FC Porto faz ‘xeque-mate no xadrez’ e vence Boavista por 3-1

Num ‘Dragão’ com mais de meia casa preenchida para presenciar o dérbi da Invicta entre FC Porto e Boavista (31.210 espectadores), o que até nem se saldou por uma má assistência dadas as últimas prestações de ambas as equipas, o jogo revelou sempre uma inclinação com sinal mais para os portistas, com os azuis e brancos a mostrarem uma feição atacante assinalável, desde o pontapé de saída, que pertenceu aos axadrezados.

Contudo, antes de quaisquer considerandos atinentes ao que se passou em campo, em termos futebolísticos, importa colocar a tónica na sentida homenagem prestada ao malogrado fotojornalista Paulo Esteves, que trabalhava actualmente no jornal A Bola, tendo passado pelo Record (colaborou também com ‘O Primeiro de Janeiro’ e a ‘Capital’), com os colegas de profissão a pousarem os equipamentos fotográficos no relvado e a fazerem um círculo diante de uma cadeira vazia e com flores brancas durante um minuto, num tributo emocionado e bonito de se ver, a contrastar com o triste desaparecimento recente do profissional.

No capítulo da bola na relva, o Boavista, quase na única vez em que invadiu o meio campo adversário dispôs de um livre precoce aos 4 minutos, marcado por Fábio Espinho e ao qual Henrique deu a melhor sequência através de um golpe de cabeça. A central do Boavista colocou-se entre André Silva e Felipe na cobrança do livre e marcou para os axadrezados, num lance em que fica, todavia, a sensação de que estaria em posição irregular, aquando do cruzamento da bola para a área.

Nada o faria prever, mas o certo é que a vocação ofensiva do FC Porto foi punida com um golo fortuito dos axadrezados. A seguir, como é da gíria, ‘só deu Porto’, os azuis e brancos instalaram-se na área axadrezada e só aos 30 minutos da primeira parte é que a equipa do Bessa conseguiu alcançar a área adversária e obter um canto.

O FC Porto reagiu à adversidade de ter sofrido um tento prematuro. Layún ia fazendo das suas, mas Talocha foi obra a segurar o mexicano a espaços. Depois de algumas jogadas de muito perigo, com realce para a bola atirada ao poste por Danilo Pereira, Octávio, assim solto, teve alguns rasgos de génio e mesmo não tendo chegado a tempo de um remate, na sequência de uma jogada, cruzou em trivela para André silva para este rematar, se o remate é desferido com uma ligeira carga de pontaria a bola iria beijar as redes no canto superior direito da baliza de Kamran. O guarda-redes natural do Azerbaijão ficou a olhar para o esférico. Cheirava a golo no Estádio do Dragão e este não tardou a chegar. Otávio desenhou e André Silva marcou aos 18 minutos e fez justiça ao resultado. A partir daqui o domínio dos comandados por Nuno Espírito Santo intensificou-se e foi mesmo avassalador. Com jogadas de pendor ofensivo bem delineadas e quase a redundarem em novo golo. Um magnífico remate de André André, após abertura de Adrian López que passou ligeiramente ao lado da baliza boavisteira. Aos 32 minutos, o FC Porto dispôs de mais uma jogada para desfeitear Kamran, com um cabeceamento de Danilo, de cima para baixo, a falhar o alvo.

O Boavista acaba o último terço da primeira parte a subir um pouco mais linhas e a criar uma ou outra jogada de ataque, ainda que esta vocação se tenha revelado inócua em termos de mudança no marcador. Aos 39 minutos Otávio tenta infiltrar-se pelo lado esquerdo da área do Boavista e acaba por ser rasteirado, penálti nítido que André Silva bate com sucesso e inverte a condição inicial do jogo, com o FC Porto a passar a ser o vencedor por 2-1, aos 41 minutos. E pouco depois Nuno Almeida apita para o intervalo.

Na segunda parte, aos 46 minutos, Otávio, sempre ele, o brasileiro endiabrado, serve André Silva de bandeja mas o avançado portista chega um tudo-nada atrasado ao lance e Kamran acaba por defender a bola. Apesar de tudo os azuis e brancos refreiam os motores, talvez já a pensar no jogo de Leicester, na próxima terça-feira, e a versão atacante faz-se com menor pendor de acutilância nesta segunda parte. E se no FC Porto Otávio e André Silva chamam a si o protagonismo, na equipa do Boavista convém fixar um nome, o do congolês Bukia, o esquerdino foi sempre o mais inconformado dos axadrezados e deixou alguns bons apontamentos em campo.

O Boavista tornou-se mais afoito na procura da igualdade, mas sem resultados práticos, ou seja, sem criar grande perigo junto da baliza adversária, sobretudo nos derradeiros 20 minutos do jogo. Apenas um remate aos 63 minutos, que Casillas não defendeu à primeira causou algum furor.

O FC Porto revelava tranquilidade a gerir o resultado e o físico face à contenda com o campeão inglês. As ‘entradas refrescantes’ de Diogo Jota e de Herrera, em substituição de Adrián López serviram para avivar um pouco mais o jogo dos azuis e brancos. No Boavista já havia saído Iuri Medeiros para a entrada do maltês Schembri, sem que daí tenha surtido algum efeito. No FC Porto saiu Otávio, debaixo de uma enorme ovação, e entrou Brahimi e na equipa do Boavista Idris, o capitão, deu lugar a Erivelto.

Brahimi entrou a fazer das suas, lançou a bola em direcção a André Silva e este rematou à figura de Kamran. Diogo Jota também tentou fazer o gosto ao pé e, pouco depois, dá-se o terceiro golo dos portistas, a ter início num aparente inofensivo cruzamento de Alex Telles, ainda que a bola levasse alguma força, Kamran faz-se mal ao lance e é traído, com o esférico a escapar-lhe das mãos. Aos 86 minutos e com três golos sofridos o jogo praticamente terminou, não sem que os mesmos intervenientes protagonizassem novo momento, mas desta feita sem alteração do resultado: grande remate de Alex Telles, para uma copiosa defesa do guardião azeri.

Em resumo, muito trabalho para Erwin Sánchez, num Boavista que continua a mostrar algumas debilidades. Por seu turno, a Nuno Espírito Santo falta encontrar uma equipa-tipo que reúna condições de confiança para segurar resultados, a inverte-los parece que a tarefa já foi mais difícil.

Comentários

comentários

Powered by Facebook Comments