Fantasporto: Um policial urbano pode ter um final feliz?

Um bom policial animou a noite de ontem do Fantasporto, mas a verdade é que o desfecho provoca um ligeiro dilema ético.

Um bom policial animou a noite de ontem do 36.º Fantasporto – Festival Internacional de Cinema do Porto, mas a verdade é que o desfecho provoca um ligeiro dilema ético. É suposto querermos que um final feliz para quem atenta contra a sociedade?

A questão é expressa até no próprio título deste filme britânico de Reg Traviss: “Anti-social”.

Dois irmãos, de pais diferentes, levam vidas com contornos semelhantes na moderna e agitada Londres: ambos são respeitados pelo profissionalismo nas respectivas artes, o mais novo no grafitti, o mais velho nos assaltos a lojas de luxo.

Para que haja tensão, é necessário que os irmãos se separem. A premissa cumpre-se com o mais novo a ser convidado para um trabalho “comercial” na Alemanha e o mais velho a ser ‘convidado’ para um último golpe.

É já um cliché deste tipo de obras: os meliantes, qualquer que seja a forma como praticam a arte, nunca estão satisfeitos com o que já conseguiram, têm de ter sempre mais e mais…

Não há honra entre bandidos, pelo que ocorrem as inevitáveis guerras de gangues e fugas às autoridades. Mais não se pode revelar sem correr o risco de estragar o prazer de ver este “Anti-social”.

Mas eis que ao final de duas horas fica o dilema ético: é suposto querermos que aquela personagem que vimos a praticar o mal contra os outros tenha um final feliz?

Jornalista convidado: João Miguel Ribeiro

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