FC Porto (não) viu o ‘Tom… Dela’

Deve começar por dizer-se que o Estádio do Dragão acolheu muito pouco público para presenciar o jogo entre o FC Porto e o Tondela. O horário precoce para uma segunda-feira, a classificação da equipa portista a não entusiasmar os adeptos, bem como a do adversário, o Tondela, equipa posicionada no último lugar da tabela classificativa, são factores que fazem redundar, em termos numéricos, nesta escassa assistência de 16.217 pessoas a presenciarem a partida.

Com os primeiros cinco minutos da partida decorridos, sinal mais para o FC Porto. A equipa azul e branca a ser mais acutilante, de resto como se esperava. Neste período, o avançado portista Aboubakar queixou-se de ter sido derrubado na grande área, um penálti que o juiz da partida Bruno Esteves deixou por marcar. Destacam-se os três cantos que a equipa portista beneficiou neste período, com uma ocasião para a equipa azul e branca num remate de Danilo que o guardião Cláudio Ramos defendeu para canto. Após o cruzamento da bola do lado direito por parte de Herrera, o avançado camaronês cabeceia, com a bola a sair ao lado.

O jogo está quase a atingir os primeiros 20 minutos, o FC Porto continua a ser a equipa de pendor mais atacante, os elementos dirigidos por Petit ensaiaram até aqui ténues tentativas para atingir a baliza defendida por Casillas. Aos 22 minutos Aboubakar volta a falhar a recepção da bola e permite a defesa de Cláudio Ramos. Dois minutos depois a equipa tondelense beneficiou de um erro de Sérgio Oliveira que permitiu o primeiro remate digno de registo da equipa de Petit.

Atingida a meia hora de jogo da primeira parte, o FC Porto continua a deixar pegada ofensiva, mas sem concretizar em golos o ascendente atacante. O Tondela mostrou-se, contudo, mais afoito a chegar à baliza defendida por Casillas, a partir dos 20 minutos de jogo. A prova disso mesmo é o pontapé perigoso que o médio Luís Alberto desferiu no esférico, antes de aos 36 minutos ter recebido a primeira cartolina amarela do encontro ‘a premiar’ uma falta. Aos 41 minutos, Danilo Pereira recebe ‘igual oferta’ da parte de Bruno Esteves por uma falta sobre um adversário no meio campo portista. Quase a atingir os 45 minutos regulamentares vive-se uma fase do jogo algo incaracterística. Os assobios regressam ao Dragão. Pode dizer-se que o FC Porto se mostrou muito perdulário e espelhou um futebol confuso perante um adversário tão macio como foi o Tondela desta primeira metade.

Sai o Tondela para a segunda parte. Aos 46 minutos o FC Porto consegue o primeiro canto da etapa secundária da partida. Aos 47 minutos o Tondela equilibra o numerário e consegue também o primeiro da sua conta nestes segundos 45 minutos. A equipa de José Peseiro volta a entrar com apatia e a demonstrar isso mesmo o Tondela acerca-se da baliza azul e branca com vontade de fazer mossa. Vislumbram-se substituições nas duas equipas, os suplentes aquecem aos 50 minutos.

O Tondela volta a criar perigo aos 52 minutos, Casillas tem de socar a bola para aliviar uma jogada de risco depois de um cruzamento de Oto’o em que Luís Alberto fez uma insistência a preceito. Terceiro canto para a equipa de Petit aos 53 minutos.

Corona cruza aos 57 minutos sem que Aboubakar consiga fazer, uma vez mais, a recepção. Isto depois de numa jogada anterior Brahimi não ter conseguido prosseguir com a bola na grande área, após o corte impecável de Lucas.

E depois, algo que já começa a ser comum numa equipa que face à parca finalização do seu caudal ofensivo acaba por claudicar na componente psicológica e mostrar todas as fragilidades: aos 59 minutos, Luís Alberto faz um disparo de meio campo que entra no canto superior direito, sem que Casillas pudesse fazer alguma coisa para contrariar o resultado da acção do médio do Tondela que resulta num golo de belo efeito.

José Peseiro aposta em dois avançados e subtrai à sua equipa a presença de Sérgio Oliveira e faz entrar o sul-coreano Suk. O pendor ofensivo do FC Porto parece aumentar, mas o tempo escasseia para dar a volta aos acontecimentos. A intranquilidade dos azuis e brancos é bem patente nesta altura. E o perigo só rondou apenas uma vez a baliza do Tondela com o remate de Corona a ser travado por uma defesa incrível de Cláudio Ramos.

Martins Indi cabeceou de costas para a baliza com muito perigo, mas ainda não é desta que o FC Porto empata a partida, foi aos 77 minutos. Entretanto Wagner remata com perigo à baliza do guardião da selecção espanhola, com a bola a sair ao lado.

As duas equipas procedem a substituições com Varela a trocar com Layún e no Tondela sai Luís Alberto e entra Karl. O Tondela já havia tirado Wagner para fazer entrar Tikito, numa clara intenção de defender o resultado nos derradeiros cinco minutos.

Cláudio Ramos salda-se, a par de Luís Alberto, como o homem do jogo, com três ou quatro defesas de grande nível a evitar o golo dos portistas. O descontrole emocional da equipa do FC Porto é bem patente, mesmo com um fluxo ofensivo assinalável mas sem o aproveitamento condizente. Brahimi é brindado com um magno assobio aquando da substituição por Marega. Aos 90 minutos Aboubakar permite mais uma grande defesa do guardião do Tondela. Nos cinco minutos finais o Tondela consegue manietar, apesar da pressão, o maior ímpeto do FC do Porto e manter o resultado vitorioso que lhe dá alento para lutar pela, ainda assim, difícil manutenção nas jornadas que faltam.

Final de campeonato sofrível para os Dragões, que tiveram em Aboubakar o perfil de um jogador sem autoconfiança e perdulário e um Brahimi poupado na amostragem do segundo amarelo por Bruno Esteves e sem mais margem de tolerância para os adeptos portistas. Tarefa hercúlea de José Peseiro para libertar o FC Porto desta síndrome que se abate sobre a equipa e que vive com uma espécie espartilho de debilidade psicológica do qual não se consegue libertar.

O FC Porto fica à espera de alcançar uma vitória frente ao Braga na Taça de Portugal para conseguir alcançar um troféu esta época. E, por conseguinte, quase que se despede da luta pelo segundo lugar na Liga NOS. No início da partida o diferencial era de 47 pontos de diferença: 61 para os portistas e 14 para o Tondela.  Mérito de Petit, de Cláudio Ramos e de Luís Alberto em particular e de toda a equipa do Tondela no geral.

Comentários

comentários

Powered by Facebook Comments