Investigadores do Ipatimup publicam artigo na Nature Reviews Cancer

A investigação nacional está novamente de parabéns. Desta vez os investigadores Salomé Pinho e Celso Reis, do Instituto de Patologia e Imunologia Molecular da Universidade do Porto (Ipatimup), publicaram na revista Nature Reviews Cancer, uma das mais prestigiadas publicações cientificas mundiais, um artigo que explica a importância dos diversos tipos de açúcares que revestem as células tumorais. O GLOBAL NEWS falou em exclusivo com esta dupla de inestigadores de sucesso, para nos explicar melhor a importância deste estudo, na primeira pessoa.

Global News: Explicando de forma a que todos possamos compreender, de que fala este vosso artigo publicado na Nature Reviews Cancer?

Salomé Pinho/Celso Reis: Este artigo reúne todas as evidências que demonstram que as células tumorais são revestidas à sua superfície por diferentes tipos de açúcares que são determinantes para a forma como um tumor se comporta, ou seja, se é maligno, se é invasor, se metastiza, ou se não mestatiza. Estes açúcares das células tumorais são diferentes dos das células normais constituindo assim uma «assinatura» única de cada tumor com muitas aplicações na clínica. A detecção destes açúcares no sangue de doentes com cancro poderá funcionar como um marcador oncológico com o potencial de permitir um diagnóstico precoce do cancro (através de uma simples análise ao sangue) sendo ainda um alvo muito apelativo para o desenvolvimento de novas abordagens terapêuticas anti-tumorais.

GN: Como aconteceu esta oportunidade de publicarem o vosso artigo numa das publicações mais prestigiadas do mundo?

SP/CRO último artigo de revisão sobre glicosilação em cancro que esta revista tinha publicado tinha sido em 2005 e os autores eram investigadores norte-americanos, mais especificamente da Califórnia. Este ano, e depois dos investigadores Salomé Pinho e Celso Reis terem publicado vários artigos sobre o tema em revistas como Journal of Clinical Investigation, Oncogene, Cancer Research, Human Molecular Genetics, Molecular and Cellular Proteomics, entre outras, a Nature Reviews Cancer formalizou o convite para escrevermos um artigo sobre «Glycosylation in cancer: mechanisms and clinical implications». É, aliás, a primeira vez que investigadores do Ipatimup são convidados a publicar nesta revista.

GN: De que forma reagiram à aceitação da publicação do artigo?

SP/CR: É sobretudo um grande orgulho e um privilégio ver o nosso trabalho reconhecido numa publicação numa revista que é considerada uma das mais prestigiadas revistas científicas mundiais na área da investigação do cancro.

GN: Concretamente, de que forma este vosso artigo vai fazer evoluir o estudo científico?

SP/CR: Estes estudos têm demonstrado o enorme potencial destes açúcares para um diagnóstico precoce do cancro, para a monitorização da recidiva tumoral, e na compreensão dos mecanismos que as células tumorais utilizam no processo de invasão e metastização, constituindo ainda alvos apelativos para o desenvolvimento de novas terapias anti-tumorais.

GN: Quanto tempo demorou e que obstáculos tiveram que ultrapassar para chegar a este artigo?

SP/CR: Desde a oficialização do convite até à publicação foram necessárias várias fases de revisão por pares, ou seja por cientistas de renome mundial e considerados “experts” internacionais na área. Além disso e dado o elevado nível de exigência científica desta revista, foi ainda necessária uma revisão criteriosa pela equipa editorial da revista.

GN: O Ipatimup tem as condições ideais para este tipo de investigação?

SP/CR: O Ipatimup proporciona todas as condições para este tipo de investigação, visto ser um centro de investigação de referência e de reconhecido mérito nacional e internacional na investigação em cancro, que conta com parecerias importantes com hospitais centrais (como o Hospital de São João do Porto e o Hospital de Santo António do Porto) bem como com o IPO-Porto

GN: Quais são os próximos estudos em que se vão debruçar?

SP/CR: Estamos nesta fase da investigação a validar os nossos resultados em modelos animais (ensaios pré-clínicos), testando também os resultados em amostras de doentes com cancro (estômago, intestino, pâncreas, mama).

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