E se a primeira edição, no ano passado, se saldou por um êxito, é natural que o Festival DDD – Dias da Dança tenha uma sequência com outro calibre orçamental em 2017. Pelo que se viu e ouviu na conferência de imprensa de lançamento da iniciativa, “a coisa” promete.

A acção de 2016 firmou a relação existente entre o vértice de autarquias que suportam e promovem a sua realização: Porto, Matosinhos e Vila Nova de Gaia. A dotação orçamental, que nesta edição se cifra em 434 mil euros, dá uma ideia da aposta das edilidades no evento. Assim, de 27 de Abril a 13 de Maio, uma soma que perfaz 17 dias, diversos espaços dos três concelhos envolvidos acolherão 35 espectáculos, 57 récitas/apresentações. E dentro destes, há 9 espectáculos nacionais em estreia absoluta (DDD IN+DDD OUT) e 8 espectáculos internacionais em estreia nacional.

“A cultura constituiu o ponto de partida para que as três cidades pudessem encontrar território de partilha importante para os municípios. A dança contemporânea funciona assim como algo que cria uma articulação política e cultural.”, salientou Rui Moreira, presidente da Câmara Municipal do Porto na  conferência de imprensa onde se divulgou o programa do festival.

Percebe-se a importância conferida à iniciativa pelos aumentos quantitativos e na extensão programática em relação ao ano transacto. Logo nos primeiros dias, destaque para Né Barros, uma coreógrafa nativa da “Invicta”, que vai estrear “Muros”, uma peça que pode ser vista de 27 a 29 de Abril no Teatro Nacional São João (TNSJ), bem como para “BiT”, também em estreia nacional, da tributada coreógrafa francesa Maguy Marin, um espectáculo agendado para 29 de Abril, no Rivoli. O também gaulês Noé Soulier põe no palco “Faits et Gestes”, no dia precedente, a 28 de Abril, no Teatro do Bolhão. Por seu turno, Cláudia Dias, um dos valores nacionais com afirmação consolidada na área da dança, apresenta “Terça-feira: Tudo o que é sólido dissolve-se no ar”, que estará no estrado do Teatro Municipal de Matosinhos Constantino Nery a 29 de Abril.

Tiago Guedes, director artístico do Rivoli Teatro Municipal, foi quem discorreu sobre a programação do festival, ele que assume a função de coordenador da iniciativa.

La el agitador

O regresso de Alain Platel a Portugal far-se-á através da apresentação de “Nicht Schlafen”, espectáculo baseado no universo musical de Gustav Mahler e que é de igual modo uma peça inédita nos palcos nacionais. Um retorno que se saúda, e sobretudo mais uma ocasião para ver o trabalho incontornável do coreógrafo belga ao leme da sua companhia: os Les Ballets C de La B. Terá lugar no Teatro Nacional de São João, com direito a duas apresentações: a 8 e 9 de Maio.

Ainda nesta segunda fase do “DDD” há “Higher” do italiano Michelle Rizo, para ver também em estreia nacional, a 7 de Maio no Teatro do Bolhão. No dia anterior, sábado, podemos ver “Tordre”, de Rachid Ouramdane, mais um representante da dança contemporânea que é oriundo de França.

Dentro destes destaques insere-se ainda “Celui qui Tombe”, que segundo Tiago Guedes “é mesmo algo não perder”, o rodapé do festival terá assim honras de Coliseu do Porto a 13 de Maio com este espectáculo de Yoann Bourgeois (mais um coreógrafo proveniente de terras gaulesas).

No domínio dos espectáculos afectos aos criadores nacionais – embora não exista de todo esta subdivisão – o manancial é de igual modo vasto e o cardápio fornece muitas sugestões: Ana Renata Polónia regressa ao palco do Auditório do Campo Alegre, no Porto, no dia 30 de Abril. O propósito é apresentar “Yeborath”, uma peça que alguns já viram no mesmo lugar, mas que merece uma releitura. Tânia Carvalho traz ao “DDD” “Glimpse – 5 Room Puzzle”, também no Campo Alegre, mas desta feita a 4 de Maio.

As opções são múltiplas neste domínio, há para ver, por exemplo, “A Perna Esquerda de Tchaikovsky”. Esta peça coreográfica cuja criação é uma incumbência de Tiago Rodrigues e que tem como eleita a bailarina Barbora Hruskova, já retirada dos palcos (em 2014, ano da saída de cena interpretou ‘Giselle’ no Teatro Camões em Lisboa) – e que integrou a Companhia Nacional de Bailado durante mais de uma década enquanto intérprete – será também uma das propostas imperativas deste “DDD” e terá como protagonista, para além de Barbora, Mário Laginha ao piano. “O Poço”, de Jonathan Uliel Saldanha terá lugar cativo lá mais para o final do festival, nos dias 12 e 13 de Maio.

O Armazém 22 vai acolher a componente formativa, com o ‘curtas da dança’. Os artistas e colectivos ou companhias são assim cativados e convidados a desenvolver projectos de curta extensão em formato vídeo.

Nota digna de registo é o facto da edição de 2017 contar com uma vasta participação de co-produtores, para além do nuclear Rivoli, entre os quais se encontram instituições e/ou estruturas como: Coliseu do Porto, Teatro Nacional São João, Serralves, Balleteatro, Teatro Constantino Nery (Matosinhos) e o Armazém 22 (Gaia).

No seio dos representantes autárquicos, a satisfação pela participação no projecto DDD era notória. Eduardo Pinho, edil titular da Câmara de Matosinhos, sublinhou a importância da visibilidade do festival no âmbito da formação “Matosinhos tem vindo a ver crescer o número de escolas e academias que se dedicam à dança.” Por seu turno, em representação da autarquia gaiense Delfim Sousa, o vereador com o pelouro da Cultura, frisou a importância desta partilha tripartida: “Em vez de estarmos voltados de costas uns para os outros, esta Frente Atlântica proporciona-nos isso (DDD).” O público vai agradecer por certo.

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