God Is An Astronaut – Digressão ‘pela galáxia’ trouxe-os de volta ao Hard Club

Quelle_Dead_Gazelle

Uma hora e meia com um final de espectáculo vivido em verdadeira em apoteose e comunhão com o público, eis o saldo do regresso dos God Is An Astronaut ao Hard Club. Antes disso, passavam poucos minutos das 21h00, a aquecer os motores da verdadeira nave musical acoplou-se uma dupla lisboeta de belo efeito e cujo nome bizarro é tão simplesmente Quelle Dead Gazelle: algo entre uns Dead Combo mais sónicos e a inspiração de uns Japandroids. E deve dizer-se que constituíram um binómio instrumental guitarra-bateria assaz interessante, uma lebre a preceito nesta intensa corrida melódica.

A digressão dos irlandeses God Is An Astronaut (GIIA) voltou a pisar terras lusitanas. Desta feita para apresentarem alguns dos temas novos do sétimo álbum de originais “Helius I Erebus”, que previsivelmente sairá em Junho. Ontem, domingo, houve concerto dos GIIA no Hard Club, no Porto e hoje, segunda-feira, será a vez de Lisboa os acolher no Armazém F, às 21h00, antecedidos pelos Katabatic. E se o feixe de energia que os GIIA deixaram como rasto numa célebre noite de Outubro de 2013 ainda pairava na sala, faltavam alguns minutos para as 22h00 de ontem quando os ocupantes da nave invadiram o palco para fazerem mais uma descarga energética até à sua próxima visita.

Torsten_God_Is_An_Astronaut_1

Vestidos de negro, com três focos de luz branca e intensa a transcenderem os vultos, iniciam assim a viagem astral. As teclas, a bateria e o baixo são os primeiros a soar e bem poderia dizer-se: a suar! Torsten, um dos manos Kinsella da banda, não faz tardar a primeira investida na guitarra, a luz branca passa a alternar com um acentuado púrpura que se dilui no estrado. A esta toada musical introdutória, segue-se um arremesso verbal de Jamie Dean, o homem que balança entre os teclados e a guitarra: “Obrigado! Como estão?”, num português bem perceptível.  Segue-se The End of The Begining, tema homónimo do primeiro disco dado à estampa pelos GIIA. As luzes vermelhas apoderam-se do palco e espraiam-se pelo recinto a conferir aquela toada de apocalipse tão típica dos GIIA. A música emerge cadenciada, há teclados que pontuam o ritmo da bateria e guitarras que ganham fôlego até irromperem pelo espaço adentro.

O espectáculo vai em crescendo e, logo a seguir, surge no alinhamento um dos mais belos temas da banda: Fragile, do segundo álbum All is Violent, Al is Bright. Há quem diga no público “Este tema arrepia!”. Guitarras e baixo a 45 graus, Lloyd Hanney continua tão discreto como competente a percutir a bateria. As vocalizações de Torsten acentuam o diapasão mais melódico do tema. O público está ao rubro e a banda ainda só vai para o quarto tema. Echoes apresenta-se logo ali, de jorro, sem dar tempo para respirar. O concerto entra naquela fase de  quem pergunta: Quem vai pagar isto à EDP? Tal é a energia despendida em palco. Há diálogos entre irmãos: Torsten e Niels a brandirem os instrumentos, agitarem o escalpe em toada dançante de recuo e avanço, que a espaços também acontece entre o líder e Jamie Dean, o mais afoito, que virá um pouco mais tarde a saltar do estrado para tocar no meio do público.

God_Is_An_Astronaut_2

Em Vetus Memori,  do novo registo “Helius I Erebus”, verifica-se desde logo uma ênfase do baixo e bateria, com as guitarras de Dean e Torsten em determinados momentos a recuperarem o fôlego para novo destilar de cordas. Paira uma atmosfera hard music, os intérpretes musicais aproximam-se da boca de palco a espaços e despertam uma visão esfíngica de matéria capilar à rédea solta, por entre as luzes brancas e púrpura, que tal como no início prevalecem, conjuntamente com o espectro avermelhado.

A meio do ‘sarau astral’ há teclas planantes de acentuada beleza sonora que anunciam “When Everything Dies” (do álbum All Is Violent, All Is Bright) e logo em seguida entra Worlds in Colision ( do homónimo registo God Is Astronaut), tempo para incitar o contágio e despertar a solidariedade da audiência com umas palmas sincopadas, uma iniciativa do endiabrado Jamie Dean. Há guitarras que se convertem em motosserras.

Arriscam Helios I Erebus o tema que dá nome ao álbum vindouro e a música parece sugerir uma génese de partida de um lugar remoto, uma paisagem sonora marcada pelas erupções instrumentais e pelos momentos serenos em que Torsten explora as vocalizações mais suaves.

Um pouco mais adiante ouvimos Centralia, também do próximo registo que a banda lançará em Junho. Faz-se sentir a prestação de Hanney na bateria, com a batida acústica a soar num ritmo melódico acentuado e os pratos a ouvirem-se soltos até nova reentrada em erupção que leva Dean a revelar-se especialista em mais um salto em comprimento… do palco até ao público, para gáudio da miríade de espectadores.

Um rendilhado nas teclas solta o prenúncio de Forever Lost (All Is Violent, All Is Bright) uma das mais icónicas músicas dos GIIA, é o delírio nas hostes. O tema em espiral melódica leva o baixo e a guitarra a entrarem em mais um diálogo sonoro e um frente-a-frente entre irmãos. Mais um tema e os músicos simulam um encore com a colaboração do público. O concerto finda pouco depois com uma intensidade de decibéis própria de uma nave a levantar a voo. Sete álbuns depois, a música dos God Is An Astronaut continua a ser literalmente de outra galáxia.

Texto: João Fernando Arezes  Fotos: Diogo Baptista

 

Comentários

comentários

Powered by Facebook Comments