presença ímpar de José James permite-nos esquecer o que nos rodeia, é o nosso instante com a música. Só existe o eu e as notas vibrantes que nos trespassam o coração e nos imprimem a “vontade” para ir em busca do que nos torna felizes (“Look for what makes you happy”)!

Texto e fotos: Teresa Carvalho

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